Fonte: OpenWeather

    Financiamento


    Projetos de Lei podem incentivar economia criativa no AM

    O setor foi um dos grandes afetados durante a pandemia de Covid-19

     

    O Amazonas está entre os estados que mais sofreram queda na oferta de trabalho para o setor
    O Amazonas está entre os estados que mais sofreram queda na oferta de trabalho para o setor | Foto: Divulgação

    Manaus - A economia criativa se destaca no Amazonas pelas inúmeras possibilidades de materiais regionais disponíveis.  Em 2019, o estado já contava com cerca de 69.894 trabalhadores na área, que engloba produções artísticas e culturais. Em 2020, devido à pandemia de Covid-19, esse setor foi um dos grandes afetados, quando 21,5% dos profissionais chegaram a perder até R$1.000,00 por mês, 28,1% disseram perder até R$2.000,00, 14,6% até R$3.000,00 e 18,4% até R$4.000,00, segundo dados do Itaú Cultural.

      O levantamento do Itaú Cultural ainda mostra que o Amazonas está entre os estados que mais sofreram queda na oferta de trabalho para o setor, com uma retração de 15%, acompanhado de Paraíba (15%), Mato Grosso (15%), Espírito Santo (15%) e Rio Grande do Norte, que chegou a uma queda de 24%.  

    A empreendedora em Manaus Tatiana Marialva, 29, foi uma dos trabalhadores criativos que sofreram com a pouca demanda de encomendas que recebeu em decorrência da pandemia. Com isso, o faturamento de Tatiana caiu 70% e a dona do negócio se viu obrigada a fazer empréstimo bancário para pagar as dívidas. Porém, ela conta que já está trabalhando para recuperar o prejuízo chegou a alterar seu cadastro de Microempreendedor Individual (MEI) para Microempresa (ME).

     

    Com a pandemia, Tatiana teve uma queda nas vendas, de quadros decorativos, em 70%
    Com a pandemia, Tatiana teve uma queda nas vendas, de quadros decorativos, em 70% | Foto: Tatiana Marialva/Arquivo Pessoal

     Voltada para o negócio de reciclagem de placas de MDF, Tatiana transforma o material em quadros decorativos e, apesar de vislumbrar recuperação do empreendimento neste ano, ela sentiu falta de mais apoio financeiro no momento de crise pandêmica.

    "

    Para ajudar mesmo os pequenos empresários e empreendedores, o Governo Federal deveria diminuir a burocracia. Muitas vezes é necessário o auxílio de um contador para conseguir e nem todos os microempreendedores têm alguém para auxiliar na hora de pleitear um empréstimo "

    , desabafa Tatiana.

     

    A designer Jéssica Ester Costa, 27, também foi impactada negativamente pelos efeitos da pandemia, por conta da demora e baixa efetividade do Governo Federal e Ministério da Saúde em atender às medidas de prevenção contra a expansão da contaminação, o que atrasa o retorno efetivo do comércio, provocando o fechamento de muitos negócios. 

      Com uma loja online de toyarts - bonecos voltados principalmente para a cultura pop - Jéssica aproveitou as redes sociais para alavancar as vendas e mostrar as próprias criações. A designer também pontua que, no ramo das artes, muitas pessoas ficam escondidas com receio de iniciar um pequeno empreendimento, devido à visível desvalorização dos produtos e serviços.  

    Atualmente Jéssica trabalha sozinha, sendo responsável pela modelagem artesanal, marketing, negociação com os clientes e envio das encomendas, mas já iniciou o planejamento para uma futura otimização da produção e pensa em pedir uma linha de crédito. 

    Startups 

      Aprovado pelo Congresso Nacional em maio, o Marco Legal das Startups (PLP 249/2020) busca criar um ambiente favorável para pequenos negócios inovadores. A nova lei, que já está em vigor, prevê a criação de um ambiente regulatório experimental, além de permitir que empresas lancem produtos com menos burocracia.  

    Para especialistas, esse tipo de incentivo é fundamental para o funcionamento e recuperação tanto da economia nacional quanto das economias locais, além de fomentar o crescente setor criativo. 

    Segundo o economista Eduardo Souza, essas novas fontes de financiamento são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento dos pequenos negócios, e impactam de forma positiva em todos os cenários.

    "

    Quando você tem uma fonte de financiamento, pode desenvolver o seu projeto, gerar emprego, ajudar pessoas, e desenvolver a economia de uma forma geral. Então o impacto para pequenos empreendedores é fundamental "

    , frisa o economista.

    Souza ainda destaca que a economia criativa tem um potencial gigantesco de crescimento, não só no Brasil como um todo, mas no âmbito regional também. “Justamente por isso que surgem os incentivos. Essa possibilidade nova, esse acontecimento, vai beneficiar o país e o Amazonas”, finaliza.


    Leia mais:

    Projeto de Lei viabiliza linhas de crédito para startups no Amazonas

    Novo programa vai conectar startups a indústrias do PIM

    Com apoio, economia criativa pode crescer e gerar mais empregos no AM


    Comentários