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    Alerta


    Em tempos de H1N1, movimento antivacina existe e acende alerta no AM

    Somente este ano, o Amazonas já registrou nove mortes em função do vírus H1N1. Os pais que decidem não vacinar os filhos correm o risco de ser multados ou processados por negligência e maus tratos

    O Amazonas já registrou nove mortes em função do vírus H1N1 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Manaus - Mesmo com surtos de doenças como o Sarampo e, atualmente, o H1N1 ou Infuenza A, vários amazonenses deixam de tomar vacinas essenciais, o que agrava o risco de morte no Estado. Somente este ano, o Amazonas já registrou nove mortes em função do vírus H1N1.

    Conforme o Boletim Epidemiológico de Vigilância de Síndrome Gripal, até o momento, foram registrados 127 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), dos quais 27 foram positivos para Influenza A (H1N1) em jovens e adultos. São nove óbitos e outros 18 casos positivos para Vírus Sincicial Respiratório (VRS). Em crianças menores de dois anos já há uma morte confirmada.

    Movimento antivacina

    Em 2018, somente 82,7% dos amazonenses foram vacinados contra a H1N1. A meta era vacinar 1 milhão de pessoas. Para uns, incredulidade e indignação, para outros, questão de liberdade e decisão individual e particular. Entre os extremos, inúmeros argumentos e questões sobre a gravidade da queda de cobertura vacinal entre os brasileiros.

    A realidade dos que não se vacinam, mesmo em períodos epidêmicos, é registrada entre as populações adulta, idosa e até crianças e adolescentes do Amazonas.

    A dona de Casa Tuane Cristina, de 37 anos, moradora do município de Iranduba, conta que prefere não levar os filhos para se vacinarem.

    "Isso é uma questão cultural da nossa família. Muitas das vezes, o efeito colateral prejudica muito as crianças. Não sou contra, mas prefiro não vacinar", conta. 

    A mulher acrescenta que tomou essa decisão após a primeira filha ter uma reação alérgica  a uma vacina contra gripe. "Ela ficou toda inchada, com manchas vermelhas pelo corpo. Desde então, não a levei mais para tomar vacina". 

    Vale lembrar que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que protege o direito à vida e à saúde de crianças e adolescentes, estabelece que "é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias". Os pais que decidem não vacinar os filhos correm o risco de ser multados ou processados por negligência e maus tratos.

    Falta de informação?

    Alguns não se vacinam devido a falta de informação. O estudante de administração João Bernardo Castilho pensou que a vacinação era destinada apenas para um público específico.

    “Não é só para quem tem doenças crônicas ou que esteja em quadro clínico frágil? Eu ouvi dizer que era isso”.

    Já a vendedora de cosméticos, Maria Rosa, disse que depois que perdeu a carteirinha de vacinação, nunca mais procurou tirar uma nova.

    Prevenção

    A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e a Prefeitura de Manaus afirmaram que a principal medida de prevenção da doença é a aplicação da vacina, que ainda não tem no Amazonas. Os órgãos informaram que a chegada da imunização no Estado está prevista para abril deste ano.

    Segundo a  Rosemary Costa, epidemiologista a Fundação de Vigilância em Saúde do Estado do Amazonas (FVS), o monitoramento sistemático de circulação de vírus é feito durante o ano todo.

    “Temos percebido o número de vírus gripais a partir do final de janeiro, e o aumento de demanda na rede é de 50% de pacientes com síndromes gripais, 127 deles já evoluíram para síndrome respiratória aguda grave.”

    De acordo a epidemiologista, a forma mais fácil de transmitir o vírus é através do contato com secreções do vírus. 

    “Ao tossir, se a pessoa põe a mão na boca, depois ela vai tocar em outros lugares e contaminar onde ela tocou. O vírus pode ficar 'vivo' até 8 horas em um ambiente e isso pode fazer uma pessoa, que pegou nesse local contaminado, se contaminar também”. A especialista faz um alerta sobre a higiene.

    “É fundamental que nós tenhamos bons hábitos de higiene, lavagem frequente das mãos, o uso de álcool gel, evitar aglomerados, evitar tossir ou espirrar nas mãos”, alerta.

    Risco elevado

    Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Estado do Amazonas (FVS-AM), o vírus H1N1 está circulando no Amazonas, o que levou a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) a reforçar as unidades com 49 mil capsulas de antiviral, além de definir os protocolos clínicos e manejos dos casos.

    “Eu quero chamar atenção das mães, principalmente, aquelas que têm filhos muito pequenos. Isso porque esses bebês são mais expostos ao vírus sincicial respiratório, que evoluem com mais gravidade", alerta a diretora-presidente da Fundo Vigilância em Saúde no Amazonas, Rosemary Costa Pinto.

    O secretário municipal de saúde, Marcelo Magaldi, conta que já acionou toda a base para dar o suporte na campanha de vacinação.

    “Ao tomarmos conhecimentos sobre esses vírus, nós resolvemos montar 23 bases para vacinação.

    Cuidados

    A orientação dos especialistas da saúde para prevenir ser vítima do vírus é que as pessoas devem tossir sobre o antebraço e sempre lavar as mãos ou passar álcool em gel.

    “É muito fácil não pegarmos gripe , isso se nós tomarmos cuidados com as nossas mãos. A forma mais fácil de transmitir o vírus é através do contato com as secreções”, enfatiza  Rosemary Costa Pinto.

    Edição: Bruna Souza

    Veja a reportagem da TV Em Tempo:

    Veja a reportagem | Autor: TV Em Tempo

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