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    Dinheiro


    O que você segue nas redes sociais pode afetar suas finanças

    Glauce Galúcio, especialista em educação financeira, dá dicas de como fazer boas escolhas na hora de comprar

    77% da população é influenciada a comprar produtos por meio de informações obtidas nas redes sociais. | Foto: Pixabay

    Manaus - Atire a primeira pedra quem nunca comprou um produto por influência de famosas ou blogueiras. Nem mesmo a social media Joania Victória, 24, que gerencia as redes sociais de uma agência de publicidade, conseguiu escapar das armadilhas da internet. 

    Joania buscava uma nova base de maquiagem e estava disposta a pagar mais caro se fosse necessário. "Comprei de uma marca famosa, muitas pessoa falam sobre ela. Fui ver resenhas na internet sobre a base e não vi nenhuma resenha negativa, todas elas falavam que a base é boa, com cobertura de média a alta".

    O investimento foi de mais ou menos R$ 80. "A base era péssima comparada a outras que eu tinha usado de outras marcas mais baratas. Foi uma péssima experiência e nenhuma blogueira falou sobre isso, eu nunca mais daria esse dinheiro".  

    Felizmente, Joania não está sozinha. Glauce Galúcio, 38, especialista em finanças explica que as publicidades e propagandas são infinitamente maiores para o sexo feminino do que para outros públicos, desde produtos de beleza até produtos de limpeza  - que sempre mostram mulheres utilizando-os.

    De acordo com estudo da PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil), o poder das redes sociais na vida dos brasileiros é tanto que 77% da população é influenciada  a comprar produtos por meio de informações obtidas nas redes sociais. 

    O que ocorre com todo esse “assédio” é que decisões financeiras importantes podem ser tomadas, com base apenas em publicidades de "reviews" da internet. Atuando na área há 15 anos, Glauce  afirma que estas decisões financeiras também estão relacionadas com problemas de

    endividamento e inadimplência

    Por conta disso, muitas pessoas têm se interessado por educação financeira. "Grande parcela das pessoas que procuram aprender mais sobre o tema é formada pelo público feminino, o que demonstra o papel de protagonista sobre o tema que as mesmas assumiram de algumas décadas para cá", relata a especialista. 

     Glauce Galúcio, 38, especialista em finanças.
    Glauce Galúcio, 38, especialista em finanças. | Foto: Arquivo Pessoal

    “A mulher é multitarefas. Muitas ainda, além de desenvolver seu papel no mundo corporativo, também trabalham em casa. Então, acabam frequentemente sendo aquelas que estão à frente das compras, não somente pessoais, mas de toda a família. Por toda essa responsabilidade atribuída, a educação financeira é essencial para que elas conduzam tudo com consciência e sustentabilidade. E é isso que elas estão fazendo, buscando se aprimorar cada vez mais em tudo o que fazem”, explica Glauce Galúcio.

    A especialista afirma que primeiro é preciso estabelecer objetivos, para, assim, saber o quanto precisa para atingi-los. Uma dica bem simples é ter o hábito de registrar mensalmente todos os seus gastos, para descobrir no que pode economizar. 

    Antes de comprar

    Glauce Galúcio indica que antes de tomar qualquer decisão de compra a pessoa se faça as seguintes perguntas: 

    1. Eu realmente preciso desse produto?
    2. O que ele vai trazer de benefício para a minha vida?
    3. Se eu não comprar isso hoje, o que acontecerá?
    4. Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima?
    5. Estou comprando por mim ou influenciado por outra pessoa ou por propaganda sedutora?

    Se mesmo diante deste questionamento, a pessoa concluir que realmente precisa comprar o produto, é prudente fazer mais algumas perguntas como:

    1. De quanto eu disponho efetivamente para gastar?
    2. Tenho o dinheiro para comprar à vista?
    3. Precisarei comprar a prazo e pagar juros?
    4. Tenho o valor referente a uma parcela, mas o terei daqui a três, seis ou doze meses?
    5. Preciso do modelo mais sofisticado, ou um básico, mais em conta, atenderia perfeitamente à minha necessidade?

    Na contramão do consumo

    A produtora de moda, idealizadora e coordenadora do movimento independente Slow Fashion Manaus (@slowfashion.manaus), Lylle Abreu, conta que o projeto nasceu da necessidade de ir na contramão do consumo desenfreado, sem consciência, ética e responsabilidade. 

    Produtora de moda investia quase 50% de sua renda em roupas e acessórios.
    Produtora de moda investia quase 50% de sua renda em roupas e acessórios. | Foto: Arquivo Pessoal

    Para ela, é preciso estar atento às redes sociais. "´É um universo totalmente consumista, incentivando as pessoas a consumirem de forma desenfreada, despertando o desejo nas pessoas de coisas que elas realmente não precisam", conta. 

    Lylle já chegou a se considerar uma pessoa consumista compulsiva, investindo mais de 50% de sua renda mensal em gastos com roupas e acessórios. A mudança de mentalidade aconteceu quando ela percebeu que consumia desnecessariamente e começou a se desfazer de algumas peças. A partir daí, abriu seu próprio brechó e mergulhou de cabeça no universo da moda consciente

    O slow fashion ou “moda lenta”, em tradução literal, é uma alternativa ao fast fashion, e inclui em sua filosofia comprar roupas vintage, redesenhar roupas velhas, comprar de pequenos produtores, fazer roupas e acessórios em casa e comprar peças que duram mais. O objetivo é prolongar a vida útil do vestuário.

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