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    Saúde feminina


    Doenças silenciosas ameaçam a saúde íntima da mulher

    Sem apresentar sintomas, doenças ginecológicas não tratadas podem levar a complicações como infertilidade e câncer

    Especialista explica doenças assintomáticas que podem prejudicar a saúde feminina | Foto: Divulgação

    Manaus - Quando há algo errado com o organismo, o corpo costuma manifestar sintomas que indicam a presença de ameaças à saúde e ao bem-estar de uma pessoa. Mas, e quando o perigo é silencioso?

    Entre as mulheres, em particular, muitas doenças ginecológicas podem ser assintomáticas, demorando a se manifestar, dificultando o tratamento e levando a complicações maiores, desde a infertilidade até o câncer. É o caso do HPV, cujas lesões são precursoras do câncer de colo de útero. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), de 2012 até 2016, houve mais de 3,1 mil casos confirmados da doença no Amazonas - uma média de 632,2 casos por ano.

    O Portal EM TEMPO conversou o ginecologista Thiago Gester para falar sobre 'doenças silenciosas' que podem afetar a saúde íntima da mulheres e como elas podem se prevenirem.

    Endometriose

    A endometriose está longe de ser assintomática. O problema é que os sintomas podem ser confundidos com incômodos do período menstrual, como as cólicas. "A mulher pode sentir cólicas fortes por muito tempo, pensar que não é algo tão sério e não procurar ajuda", explica Gester. O ginecologista alerta que cólicas intensas não são normais e precisam ser investigadas para chegar a um diagnóstico o quanto antes.

    A doença ocorre quando o endométrio, camada que reveste a parede interna do útero, se desenvolve fora da cavidade uterina. Ovários, trompas, bexiga e intestinos são algumas áreas atingidas. Além das cólicas, dor ao urinar, defecar ou durante a relação sexual são outros sintomas da endometriose. 

    Trata-se de uma doença sem prevenção, nem cura, mas com tratamento que garante o bem-estar e qualidade de vida da mulher. Caso não seja tratada, pode causar infertilidade e o comprometimento de outros órgãos.

    Síndrome dos ovários policísticos

    "Essa síndrome é uma doença endócrina, hormonal e metabólica que provoca alterações dos níveis hormonais", esclarece Gester. Ela causa a formação de cistos nos ovários, que aumentam de tamanho. Atinge mulheres em idade reprodutiva.

    "No início, a mulher não sente nada. Mas logo começa o principal sintoma, que é a falta de menstruação", diz o médico. Aliado a outros sintomas como pelos no rosto e acne, por exemplo, esse quadro pode ser um indicativo da síndrome. 

    "A síndrome precisa ser diagnosticada e tratada porque pode desencadear outras doenças como diabetes, pressão alta e doenças cardiovasculares", alerta Gester. A confirmação da doença deve ser feita pelo ginecologista e o endocrinologista. O tratamento varia de mulher para mulher.

    Clamídia

    Gester explica que o nome da doença é na verdade o da bactéria que causa a infecção, a Chlamydia trachomatis. Ela é transmitida por relações sexuais e não apresenta sintomas na maioria dos casos. "Quando não tratada, ela causa a Doença Inflamatória Pélvica (DIP)", conta o médico. A DIP atinge os órgãos sexuais internos da mulher e causa inflamações no útero, trompas e ovários.

    Quando os sintomas aparecem, geralmente incluem dor ou ardor ao urinar e presença de secreção fluída. Em alguns casos, as mulheres chegam a perder sangue durante os intervalos menstruais e a sentir dor no baixo ventre. A única forma de prevenção contra a clamídia é praticando sexo seguro com o uso de preservativo. O tratamento é feito à base de antibióticos. 

    HPV e o câncer de colo de útero

    Conhecida como a "doença silenciosa", o HPV (papilomavírus humano) pode passar anos no organismo sem apresentar sinais ou sintomas. Trata-se de vírus que infectam a pele e as mucosas. São mais de 150 tipos diferentes, dois quais 12 representam alto risco de desenvolvimento de doenças como o câncer de colo de útero, vagina, pênis e ânus, por exemplo.

    Desses, o câncer de colo de útero é um dos mais preocupantes, porque pode levar anos para se manifestar. "A paciente só procura o médico quando o câncer já está 'bombando', geralmente depois de apresentar sintomas como dor na relação sexual ou secreção vaginal de cor estranha", conta Gester. Ele também acrescenta que a manifestação da doença depende da imunidade da pessoa, e o não há como prever o progresso do câncer. Os casos podem levar de um a três anos até serem diagnosticados.

    O principal meio de contágio do HPV é sexual, no contato do genital com genital, mãos ou mesmo a boca - ou seja, é altamente contagioso. Como a maioria dos portadores do HPV são assintomáticos, não sabem quem têm a doença e podem transmiti-la para outros sem saber.

    Prevenir o HPV é difícil, então é recomendado que preservativos sejam usados durante toda a relação sexual, não importa a modalidade. Já existem vacinas contra os tipos mais comuns do vírus. 

    Prevenção

    A melhor forma de se proteger dessas e de outras doenças continua sendo o cuidado ativo com a própria saúde, diz o ginecologista. “A mulher que se ama, se cuida. Não é apenas a parte estética, cabelo, unha, maquiagem, academia. É preciso estar atenta a parte interna, afinal uma boa saúde envolve o cuidado íntimo”, enfatiza o médico. Gester também lembra que o ideal é que a mulher faça check-ups gerais semestralmente e exames ginecológicos, como o preventivo, a cada ano.

    Em 2018, mais de 165 mil exames citopatológicos cervico-vaginal  (preventivo) foram realizados no Amazonas, segundo dados da Susam. Até maio deste ano, mais de 51 mil mulheres amazonenses já haviam feito o exame.

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