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    Manaus


    Maior centro da Amazônia, Manaus assume protagonismo internacional

    Davi Lago diz que isso acontece por Manaus ser o mais importante centro urbano da Amazônia

    Manaus é uma das cidades mais estratégicas do Brasil
    Manaus é uma das cidades mais estratégicas do Brasil | Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

    Manaus é uma das cidades mais estratégicas do Brasil. A capital amazonense cresceu muito em termos populacionais: hoje tem cerca de 2,2 milhões de habitantes. Além disso, a cidade assume crescente protagonismo internacional por ser o mais importante centro urbano da Amazônia.  

    Todos os temas da agenda ambiental do mundo passam por Manaus. Em números brutos, a economia de Manaus está entre as mais fortes do país: é o oitavo maior produto interno bruto (PIB) municipal conforme dados do IBGE divulgados em 2019. Manaus é o terceiro município mais industrializado do Brasil. Contudo, a cidade apresentou em 2020 a taxa mais alta de desemprego entre as capitais. Ainda há muita desigualdade e exclusão. 

    Coexistem hoje em Manaus diversas gerações. As mais velhas carregam memórias vívidas do redesenho político da região com o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus. As mais novas procuram ansiosas espaços de trabalho e meios de gerar renda. No meio-termo está a geração da reabertura democrática brasileira. 

    As diferentes idades e experiências convivem, se entrelaçam e detém as chaves do progresso manauara. O escritor Victor Hugo disse que “um dos privilégios da velhice é ter, dentro da sua idade, todas a. idades". Aos 351 anos, Manaus tem desafios cada vez mais complexos. Ouvidos indiferentes não contribuem em nada na composição de saídas práticas para problemas contemporâneos. 

    Ouvir implica em fazer silêncio e estar atento ao outro, ouvir suas propostas, compreender seu ponto de vista, suas demandas. Aliás, o ouvido humano, em termos anatômicos, é um sistema magnífico: contém 24 mil fibras, que vibram a cada som, sendo capaz de discernir cerca de 400 mil sons distintos. Agora, de que adianta o potencial do ouvido em termos anatômicos,  se não há disposição em ouvir o coração e o anseio do outro, ou seja, se não há ouvidos cívicos. A capacidade de ouvir e a troca intergeracional de ideias são urgentes e necessárias, sobretudo neste período conturbado. 

    O problema de Manaus, assim como do Brasil em geral, não é falta de recursos ou possibilidades. O grande problema de nossa sociedade é de criar consensos mínimos com seriedade, de organizar melhor nossos potenciais. O sociólogo e professor da USP Glauco Arbix, por exemplo, afirma que o Brasil é uma potência agrícola, energética e ambiental, com a força da biodiversidade presente na Amazônia e espalhada por seus diferentes biomas. 

    Contudo, este tripé para o futuro – agropecuária, energia e biodiversidade – precisa de uma articulação de políticas inteligentes, de organização elementar. A mesma lógica vale para as cidades altamente estratégicas como Manaus. A visão da cidade antecipa seu futuro. 

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