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    Reviravolta


    Atleta do AM fala sobre superação pessoal por meio do jogo de damas

    O atleta conquistou recentemente o terceiro lugar em uma competição nacional no nordeste

     

    O jogo proporciona novas perspectivas a jovens
    O jogo proporciona novas perspectivas a jovens | Foto: Reprodução

    Manaus - Superação e conquistas marcam a carreira do damista amazonense José Júlio Fábio Cavalcanti. O competidor representou o Estado em outubro no 44º Campeonato Brasileiro de Damas, na modalidade "64 Casas". O damista ficou em terceiro lugar no campeonato, que aconteceu no Salão do Hotel Reymar Express, na cidade de Maceió, em Alagoas, e contou com a presença de grandes atletas do Brasil, incluindo o manauense.

    O jogador de 41 anos prefere ser chamado de Fábio e conta que a paixão pelas damas surgiu casualmente por influência do pai, durante encontros nos fins de semana. “Quando era criança, frequentava a casa do meu pai apenas nos fins de semana, pois meus pais eram separados. Ele, então, recebia os amigos na sala e eu acompanhava as partidas", lembra.

    As damas são um esporte que fazem parte da categoria de jogos intelectuais, pois estimulam o pensamento lógico matemático e suscitam o desenvolvimento criativo. Tais itens aguçaram a curiosidade do jovem atleta. “Eu observava a concentração dele e notei que a Dama não se tratava apenas de mover as peças, e sim exercitar a inteligência. Dessa forma, percebi a beleza do jogo por meio da criatividade, calculo e raciocínio“, destaca.

    O jogador, hoje com 41 anos, diz que foi influenciado pelo pai ainda na infância
    O jogador, hoje com 41 anos, diz que foi influenciado pelo pai ainda na infância | Foto: Reprodução

    Superação

    Para uma criança perceber as combinações do jogo de damas pode ser um pouco difícil no início, fator que levou Cavalcante a treinar arduamente. “Os adultos não me deixavam jogar com eles, pois me consideravam fraco. Quando fiz 14 anos, isso me motivou a treinar todos os dias e, quando tive a oportunidade, mostrei que estava preparado e jogava em pé, de igual para igual”, recorda.

    A frustração das derrotas iniciais não impediu o atleta de buscar seus objetivos e, após vencer os amigos do pai, mostrou aos familiares que poderia ir além. “Meu pai também gostava do esporte desde criança e percebeu meu potencial, me apoiando sempre. A minha mãe também não foi diferente, pois sabia que se tratava de um jogo de inteligência, que não teria nenhum tipo de prejuízo”.

    Conquistas iniciais

    A primeira disputa oficial de José aconteceu em 1997 e, na ocasião, não obteve uma boa colocação. Já no ano seguinte, o jovem ficou entre os dez melhores. A consagração do primeiro título de campeão ocorreu no ano de 1999, durante o Campeonato Amazonense de Damas.

    A progressão das vitórias só ocorreu graças ao treino desempenhado por José, que visualizava as possibilidades de movimento no tabuleiro durante várias horas por dia. A imaginação ajudava o jogador a observar a importância dos movimentos improváveis durante os jogos. “As partidas pareciam ganhas, mas um movimento errado poderia mudar tudo, possibilitando capturar quatro ou cinco pedras do oponente de uma vez só”, explica.

    A dama é um esporte que faz parte da categoria de jogos intelectuais, pois estimulam o pensamento lógico matemático e suscitam o desenvolvimento criativo
    A dama é um esporte que faz parte da categoria de jogos intelectuais, pois estimulam o pensamento lógico matemático e suscitam o desenvolvimento criativo | Foto: Leonardo Mota

     Orgulho

    “Ao jogar damas, eu calculo e ocupo a mente. Esse foco me permite pensar no maior número possível de jogadas que meu adversário pode fazer. Essa concentração aumentava quando comecei a ganhar competições locais que participava, chegava em casa com troféus e medalhas e via o olhar orgulhoso da minha mãe e a satisfação por ter me apoiado”, afirma José, enfatizando sobre a transformação no bom humor que o tornaram uma pessoa mais calma e, ao mesmo tempo, trouxe tranquilidade e orgulho à mãe.

    Fábio conta que o esporte o ajudou no desenvolvimento social
    Fábio conta que o esporte o ajudou no desenvolvimento social | Foto: Reprodução

    Alternativa

    Para Fábio, o jogo se torna muito mais que uma distração. Com isso, possibilita alternativas e novas perspectivas a jovens que, assim como ele, encontraram no esporte uma maneira de se conhecer melhor e desenvolver habilidades, além de superar possíveis traumas, como a separação dos pais, situação vivida pelo atleta durante a infância.

    “Analisar os lances do adversário é prazeroso, pois você pode superar as expectativas dele e as suas na próxima jogada. Acreditar na vitória é fundamental, pois só por meio do autocontrole você conhece seus limites e pode refletir com calma, para sair de uma situação de pressão”, finaliza.


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