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    Medo de se relacionar? Entenda por que os homens fogem

    Homem foge quando se apaixona? E a mulher, como reage?

    O EM TEMPO conversou com psicólogas e ouviu alguns relatos de quem já passou pela situação | Foto: Reprodução

    Manaus - Se você entrar em uma roda de mulheres e perguntar quem já sofreu com um “chá de sumiço” de algum homem, certamente vai ouvir muitas reclamações. As histórias se repetem quase sempre: ao menor sinal de envolvimento emocional, eles correm, sem ao menos se despedir. Mas por que isso ocorre? O EM TEMPO conversou com psicólogas e ouviu alguns relatos de quem já passou pela situação.

    Para a psicóloga da clínica Amanda Tundis, que também trabalha com terapia de casais, os casos estão ligados ao comportamento e não estão relacionados a um único gênero. O uso da tecnologia também permitiu que as pessoas façam isso com maior facilidade, já que não são obrigadas a conversarem cara a cara.

    “Não digo que isso tem acontecido apenas como comportamento masculino, mas é que geralmente as mulheres estão mais abertas a dialogar e buscar respostas para os ditos 'sumiços'. Antigamente, você dava para a pessoa a chance de ela lidar com esse desligamento. Você podia ter acesso à pessoa, ir à casa dela e tudo ficava mais claro. A tecnologia acabou não permitindo mais este contato físico e real”, explica a psicóloga, que também salientou que a independência financeira e emocional das mulheres as tornam propensas a recorrer à fuga dos relacionamentos. 

    "Ele sumiu perto do Dia dos Namorados"

    A médica Letícia Araújo, 25, conta que a situação mexeu tanto com seu psicológico que ela chegou a emagrecer, porque acreditava que era culpada por ter feito algo de errado. "A gente conversava diariamente há uns seis meses, nos víamos sempre que dava. Quando chegou perto do Dia dos Namorados ele começou a diminuir as mensagens e não respondia direito as minhas. Até que eu cansei e decidi parar de mandar, porque ele nunca mais me procurava, era sempre o contrário. E aí que na semana seguinte ele sumiu, não achava nas redes sociais, não sabia se estava sumido só pra mim ou para todo mundo. Duas semanas depois, ele ainda teve a coragem de vir me perguntar o porquê eu estava estranha e disse que precisava de um tempo pra se energizar (risos). Depois disso quem se distanciou foi eu", conta.

    A psicóloga explica que a situação é muito recorrente. Muitas pessoas acabam ficando doentes e com baixa autoestima e o problema se agrava ao tentar se relacionar com outros, pois a situação acaba se transformando em uma ferida emocional que dificulta a confiança nos próximos relacionamentos. Porém, não é questão de achar um culpado. O que resta é analisar a situação e encarar como aprendizado.

    Luiz Fraga, 23, confessa já ter dado 'alguns perdidos'. “Acho que todo mundo dá uma sumida. Eu tava me envolvendo com uma garota, chegamos a ficar e tal, só que eu descobri que ela queria namorar e eu não estava pronto para assumir um relacionamento. Tinha acabado de sair de outro relacionamento e não tinha sido muito bom, então conversei com ela, mas ela estava muito apaixonada e não entendeu, então eu simplesmente sumi”, conta.

    O contrário também ocorre

    A psicóloga Marcele Negrão explica que a mulher passou a ser quem toma a iniciativa em um relacionamento, o que antes era considerado papel dos homens, que acabam muitas vezes se sentindo intimidados com essa inversão de papéis. “Outro fator que precisa ser considerado é a maturidade emocional, no homem ocorre em torno de 35 a 42 anos, já na mulher acontece antes, entre os 25 e 32 anos”, conta Marcele.

    Desde que a mulher passou a adquirir independência, passaram a também fugir de relações
    Desde que a mulher passou a adquirir independência, passaram a também fugir de relações | Foto: Reprodução

    O estudante universitário Marcos Lima, 20, conta que já passou pela situação inversa e prefere não cobrar explicações. “Acontecia uma vez ou outra, mas ultimamente com mais frequência. Eu conheço alguém, a gente vai conversando, se conhecendo e rolando todo aquele clima de flerte. Quando começo a falar dos meus sentimentos e estar gostando da pessoa e querer algo sério elas somem. Do nada. Deixam de responder às mensagens, que antes eram respondidas rapidamente. Seria legal elas explicarem o porquê de sumir, mas elas nunca falam e acaba ficando por isso mesmo”, conta.

    Para Marcele, não deve existir um sentimento de culpa já que, no ponto de vista psicológico, esse sentimento é relacionado ao arrependimento por algo de errado ou reprovável. Quando ambos estão com seus ideais claros, a relação tende a se encaminhar sozinha, “o ponto chave deve ser uma autoavaliação quanto aos seus objetivos reais, antes de se iniciarem uma relação, procurem avaliar suas intenções e convergirem na busca dos ideais”.

    Mas o que fazer para superar?

    Em muitos casos o problema está ligado a expectativa. Esperar bastante algo que nem sempre está nos planos do outro. Para deixar a culpa de lado e passar a enxergar a experiência como aprendizado, vale a pena o diálogo.

    “Nem sempre tem a ver com você, mas pelo fato de não ter informação a pessoa acaba ficando com este sentimento de dúvida.  O diálogo deve sempre fazer parte em qualquer relacionamento. Até mesmo no  'ficar'. O saber se comunicar pode evitar rompimentos desgastantes. É difícil! Claro que a pessoa não vai gostar de levar um fora, mas pelo menos ela tem a chance de elaborar tudo isso e de receber este impacto de uma forma mais consciente e menos dolorosa do que simplesmente ficar sem saber o que aconteceu”, finaliza Amanda Tundis.

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