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    Copom


    Elevação da taxa Selic a 4,25% irá afetar indústria amazonense

    Ao desestimular o consumo para conter a inflação, a determinação do Copom deve obrigar a indústria a reduzir volume de produção

     

    Caso a decisão seja prolongada e levada em diante na próxima reunião, volume na fabricação dos produtos no PIM deverá ser reduzido
    Caso a decisão seja prolongada e levada em diante na próxima reunião, volume na fabricação dos produtos no PIM deverá ser reduzido | Foto: Divulgação/Diego Janatã

    Manaus – Diante da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em elevar a taxa Selic, de 3,5% para 4,25% ao ano, a população amazonense deve diminuir o consumo com a medida para conter a inflação. Representante da indústria e especialistas comentam que a determinação irá prejudicar a indústria e a população com o desestímulo do consumo.  

    Na última reunião do Copom, a Selic subiu de 2,75% para 3,5% ao ano. O Banco Central (BC) prevê que a taxa pode chegar a 6,25% até o final de 2021 e 6,5% em 2022. Apesar do aumento, vale relembrar que a taxa Selic já chegou ao exorbitante 45% em 1999.

    Mais recentemente, em 2015, a taxa de juros básica esteve em 14,25% ao ano e apresentou o mesmo percentual até outubro de 2016. Após esse momento, o Banco Central voltou a reduzir a taxa até chegar a 2% em agosto de 2020 e conservar-se assim até março deste ano.

    Impacto negativo

    Segundo o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, a medida irá afetar a indústria amazonense em decorrência da queda de consumo da população, além de reduzir, automaticamente, a fabricação dos produtos e até o número de empregos, caso essa decisão seja prolongada.

    “Para a indústria é uma “puxada de freio-de-mão” no ritmo de retomada da produção e das vendas. O consumo é desestimulado e a indústria reduz a produção. Só esses dois fatores juntos são suficientes para reduzir os empregos, as vendas e a arrecadação dos tributos”, esclarece Azevedo.

     

    Com o aumento da Selic, a tarifa dos empréstimos, do cartão de crédito e dos financiamentos  fica mais cara, tanto para a população quanto para empresas
    Com o aumento da Selic, a tarifa dos empréstimos, do cartão de crédito e dos financiamentos fica mais cara, tanto para a população quanto para empresas | Foto: Brayan Riker

    E eu com isso?

      De forma mais agressiva ou mais sútil, dependendo da esfera, a mudança no valor da taxa Selic influencia a vida dos amazonenses. Por exemplo, se a taxa básica de juros - responsável por controlar todos os juros do país estiver alta, automaticamente a tarifa dos empréstimos, do cartão de crédito e dos financiamentos fica mais cara, tanto para a população quanto para empresas. Com essa elevação, os bancos são os que saem no lucro.  

    Neste sentido, a economista Denise Kassama afirma que as oscilações da taxa básica de juros estão relacionadas com as intenções de desestimular o consumo para conter a inflação, como uma estratégia da política econômica do país. Porém, os amazonenses que apelam para os cartões serão prejudicados.

    “Com os juros altos, os preços dos produtos, os parcelamentos e financiamentos se tornam mais altos e, mais cruelmente, o cheque especial e os juros rotativos do cartão de crédito. Assim, mais uma vez, quem mais será atingida será a população. Com uma taxa de desemprego na casa dos 17%, muitos amazonenses acabam se sujeitando ao cheque especial e ao cartão de crédito”, exemplifica.

    Já para os investimentos, o aumento da taxa Selic é benéfico. Segundo o assessor de investimentos em Manaus Renato Oliveira, quem tem dinheiro para emprestar para o governo, através do Tesouro Direto, ou em aplicações, é uma boa oportunidade para gerar altos rendimentos.

    “Com a Taxa Selic subindo, as aplicações, principalmente de renda fixa, ficam mais vantajosas, porque antes era pago 3,5% e agora será 4,25%. Até a poupança – que procuramos não estimular pelo pouco rendimento – vai ter um valor maior caindo na conta”, revela.

    Mercado

    A economista Denise ainda ressalta que o aumento da taxa Selic não será suficiente para controlar a inflação, levando em conta o incentivo em exportar as produções e reduzir os produtos no mercado interno. “Neste momento, a elevação não será suficiente, pois não se trata de uma inflação de demanda. As maiores altas apresentadas nos últimos 12 meses são, principalmente, do setor de alimentos, onde os produtores estão optando por exportar a maior parte da produção, reduzindo a oferta no mercado interno e provocando o aumento dos preços”, finaliza.


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