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    Construir sonhos é a missão da engenheira Euzielen Mendonça

    A nossa série de reportagens mostrou a trajetória da frentista Neiry Charles e da motorista de ônibus Dolores Cordeiro. Confira a história da engenheira civil Euzielen Mendonça

    Euzielen já atua na profissão há cerca de 6 anos | Foto: Arquivo Pessoal

    O rosto de menina é apenas mais um dos atributos da engenheira civil Euzielen Mendonça, 27 anos, que tem como maior missão de vida a satisfação de poder ajudar a construir sonhos. Uma missão que ela encara  com muito profissionalismo aliado à sensibilidade, prudência e dedicação ao trabalho.

    Euzielen nasceu em Manaus, porém se considera irandubense de coração por ser a terra natal de seus pais. “Nasci em Manaus porque na época não realizava partos em Iranduba. Mas sou irandubense de alma e coração”, enfatiza.

    Solteira, ela nos confidenciou que está em um relacionamento sério de namoro.  Já atua na profissão há cerca de 6 anos, quando começou estagiando durante a graduação na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). No decorrer do estágio, foi promovida a auxiliar de engenharia e atualmente exerce a função de engenheira civil em uma importante construtora da Capital. 

    A escolha pela profissão começou ainda no ensino médio
    A escolha pela profissão começou ainda no ensino médio | Foto: Arquivo Pessoal

    Gosto pela engenharia 

    A escolha pela profissão começou ainda no ensino médio, quando descobriu seu gosto pela engenharia.  “Na verdade, me identificava muito com a área de exatas, mas o que me fez escolher a engenharia civil foi a possibilidade de atuar em uma profissão que tivesse de alguma forma um impacto social e pudesse ser útil à sociedade. Como engenheira, eu posso ajudar a construir sonhos”, ressaltou. 

    Sua rotina de trabalho começa às 7h e vai até as 1630h. A jornada é de 8h diárias, com 1h de almoço, num total de 40h semanais. O percurso de casa até o canteiro de obras onde trabalha no momento é um pouco longo porque está localizado no Ramal do Brasileirinho, Distrito Industrial de Manaus. Ela explica que o trajeto de casa para o trabalho no caso do engenheiro de campo é imprevisível porque muda a cada obra que se inicia. “Daqui a alguns meses, por exemplo, estarei em um novo local. Mas agradeço sempre a Deus pelas oportunidades que se iniciam. Não importa a distância”, diz.  

    Para uma maior segurança, a profissão exige cuidados específicos no uso de capacete de proteção e sapatos apropriados, que oferecem também um maior conforto na locomoção do profissional no canteiro de obras. No caso das mulheres, o batom pode ser também um acessório a mais para dar um toque de feminilidade. 

    Entre alguns projetos que tiveram sua atuação estão as obras do Estádio Carlos Zamith (estagiária), revitalização do Porto de Manaus (auxiliar de engenharia), Condomínio Reserva das Flores (auxiliar de engenharia), Prédio da Loja Globarium (engenheira civil) e atualmente atua como engenheira civil na obra do Centro Municipal de Educação Infantil (CIME). 

    Jovem na liderança 

    “A minha maior dificuldade foi logo no início, onde percebia que as pessoas ficavam um pouco assustadas pelo fato de ter à frente de uma obra uma mulher jovem liderando 100 homens. Esse impacto foi passando com o tempo e no decorrer da obra pude mostrar aos colegas de trabalho, clientes e chefes que uma engenheira de obra, mulher e recém-formada poderia sim ter êxito em sua carreira profissional”, ressaltou.   

    Mas ela revela que começou a sentir mesmo o preconceito quando decidiu fazer engenharia. Na época do vestibular ouvia as pessoas falarem que engenharia civil era coisa para homem. Então se colocou à disposição para provar que as mulheres têm a mesma capacidade técnica para exercer a profissão. 

    E qual grande foi a sua surpresa que no primeiro dia de aula se deparou com uma sala onde havia mais mulheres que homens. O que lhe serviu também de impulso para ir em frente. “Mas ainda hoje ouço perguntas do tipo: “Você não acha muito estressante ou cansativo trabalhar em obra? Não seria mais fácil para um homem? E repondo sempre com autonomia mostrando na prática a minha capacidade”, destacou. 

    Sua relação no dia a dia com os colegas engenheiros ela diz ser excelente. “Hoje os homens já têm a percepção que ambos possuímos capacidade técnica equivalente. E nos completamos para um trabalho ainda melhor”, explica. 

    Compromisso com a sociedade 

    “Me sinto orgulhosa e feliz por ser mulher e engenheira. É algo fascinante. Percebo que a cada decisão tomada dentro de um canteiro de obra traz junto a imagem das pessoas usufruindo daquele local; seja uma casa, uma escola, uma ponte. Provando que a engenharia é importantíssima para o desenvolvimento econômico e cultural, meio ambiente, acessibilidade e bem-estar da sociedade. Temos mesmo uma missão importante a cumprir. E por isso sou apaixonada por minha profissão”, diz.

    Mas apesar de toda a capacidade das mulheres nessa área, ela reconhece que ainda é muito baixa a quantidade de mulheres em obra, em todos os cargos. “Percebo, no entanto, algumas construtoras terem preferência por contratar homens como engenheiros de obra, por acharem que é um ambiente com atividades pesadas para mulher”, revela.  

    Euzielen acredita que esse cenário possa mudar com a igualdade de gênero.  “Nós mulheres precisamos ser valorizadas tanto quantos os homens, recebendo inclusive os mesmos salários e sermos tratadas de forma igual”. Como incentivo para as candidatas ao cargo ela dá um conselho: “Se você ama a engenharia civil não se intimide por achar que não é lugar para mulher. Mas estude. Nossa profissão exige muito estudo e dedicação para podermos provar que somos tão capazes quanto os homens na profissão que escolhermos. Pois toda conquista começa por comprometimento”, enfatizou. 

    *Oziete Trindade é jornalista, graduada em Comunicação Social com habilitação em jornalismo pela FMU/SP e pós-graduada nível Lato Sensu em Comunicação/Marketing Político pela Fundação Cásper Líbero/SP

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