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    Saúde


    TDAH: veja histórias de famílias do AM que convivem com o transtorno

    Doença crônica inclui dificuldade de atenção, hiperatividade e impulsividade, sintomas que geralmente são confundidos com mau comportamento

    Até 5% das crianças no mundo têm TDAH | Foto: Divulgação

    Manaus - O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ainda é uma doença que causa grande exclusão social. No Brasil são cerca de 2 milhões de pessoas que vivem com esta doença. Em geral, o TDAH começa na infância e pode persistir na vida adulta.

    A doença pode facilmente ser confundida com mau comportamento, gerando baixa autoestima, relacionamentos problemáticos e dificuldades na escola ou trabalho. Neste 13 de julho, Dia do TDAH, vamos contar histórias de algumas pessoas que sofrem com a doença. 

    Flávia Fernanda, conhece bem as dificuldades de uma pessoa com TDAH. Ela é mãe da Sara Fernanda, de 13 anos. Depois de anos de muitas dificuldades, recebeu a pouco menos de dois meses o diagnóstico da filha. 

    Flávia conta que não conseguia entender a filha. As atitudes eram sempre confundidas com mau comportamento, fazendo com que a mãe ouvisse coisas como "isso é coisa de criança", "isso é birra ", "dá uma surra que passa".  

    A doença é confundida com mau comportamento
    A doença é confundida com mau comportamento | Foto: Divulgação

    A situação chegou ao limite quando a própria Sara fez um pedido de socorro. Certo dia, menina foi deixada pela condução em frente à escola, mas não chegou a entrar.

    Horas se passaram e a adolescente se atrasou para pegar a condução de volta para casa. Todos procuraram intensamente por ela, até que a escola informou que ela havia sido encontrada e que estava bem. 

    "Naquele dia, ela disse que foi dar uma volta, espairecer, porque a cabeça dela funcionava direto e ela não conseguia pensar", conta a mãe. "Ela colocava as mãos na cabeça, absolutamente transtornada. Foi quando eu vi que ela pedia socorro. Fiquei com medo de que ela fizesse algo consigo mesma ou contra alguém", compartilha.

    Hoje, Sara faz tratamento com neurofeedback e apresenta melhoras significativas. A mãe conta que percebe que a filha pensa mais antes de falar e que até conseguiu ler dois livros de 300 páginas em quatro dias, entendendo toda a história.

    São avanços imensuráveis para quem sofreu muito com a impulsividade da filha e com os problemas escolares que fizeram com que ela perdessem uma bolsa de estudos. 

    Especialista explica as características do TDAH
    Especialista explica as características do TDAH | Foto: Divulgação

    Outra mãe que conhece bem esta luta é a publicitária Luna Abecassis. Ela tem uma filha de 10 anos, há dois diagnosticada com TDAH. As características da patologia começaram a aparecer na escola.

    Ela conta que a filha não acompanhava as aulas, era dispersa, não conseguia ficar longos períodos sentada, tinha dificuldades na escrita e não atendia comandos.

    Foi uma longa caminhada entre medicamentos, terapias multidisciplinares e esportes, até conseguir o diagnóstico. "Hoje ela está bem melhor, já está conseguindo ler e escrever, mas não é fácil", diz Luna. 

    Segundo Luna, na rede pública não é fácil ter acesso ao atendimento médico, medicamentos e terapias que são fundamentais para o tratamento. Por conta dessas dificuldades, chegou ao grupo TDAH Mundo de Mãe, onde conheceu outras mães com o mesmo problema. 

    Especialista 

    A neuropsicóloga, Conceição Barbosa, explica que a doença é de prevalência escolar. Na maioria dos casos, é na escola que a patologia é identificada, com diagnóstico a partir dos 6-7 anos, por conta das funções cognitivas da criança.

     O diferencial do TDAH para outras patologias de neurodesenvolvimento é a memória intacta.  "Eles são muito inteligentes, compreendem muito rápido, porém, são impulsivos, inquietos, não conseguem ficar parados", explica a psicóloga.

    Essas crianças são caracterizadas e rotuladas  como aquelas que bagunçam, por conta da irritabilidade e agressividade características da doenças.

    Conceição Barbosa, Neuropsicologa
    Conceição Barbosa, Neuropsicologa | Foto: Divulgação

    O portador do TDAH consegue viver normalmente na vida adulta, porém, quando não diagnosticado pode ter sérios problemas de relacionamento e até mesmo uma evolução para a bipolaridade.

    A doença pode ser tratada com medicamentos e através de uma nova tecnologia chamada neurofeedback, que regula a atividade cerebral por meio de eletrodos.

    Veja alguns sinais de alerta:

     - Dificuldade em brincar silenciosamente;

    - Inquietação;

     - Desorganização;

     - Não completar tarefas.

    Como ajudar a criança com TDAH?

    Além do tratamento com especialista, os pais podem estimular os filhos com brincadeiras e jogos infantis lúdicos, que exigem concentração e atenção, como quebra-cabeça, brincar de estátua, jogos da memória, jogos de tabuleiro, "seu mestre mandou", "morto-vivo" etc.

    Essas brincadeiras devem ser incorporadas à rotina da família e praticadas diariamente. Com isso, de forma divertida, os pais ajudam seus filhos a segurar os impulsos - aguardando até que uma ordem seja completada, ou parando subitamente o que estão fazendo; a prestar atenção - guardando e manipulando informações; e a controlar a inquietação motora - desenvolvendo o autocontrole.

     A união faz a força

    Neste sábado (13), as mães irão unir forças no Largo de São Sebastião, às 16h, para uma ação do Dia Mundial de Conscientização pelo TDAH, organizado pela Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), núcleo Manaus.

    "Estamos em busca de melhorias para essas crianças que tanto precisam. Além dessas dificuldades que relatei, elas sofrem bullying na escola e fora dela. Temos que conscientizar a sociedade que as diferenças existem e precisamos respeitar", relata Luna, que participará do manifesto. 

    O grupo pretende expor as dificuldades e pedir leis que amparem a pessoa com TDAH. Especialmente na educação, uma vez que os professores não estão preparados para lidar com a patologia.  

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