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    Arco e flecha


    Arqueira indígena do AM é aposta do Brasil nos Jogos Pan-Americanos

    Graziela Paulino é a primeira mulher a fazer parte da Seleção brasileira de tiro com arco e participa este ano dos jogos em Lima, no Peru

    Graziela é indígena de uma comunidade no rio Cuieiras, no interior do Amazonas | Foto: Divulgação

    Manaus - A indígena Yaci Karapãna, conhecida também pelo nome Graziela Paulino, de 23 anos, é uma das grandes promessas de medalha para o tiro com arco. Atleta da Seleção brasileira da modalidade, a jovem se prepara para disputar os Jogos Pan-Americanos de 2019, que ocorrem de 26 de julho a 11 de agosto deste ano, em Lima, no Peru. "As expectativas estão boas, acredito que teremos um bom resultado por lá", diz a atleta. 

    Se tiver um bom desempenho durante o Pan, Grazi terá vaga garantida para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. A primeira prova dela está agendada para ocorrer dia 7 de agosto na categoria Recurvo do feminino adulto.

    Atualmente, Grazi treina em um dos centros da modalidade no país, em Maricá, município do Rio de Janeiro, que abriga a sede da Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO). Ela permanece na cidade treinando até o dia 30 de julho. No dia seguinte, junto com os companheiros de Seleção, segue para Lima.

    O bom desempenho da jovem atleta pode reder uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio
    O bom desempenho da jovem atleta pode reder uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio | Foto: Divulgação

    Graziela Paulino cresceu na aldeia Kuanã da etnia Karapãna, situada no rio Cuieiras, entre o Médio Solimões e do Alto rio Negro. Ela foi classificada em 1º lugar para o Pan-Americano de Lima no tiro com arco e também é a primeira mulher indígena a compor a equipe brasileira.

    A atleta se divide entre dias em Manaus e um período de treinos em Maricá. Ela conta que só volta para a comunidade para ver os pais, pois a vida de atleta exige intenso comprometimento. 

    Arquearia indígena

    A jovem começou a carreira no esporte aos 17 anos, por meio do Projeto Arquearia Indígena, da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), quando selecionaram 12 jovens do rio Cuieiras, sendo Graziela a única mulher. Oito foram morar em Manaus em 2014, mas apenas cinco atletas permaneceram na modalidade.

    A indígena tem 23 anos, mas sabe utilizar o arco e flecha desde criança
    A indígena tem 23 anos, mas sabe utilizar o arco e flecha desde criança | Foto: Divulgação/Funai

    Criado pela FAS em 2013, o projeto Arquearia Indígena tem por objetivo popularizar a arquearia e fortalecer a imagem e a autoestima das populações indígenas da Amazônia. A ação é uma iniciativa feita em parceria com o Banco Bradesco, a Federação Fatarco e conta com os apoios da Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel).

    "Eu comecei a praticar o arco e flecha por brincadeira com meu tio Joílson e com meus irmãos e meu pai. No Dia do Índio, lá na região, eles fazem jogos interculturais indígenas e sempre há bastante brincadeira. A gente fazia os arcos e flechas para ir representar nossa escola e nossa etnia. Durante a seleção para entrar no Tiro com Arco, eles escolheram 12 jovens do rio Cuieiras, e eu era a única mulher", lembra Graziela.

    Vitórias

    Graziela foi uma das atletas brasileiras a carregar a tocha olímpica nos Jogos Rio 2016
    Graziela foi uma das atletas brasileiras a carregar a tocha olímpica nos Jogos Rio 2016 | Foto: Arquivo Pessoal

    As vitórias mais expressivas da amazonense de 23 anos renderam as dez medalhas conquistadas desde 2014, só em campeonatos nacionais e mundiais. Na coleção estão dois ouros trazidos do Campeonato Sul Americano de 2018, na Bolívia, e a prata do Grand Prix do México, este ano. Além de classificada para o Pan, Graziela disputou o campeonato mundial na Holanda, no mês passado, e já se prepara para agarrar uma vaga para as olimpíadas de Tokio, em 2020. "Trago comigo minha família e meu povo no coração. Estou sempre dando o melhor de mim para representar meu Estado, o Brasil e o meu povo também", reforçou a jovem.

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