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    Especial Parintins


    História parintinense: a casa de 120 anos das 'irmãs Maranhão'

    Conheça a casa que resiste ao tempo e a evolução da cidade dos bois

    Bruna Oliveira
     

    Parintins - Todos os lados da cidade carregam histórias da ilha da magia e dos antigos moradores que contribuíram com o desenvolvimento da cidade. Conheça a história e a casa centenária da família através dos relatos da anfitriã, neta das irmãs Maranhão (Beatriz, Dulce e Corina).

    120 anos de história em família

    Bruna Oliveira
     

    Maria Lúcia Maranhão Nina Viana, o nome é longo e carrega história da cidade de Parintins. Ela explica que pela lei antiga precisava tirar o nome Maranhão da mãe, mas o pai faleceu quando Maria tinha nove anos. Para preservar o nome forte da família decidiu que não seria tirado do documento.

    A história da família Maranhão começa com o casamento proibido de irmãos. Os avós de Maria Lúcia foram deserdados após decidirem formar família. O lugar decidido para viverem foi o Amazonas, respectivamente na cidade de Parintins. 

    Lúcia conta que os avós foram grandes amigos de 'JG Araújo', família com grande influência econômica no estado e donos da Vila Amazônica. As irmãs Maranhão eram Beatriz, Dulce e Corina que mantiveram a casa com o modelo original.

    A casa centenária

    Toda original desde a estrutura, paredes, telhas e móveis, o modelo colonial de casa dos barões antigos é mantida com muito esforço pela neta da família Maranhão. 

    Bruna Oliveira
     

    "Minha mãe nasceu aqui nesta casa e morreu com 86 anos. Eu fui a única filha que não nasceu aqui dentro da casa, nasci antes do tempo", relembra Maria Lúcia, hoje com 93 anos.

    A casa centenária é uma viagem no tempo, com 120 anos é a próxima aos bancos e do porto da cidade. É impossível não notar sua arquitetura fora dos padrões do século 21. As janelas grandes, responsáveis pela ventilação e iluminação da casa deixam os pedestres curiosos com o que tem dentro do lugar.

    Bruna Oliveira
     

    Religiosa, Maria Lúcia mantém o santuário dos avós na sala e contabiliza 50 anos de uso em orações e preces. 

    Bruna Oliveira
     

    Uma casa sem privacidade, modelo antigo que interliga todos os quartos. Lado a lado, todos têm acesso por uma porta que fica no meio do cômodo. O estilo é antigo, a casa é aberta e é possível ter acesso a todos os cômodos sem as paredes e portas das casas que conhecemos atualmente.

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    A casa tem porão, seguindo o modelo tradicional, antigamente guardavam os tesouros da família, mas precisou ser fechado pelo risco de furtos.

    Bruna Oliveira
     

    Durante anos, as irmãs de Maria deram aulas de reforço e história dentro da residência, o que tornou uma casa de alfabetização "Casinha feliz". 

    As louças de porcelana são mantidas com todo o cuidado. Dona Maria Lúcia diz que a avó era colecionadora e fazia questão de usá-las com as visitas na casa, o que contabiliza mais de 50 anos de uso.

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    "Minha avó gostava de receber as pessoas em casa, principalmente para os chás. Era costume ter várias mulheres juntas para conversar, a casa ficava cheia. Lembro que ela e as irmãs eram bem conhecidas pelo bom gosto e por se reunirem com as outras mulheres que moravam na ilha", relembrou emocionada.

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    A bicicleta antiga chama a nossa atenção, encostada em um dos quartos, está há anos sem ser utilizada. Maria conta que já tentou reformar a bicicleta para a neta usar, mas enquanto ela não chega em Parintins prefere mantê-la guardada.

    Bruna Oliveira

    "Essa eu não vendo e nem dou. Já tentaram comprá-la de mim, mas é uma das coisas mais antigas que temos dentro da casa. Não dá para se desfazer, é algo que não se vê em todo o lugar", comentou a anfitriã.

    Bruna Oliveira
     

    O piso mantido pela família é original, datado no século 19 para início do século 20, a moradora conta que tem várias medidas para o cuidado do lugar e ressalta nunca ter trocado as madeiras do piso.

    "Dá muito trabalho para manter, desde a lavagem certa até o tipo de cera. Outra coisa que digo a vocês é que não tenho problemas com cupins, baratas ou ratos. A casa é antiga mas mantemos conservada", diz. 

    Furtos na casa histórica 

    Maria Lúcia não mora mais na casa, embora esse fosse o desejo mais forte. Ela se desdobra entre viver em Manaus e sempre que puder, resolver os assuntos da casa por telefone.

    Mas conta que precisou colocar grades nas janelas devido aos furtos na centenária. "Levaram meu faqueiro de 50 anos, precisei colocar grades nas janelas, porque caso contrário iam levar tudo", explica.

    Entre os objetos roubados estão redes e tampas dos fogões antigos.

    Bruna Oliveira
     

    Com alegria, Maria conta sobre a disposição para cuidar do patrimônio da família apesar da idade. "Meus 93 anos pesam. É preciso ter muita fé em Deus e aceitar tudo o que Ele nos dá. Se for coisa ruim, tudo bem. Se for coisa boa, melhor ainda." Confessa Maria Maranhão, como gosta de ser chamada.

    Bruna Oliveira
     

    O turismólogo Carlos Júnior conta que sempre teve vontade de conhecer a casa das irmãs Maranhão, mesmo sendo morador de Parintins não teve a experiência. 

    Bruna Oliveira
     

    "A casa sempre me chamou a atenção. Toda vez que vinha ao banco eu olhava e nem sempre estava aberta. Meu sonho era entrar e conhecer o modelo original das casas antigas", conta.

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