Fonte: OpenWeather

    Sexo


    Casamento sem sexo é uma das principais causas de infidelidade

    Um relatório do Ashley Madison descobriu que a falta de sexo é, muitas vezes, o principal determinante para os casos extraconjugais

     

    A prática tem se tornado mais comum, causando um dilema entre os envolvidos
    A prática tem se tornado mais comum, causando um dilema entre os envolvidos | Foto: Reprodução

    MANAUS - Qualquer relacionamento, principalmente os estáveis e de "longa data", costuma atravessar alguns períodos em que a atividade sexual é menos constante. Uma fase mais morninha — que para alguns é de "seca" total. A prática tem se tornado mais comum, causando um dilema entre os envolvidos, que precisam e apreciam o sexo, mas estão insatisfeitos com a relação.

    Nesse contexto, um relatório do Ashley Madison, o maior site de namoro para casados do mundo, descobriu que este é, muitas vezes, o principal determinante para os casos extraconjugais. Para entender as razões dessa motivação, a plataforma entrevistou mais de 2,8 mil membros de todo o mundo sobre a importância do sexo no casamento.

      Segundo os pesquisadores, muitos entrevistados contaram que um estímulo importante por trás da decisão de trair é uma vida sexual insatisfatória e isso abrange vários pontos: sexo desagradável, agradável, infrequente, repetitivo ou, até mesmo, nenhum sexo. Essa percepção, geralmente, leva à terceirização das necessidades sexuais.  

    Quais foram as descobertas?

    A pesquisa analisou questões relevantes, como necessidades sexuais e autodescobertas, e revelou os três principais achados sobre a influência que o sexo desempenha na felicidade e no crescimento pessoal. 

    - Falta de variedade 

    De acordo com os dados da pesquisa, 55% dos membros da plataforma dizem que seus cônjuges são resistentes em experimentar coisas novas na cama, 52% relatam que não há paixão, 50% dizem que não existe variedade e 50% que não têm frequência sexual. 

    Todos esses pontos são, para os entrevistados, parte integrante da realização sexual, mas tendem a desaparecer com o tempo: 34% disseram que não dormem com o parceiro ou parceira há pelo menos cinco anos; 30% de cinco a 10 anos e 19% há mais de 10 anos. Essa distância sexual é um dos principais fatores que levaram os membros à traição (30%).

    Quando perguntados o que gostariam que os cônjuges compreendessem sobre seus desejos sexuais, 36% disseram que queriam que o (a) parceiro (a) notasse a sua vontade de sexo com frequência; 28% que há necessidade de variedade sexual; 26% relataram que necessitam de mais atenção sobre os desejos para gostar de fazer sexo com o cônjuge e 10% disseram que dar ênfase sempre aos desejos do outro não é agradável.

    - Autodescoberta 

      Segundo os pesquisadores, o sexo extraconjugal pode ser uma porta de entrada para a descoberta do verdadeiro eu. Por exemplo: 24% dos membros entenderam por meio de seus casos que a sua libido estava mais alta do que imaginavam e 21% chegaram à conclusão que nunca deixaram de gostar de sexo, apenas de fazê-lo com seu cônjuge.  

    Além disso, 21% contaram que descobriram como gostam de aventuras sexuais enquanto 18% conheceram fantasias que não sabiam que tinham até encontrarem alguém que pudesse explorá-las. 

    O levantamento também revelou que a infidelidade pode, muitas vezes, introduzir novos comportamentos. Quando perguntados sobre quais hábitos sexuais haviam adotado desde que começaram a ter casos extraconjugais, 56% dos entrevistados disseram que experimentaram novas posições, 40% se aventuraram no sexting (envio de nudes) e 36% revelaram que exploraram o universo dos brinquedos sexuais. 

    Entre as repostas também surgiram a melhora na sedução/higiene (27%), explorar o sexo com vários parceiros (as) (25%), masturbação (22%), assistir pornografia (20%), fazer vídeos um do outro (17%), BDSM (16%) e fantasias com personagens (15%). 

    - O casamento não está perdido

    Para os pesquisadores, os casamentos podem se beneficiar da integração de parceiros externos. Apenas 10% dos membros da plataforma disseram que o sexo desagradável em casa é uma ligação direta com a decisão de trair. Isso quer dizer que o sexo conjugal ainda pode ser satisfatório, desde que atenda às necessidades das pessoas envolvidas. 

    Outra avaliação dos entrevistados foi de que a vida sexual com o parceiro ou parceira era "o melhor sexo que já tiveram" no início do relacionamento. Mas, com o passar do tempo, se tornou difícil encontrar essa satisfação em apenas uma pessoa. 

    Entretanto, muitos membros relataram que, apesar da ausência de contato físico dentro de casa, ainda fazem sexo com o cônjue todo mês (27%) ou até toda semana (26%). Além disso, 74% disseram ter casos extraconjugais de longo prazo. 

    Amizade e cumplicidade seguram a situação

    Não existe, segundo a psicóloga Adriana Severine, especialista em TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), um tempo limite para uma pessoa ou um casal ficar sem sexo, já que isso depende de vários fatores.

    "Há casais jovens que ficam quatro ou cinco anos sem sexo e mantêm o casamento, enquanto outros passam quatro meses sem transar e a relação desmorona. Sempre que falamos de relações humanas não se pode generalizar, pois cada indivíduo é único", diz ao Uol.

    Já Fernanda Silva, psicóloga e terapeuta sexual, destaca que o tempo que um casamento pode ou não durar sem sexo depende de como cada um lida com essa ausência.

    Quem sente mais vontade acaba se sentindo rejeitado. Amizade, cumplicidade, amor, sonhos em comum, jeitos de pensar semelhantes e confiança são aspectos mais importantes do que sexo para algumas pessoas e que podem manter um casamento assexuado.

    O que fazer?

    Hoje em dia é muito fácil encontrar especialista que ajude a tratar problemas de libido tanto para o homem quanto para a mulher. Ainda há terapeutas sexuais que ajudam o casal a restaurar a sintonia que tinham no começo do relacionamento.

    Apesar disso, a terapeuta sexual Holly Richmond salienta que o diálogo é o melhor caminho para resolver a situação. A dica: o casal deve tirar 15 minutos do dia para se desconectar do mundo externo – incluindo do celular – e sentar junto para conversar.

    "

    É importante abrir essa linha de comunicação novamente. Perguntar um ao outro como se sentem sobre a vida sexual. Isso vai dar muito mais resultados do que ficar apontando dedos "

    Holly Richmond, terapeuta sexual

     

    A especialista ainda destaca que casais que passaram muito tempo sem fazer essa ponte, devem primeiro restabelecer a conversa antes de tentar reintroduzir o sexo. “O erotismo da relação não está só no sexo. Ele está na conexão que um tem com o outro”.

    Leia Mais

    Confira dicas para resgatar a libido feminina

    Casal é flagrado fazendo sexo em praia publica; veja

    Comentários