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    Saúde Mental


    Suicídio: por que devemos falar sobre o assunto?

    Essa é uma das principais causas de morte no mundo inteiro (são mais de 800 mil por ano). No Brasil, os jovens estão entre os que mais tiram a própria vida

    De acordo com a OMS,  a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio
    De acordo com a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Mesmo com os avanços na discussão sobre saúde mental, falar sobre o suicídio ainda é um tabu para muitas pessoas. De acordo com o último ' 

    Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde', divulgado em 2017 pelo Ministério da Saúde, o Brasil apresenta um nível médio de taxa de mortalidade por suicídio entre 5 e 15 casos para cada 100 mil habitantes, sendo o risco no sexo masculino aproximadamente quatro vezes maior que o feminino. Ainda segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio em algum lugar do mundo e mais de 800 mil pessoas se matam todos os anos. O suicídio foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo no ano de 2016. Não podemos ignorar dados tão alarmantes. 

    A psicóloga Naradja Varela, 34, atua desde 2016 na área e já foi presidente do Núcleo de Apoio à Vida Manaus (Navima), no período de 2018 até o primeiro trimestre de 2019. Ela explica que precisamos abordar o tema com responsabilidade, pois com o advento da internet, as pessoas têm a facilidade de acessar a rede, sites e jornais. Qualquer informação errada pode acarretar em um efeito diferente do esperado. 

    "A população precisa de  orientações que abarquem a saúde mental, a prevenção ao suicídio faz parte desse contexto. Elas também precisam saber que pessoas potencialmente suicidas podem ser acolhidas e ter acesso ao tratamento adequado", explica Naradja. 

    Informações sobre suicídio devem ser transmitidas com responsabilidade.
    Informações sobre suicídio devem ser transmitidas com responsabilidade. | Foto: Pixabay

    Afinal, como identificar alguém com tendências suicidas?

    Naradja explica que as pessoas com idealização suicida podem evoluir para uma fase de planejamento, elevando o risco de suicídio. Portanto, assim que a família perceber alguma alteração comportamental, alguma fala sobre morte ou a pessoa expôs de forma clara e objetiva que deseja morrer, o indicado é prestar apoio emocional e buscar ajuda de profissionais da saúde mental (psicólogos e psiquiatras).

    Família

    As famílias de pessoas com transtornos mentais também necessitam de acolhimento, principalmente aquelas em que o familiar é diagnosticado com um tratamento mental grave ou severo. Essas pessoas, muitas vezes, sofrem por não compreender que aquele transtorno é altamente limitante, fazendo com que o ente querido tenha a funcionalidade alterada, autocuidado e até mesmo mude a percepção que tem sobre si e sobre o mundo externo. 

    Grupos de risco

    Pedir ajuda é a melhor forma de lidar com o sofrimento.
    Pedir ajuda é a melhor forma de lidar com o sofrimento. | Foto: Pixabay

    Ainda de acordo com o perfil epidemiológico do Ministério da Saúde, no grupo de risco masculino, as maiores taxas foram observadas na população idosa a partir de 70 anos; em pessoas com baixa escolaridade; solteiros (as), viúvos (as) ou divorciados (as).

    Outro grupo que se destacou foi o risco de óbito por suicídio na população indígena, por superar em mais de duas vezes o risco na população branca e pela alta proporção observada entre os adolescentes. 

    As lesões autoprovocadas e tentativas de suicídio são fenômenos complexos e têm muitas causas,  possuem como determinantes os fatores sociais, econômicos, culturais, biológicos e a história de vida pessoal. A maioria dos estudos menciona as doenças graves e degenerativas, a dependência física, distúrbios e, principalmente, a depressão severa, como fatores desencadeadores do fenômeno. 

    13 Reasons Why

    Em 2017, a série '13 Reasons Why' se propôs a abordar o tema para o grande público, na Netflix. A série conta a história de Hannah Baker, uma estudante que se mata após uma série de falhas culminantes, provocadas por indivíduos selecionados dentro de sua escola. Uma caixa de fitas cassetes gravadas por Hannah antes de se suicidar relata treze motivos pelas quais ela tirou sua própria vida.

    "A série, num primeiro momento, teve um efeito rebote. Principalmente por colocarem a personagem Hannah como uma pessoa vingativa. Hoje em dia, essa visão, de que o suicídio seja um ato vingativo não é mais aceita por grande parte da comunidade científica", detalha a psicóloga. 

    Série gerou polêmica entre público e especialistas.
    Série gerou polêmica entre público e especialistas. | Foto: Divulgação

    Nas demais temporadas, diversos temas foram abordados, em que a imagem da Hannah surgia como uma visão que orientava o amigo Clay. "No meu entendimento, a proposta principal da série não foi bem explorada, trazendo alguns gatilhos. Por tal motivo, os produtores adicionam informações sobre onde e como a pessoa pode buscar ajuda" afirma Naradja.

    Peça ajuda!

    A forma correta de proceder diante de pensamentos suicidas é pedir ajuda. Por meio do telefone gratuito 188, você pode falar com o Centro de Valorização da Vida, que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Acesse: www.cvv.org.br.

    A população também conta com 24 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) no  Estado e nas Unidades Básicas de Saúde mais próxima da residência; Corpo De Bombeiros (193), e Samu (192), para casos de emergência. 

    Para saber mais sobre o Setembro Amarelo, confira a programação estadual e municipal sobre o tema.

    Saúde mental para quem não tem condições de pagar em Manaus

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