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    Saiba o que mudou na rotina de quem 'pula a cerca', durante a pandemia

    Sites voltados a relacionamentos extraconjugais viram o número de inscritos crescer na quarentena. Veja o novo modus operandi de quem gosta de 'olhar a grama do vizinho'

    Traição não parou durante quarentena, mostram números e relatos | Foto: Divulgação

    Manaus - Fato nesta pandemia é que a rotina de muita gente precisou mudar drasticamente. Mas um grupo específico de pessoas também enfrentou mudanças, embora essas sejam tão discretas quanto eles próprios. As pessoas que 'pulam a cerca' em seus relacionamentos precisaram se reinventar no ambiente virtual e até nas escapadinhas, afinal, o EM TEMPO apurou que elas continuaram a ocorrer. Confira tudo agora!

    Sexo virtual: a aba secreta

    Um exemplo de como mudaram os relacionamentos extraconjugais pode ser visto no site Ashley Madison, uma plataforma dos Estados Unidos que é voltada para sexo casual fora do casamento. O site viu seu a quantidade de usuários explodir em 19 mil novos usuários desde o início do isolamento social, em março, até o final de julho. O número foi considerado elevado pela empresa. 

    No Brasil, o site ganhou 4.226 inscritos de março a junho deste ano, também durante a quarentena, segundo o site de tecnologia TechTudo. Globalmente, a plataforma Ashley Madison tem 65 milhões de usuários. 

    Plataforma de traição
    Plataforma de traição | Foto: Divulgação

    Como mostrado acima, os 'puladores de cerca' têm mesmo é se abrigado no mundo virtual para manter suas buscas além do relacionamento. Outra plataforma conhecida no Brasil - essa já considerada clássica - é o bate-papo Uol. Entre as salas abertas a quem quiser entrar, não é difícil encontrar perfis com o nome 'casado' ou 'casada', todos à procura de sexo casual e sigiloso. 

    Programas (não os de televisão)

    Pessoas casadas continuaram a procura de sexo casual durante a quarentena, garante Samanta Ribeiro (nome fictício a pedido da fonte), uma profissional do sexo que atua em Manaus. Ela conta o que viu desde o início do isolamento social, já que não parou de atender seus clientes. 

    "No início da pandemia, realmente ficou mais difícil, mas agora melhorou 100%. Quanto aos casados, ainda são sim bem frequentes. Inclusive alguns parece que nos pagam só para ouvirmos eles falarem mal das esposas", comenta Samanta, e esboça um sorriso. 

    Ela trabalha em uma boate de Manaus e afirma que é comum a presença de homens e mulheres casados. E explica que sabem do relacionamento desses clientes porque eles mesmos acabam contando como desabafo.

    "Aumentou  sim a procura na pandemia e muito. Homem dá um jeito para  tudo  para mentir", afirma a profissional, e ri novamente.

    O que leva à traição?

    Para responder a essa pergunta complexa, o EM TEMPO entrevistou o psicólogo José Trintin Junior sobre os possíveis caminhos da discussão. 

    "Estudos mostram que homens e mulheres têm motivos diferentes para trair seus parceiros. Enquanto homens são mais infiéis em casos de falta de comunicação, estresse, disfunção sexual, falta de intimidade emocional e a fadiga, as mulheres, por sua vez, quando não há intimidade emocional, comunicação. Quando prepondera o cansaço físico e mental, e traumas ligados ao sexo. Por último, a falta de interesse sexual no parceiro afeta ambos os casos", afirma o especialista.

    Psicólogo comenta os relacionamentos extraconjugais
    Psicólogo comenta os relacionamentos extraconjugais | Foto: Divulgação

    Ele lembra como esses fenômenos podem ser potencializados na pandemia. Para o psicólogo, não há dúvida que o confinamento, por si só, afeta a vida sexual de qualquer um, casados ou solteiros.

    "Podemos afirmar categoricamente que estar confinado, com toda certeza afeta a mente e o comportamento em relação à atividade sexual. E isso se dá pelo aumento do cortisol, provocado pelo aumento do estresse, e consequentemente as alterações físicas e psíquicas, dentre elas, a possibilidade de ocorrência de ansiedade ou depressão e além do mais a diminuição do desejo sexual e da libido", explica o profissional.

    Danos para a pessoa traída

    O psicólogo  alerta ainda para a saúde mental da pessoa que sofreu a traição. Segundo ele, os danos são fortes e é preciso evitar que ocorra à sua maneira.

    "Um estudo recente dos Estados Unidos revelou que esposas vítimas de infidelidade apresentaram sintomas de estresse semelhante ao vivido por pessoas que passaram por transtorno de estresse pós-traumático. Ou seja, o sintoma é parecido com quem foi sequestrado ou sofreu uma grande perda", afirma José.

    Ainda assim, ele ressalta que as experiências são subjetivas. E explica que alguns casais superam bem após uma traição.

    "Um repensar sobre a sua relação pode ajudar, já outros casais têm grandes dificuldades em se recompor. O relacionamento se torna tóxico e muitas vezes não é possível voltar ao que era antes", comenta o especialista.

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