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    Mulher


    Porque todo homem tem uma garotinha ruiva em sua vida

    Como Eduardo e Mônica, discutíamos coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar e tudo mais que se possa imaginar.

    Dessa vez ela me deu um sorriso tímido, envergonhada baixou a cabeça e balbuciou um oi. | Foto: Divulgação

    Nesse dia chegara mais tarde ao trabalho por conta de um problema particular que precisava resolver. Eram umas 9h da manhã quando cheguei à empresa.

    Foi quando a garotinha (a minha garotinha) ruiva, apareceu.

    Ela vinha descendo as escadas com umas resmas de papel sulfite, jeans preto surrado, all star - preto também - desbotado com cadarços vermelhos e uma camiseta do capitão América.

    Quando nossos olhares se cruzaram ela sorriu e seu sorriso iluminou tudo, tudo mesmo, tudo no sentido mais amplo da palavra. Sempre que me lembro desse sorriso sinto-me feliz, como estou me sentindo agora.

    Corri e peguei as resmas (danem-se as feministas) e a acompanhei até o setor onde ela estava indo. Ainda me certifiquei de que ela não precisaria de mais alguma ajuda e fui então para o meu posto de trabalho viajando na maionese.

    Nesse dia em especial foi bem corrido, uma vez que tinha uma entrega importante pra fazer ao chefe e não a vi mais. 

    Mensagem

    Contudo ao final do dia recebi uma mensagem de alguém que não era da minha lista, era ela...

    Senti-me um adolescente, coração disparou, ruborizei e como todo homem comecei a imaginar milhões de situações.

    A partir desse dia, passamos a ser mais próximos. Confesso que sinto muita falta desse tempo, das conversas inocentes, dos besteiróis e da paquera velada. 

    Como Eduardo e Mônica, discutíamos coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar e tudo mais que se possa imaginar.

    Apesar dessa proximidade toda, não nos víamos. Eu era líder de equipe e uma espécie de Severino, entrava mais cedo, saía mais tarde e meu horário de almoço era quando desse; então só nos falávamos por mensagem mesmo.

    Trabalhávamos em setores diferentes e isso não permitia que nos víssemos nos corredores da empresa, até que um dia...

    Encanto na hora do almoço

    Sabe quando nada corre bem, você atrasa, leva esporro do chefe, perde o trabalho de uma manhã toda porque não salvou o texto e por aí vai? Estava sendo assim nesse dia.

    Então resolvi ir almoçar no horário, já estava tudo dando errado mesmo, quis ter pelo menos uma refeição decente naquele dia. Então segui para o refeitório da empresa.

    Quando eu chego ao refeitório para minha surpresa quem eu vejo à minha frente na fila? Isso mesmo a garotinha ruiva.

    Imediatamente falei com ela. Dessa vez ela me deu um sorriso tímido, envergonhada baixou a cabeça e balbuciou um oi.

    Sentamos juntos, de frente um para o outro e com alguns colegas de trabalho à mesa. Ficamos encabulados e, sempre que nossos olhares se encontravam a reação era a de desviar o olhar, baixar a cabeça e conter o sorriso. Não sei se os colegas notaram, mas quem se importa?

    Estou escrevendo e revivendo esses momentos, parecem que acabaram de acontecer. Nosso subconsciente não sabe muito bem diferenciar se determinado fato ocorreu ontem ou há 10 anos. Por isso que quando se vê a ex tudo volta, porque ele (o subconsciente) retoma de onde tudo parou. E é o que está acontecendo agora. Incrível como aquela mulher me fazia bem.

    Nesse mesmo dia "quase sem querer" criamos uma nova forma de nos comunicar. Enquanto trocávamos mensagens, ela me deu uma negativa e então eu respondi: "fazer o quê, né? Mas tudo bem, tudo bem" e ela me respondeu: "Adoro essa música (Giz - Legião Urbana)... acho que estou gostando de alguém..."

    Nem precisa dizer que tenho uma relação bem afetiva com esta música, inclusive ela hoje ainda diz muito coisa sobre nós dois.

    Temos vários tipos de memória, olfativa, tátil, auditiva e por aí vai. No meu caso a música sempre embala minha vida e sempre me remete às melhores e piores ocasiões.

    Como meu repertório musical, não sendo modesto, é bem rico eu posso afirmar que nossas conversas musicais fizeram com que a paixão tomasse uma proporção muito grande. 

    Sou bem intenso e costumo entrar num relacionamento de cabeça, sem restrições e com frequência me dou mal. Acontece.

    Eu poderia contar inúmeras situações envolvendo nossas conversas musicas, pois tenho memória fotográfica, mas isso fica pra uma outra oportunidade. Contudo vai uma dica: rapazes usem músicas sincopadas para envolver as mulheres, elas adoram.

    Aniversário

    O legal de se começar um relacionamento de forma quase platônica é que quando o negócio acontece, quando as partes se entregam, quando os dois partem para o contato físico, não necessariamente sexo, toques, cheiro, a pele, o corpo do outro, é então que o desejo toma conta de tudo e acontece o tão esperado beijo... Muito bom isso, eu curti demais esse momento.

    Era o aniversário dela e eu a convidei para para sairmos que eu iria lhe fazer uma surpresa, seria o meu presente. 

    Levei-a em um restaurante que, além dos pratos ocidentais, servia sushi. 

    Foi bem engraçado porque ela ainda não havia provado sushi e então eu sugeri que ela também provasse o wasabi, mas adverti que era de sabor forte, porém ela não me deu ouvidos e passou uma porção bem generosa. 

    Assim que colocou o sushi na boca, pra quem já fez isso sabe muito bem o resultado, começa a esquentar no céu da boca, entrando pelo nariz e depois os olhos ardem. Logo ela lacrimejava e, cheia de charme abanava com a mão, em vão, na direção da boca para aliviar o ardor.

    Foi bem divertido e agradável o almoço, ainda tomamos um sorvete de sobremesa.

    O beijo

    Na saída, no estacionamento, lhe fui dar um abraço de parabéns e foi inevitável o beijo acontecer, finalmente pude sentir seu cheiro, seu gosto, seus lábios, sua pele, seu calor (bem piegas, concordo, mas foi assim que aconteceu). 

    Guardo com muito carinho esse momento. Depois ela ainda tirou um sarro, pois disse que eu poderia ter esperado entrarmos no carro para assim beijá-la.

    Dias depois ela me disse que pensou que eu a levaria em um motel, devo admitir que pensei nisso, porém creio que da forma que aconteceu foi o melhor jeito possível.

    E foi assim que a garotinha ruiva (a minha garotinha ruiva) apareceu na inha vida.

    Infelizmente, isso durou apenas 63 dias e alguns anos de bode. Com alguma frequência, ainda lembro dessa moça, mas é a vida, fazer o que, né? Mas tudo bem, tudo bem.

    "...E mesmo sem te ver acho até que estou indo bem..."

    Tem uma música que parece que foi feita para o momento em que ele vinha descendo as escadas e eu a vi. Ouça:

    | Autor:
     

    * Gabriel Magalhães é colaborador do Portal EM TEMPO e escreve sempre às quintas para a seção  "Entre Elas - Encontros e Desencontros".

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