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    Conto


    Quem haveria de dizer que eu tocaria com o Nunes Filho?

    Quem haveria de dizer que um dia eu tocaria com o Nunes Filho? Sim, eu também tive a minha história com o "Príncipe do Brega", de Manaus.

    Nunes Filho é cantor de Manaus, conhecido como "Príncipe do Brega"
    Nunes Filho é cantor de Manaus, conhecido como "Príncipe do Brega" | Foto: Divulgação

    Quem haveria de dizer que um dia eu tocaria com o Nunes Filho? Sim, eu também tive a minha história com o "Príncipe do Brega", de Manaus.

    Já fiz muita coisa na minha vida, e uma das que mais gostei de fazer foi ser candidato a músico. Já comentei isso em um outro artigo que escrevi aqui.

    Eu tinha uma japonesina, negra, linda, falava muito. Braço de pau-ferro, cepo maciço, embora a captação não fosse ativa, possuía uma sonoridade impecável. Era muito instrumento para o pseudo-músico que vos escreve.

    Como queria ser rockstar, comecei a consumir rock, rock progressivo, um pouco de heavy metal e também Bach e música clássica de uma forma geral

    Foi aí que descobri uma banda canadense, Rush, mais precisamente duas músicas: YYZ e Tom Sawyer. Foi impossível não querer tocar baixo, pelo menos para mim. Pronto, havia trocado de instrumento, seria baixista.

    Sofri um pouco no começo, pois meus dedos não são longos, então precisava de mais esforço, mas com as técnicas corretas, consegui "enganar" como baixista.

    Acompanhava um amigo que tocava na noite e sempre que podia, ele permitia que eu tocasse uma ou duas músicas e, isso para mim era o máximo.

    Com o tempo tornei-me melhor, mais confiante e comecei a pegar alguns trabalhos, nada de excepcional, mas já não precisava esperar um amigo me ceder a vez, para tocar em público. Nunca quis ser o centro das atenções, e nem ganhar dinheiro, sempre preferi ser como Frank Farmer, invisível, discreto, na minha. Queria somente tocar o meu baixo e curtir o momento, esse era o meu barato, a minha curtição.

    Numa sexta, um amigo me chamou para tocarmos num barzinho, no Aleixo, iria ter cachê, baixo, mas teria. Topei na hora, queria tocar, sentia-me bem como isso.

    O local era bem rústico, por falta de palavra melhor. Era uma casa com terreno grande e os proprietários transformaram-na em um bar. Ele tinha um nome oficial (até lembro, mas não vou citar) e também um nome não oficial, com o qual carinhosamente era conhecido, o Bar "Rasga Velha".

    O palco era improvisado, um tablado de madeira, um tapete velho onde estava a bateria para que ela não se movesse, enquanto era tocada e o equipamento (amplificadores, retorno e PA[5]) ficava a desejar, mas pra mim tava valendo, tinha 17 anos e eu queria era tocar.

    Começamos a tocar, bregão rasgado, literalmente levantando poeira, uma vez que o chão era de terra batida, parecia até que tinha gelo seco. 

    Lá pelas tantas quem adentra ao recinto? Ele mesmo, o cantor Nunes Filho.
    Lá pelas tantas quem adentra ao recinto? Ele mesmo, o cantor Nunes Filho. | Foto: Divulgação

    Lá pelas tantas quem adentra ao recinto? Ele mesmo, o cantor Nunes Filho. 

    Não sei se ele deveria ir até lá ou apareceu de surpresa, porque nenhum músico sabia que estaríamos no bar, àquela noite.

    O músico não escolhe o que tocar, pelo menos quando ele é pago, então toca-se até o que não se gosta. Na época eu não curtia brega, mas sempre ouvi, sou bem eclético. 

    Ele cantou umas cinco ou seis músicas, só lembro da música Pintor, um clássico na voz de Nunes Filho.

    Foi bem divertido naquele dia. O Nunes Filho é uma figuraça, gente finíssima, sinto-me honrado em ter tocado com ele, à época não percebi, mas foi uma experiência ímpar.

    Já encontrei com ele em outras circunstâncias e em uma delas contei sobre ter tocado com ele e do famoso bar "Rasga Velha".

    Naturalmente ele não lembrou, já deve ter sido acompanhado por muitos músicos nesse tempo todo como cantor, todavia foi, como sempre, simpático e acolhedor.

    Depois de uns meses dessa experiência entrei na faculdade e o mundo perdeu um excelente baixista (brincadeirinha).

    Ainda toquei na igreja e sempre que sinto saudades dessa época pego meu violão e mesmo enferrujado dou alguns acordes e "canto" algumas músicas (Legião? Giz?...).

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