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    Blog da Tatiana Sobreira


    Amazonas realiza o maior casamento indígena do mundo

    Até a próxima quinta-feira, 806 uniões serão celebradas em quatro cerimônias organizadas pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), a Prefeitura de Benjamin Constant e o Governo do Amazonas

    Tatiana Sobreira na Comunidade Filadélfia, em Benjamin Constant
    Tatiana Sobreira na Comunidade Filadélfia, em Benjamin Constant | Foto: Bryan Rilker

    Ao pousarmos em Tabatinga, no dia 09 de fevereiro de 2020, junto de uma equipe de jornalistas, autoridades e funcionários do governo, rumamos para Letícia, cidade  localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, local onde turistas que visitam a região compram produtos importados de todo o mundo.

    Após almoçarmos uma mistura de batatas com carnes e uma porção de arroz, cada um pagou em torno de R$ 16 por porção, dividida para três pessoas. 

    Estávamos em mais de 30 profissionais para auxiliar na cobertura do "maior casamento indígena do mundo". Retornamos à Tabatinga e nos preparamos para zarpar, de lancha, para Benjamin Constant. O horário combinado era às 6h, no ponto de encontro, o porto da cidade. 

    Até a próxima quinta-feira (13), 806 uniões serão celebradas em quatro cerimônias organizadas pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), a Prefeitura de Benjamin Constant e o Governo do Estado. 

    Equipe do Governo do Amazonas na Comunidade Filadélfia, em Benjamin Constant
    Equipe do Governo do Amazonas na Comunidade Filadélfia, em Benjamin Constant | Foto: Sejusc

    Antes de partir, ainda aguardamos, sentados em uma lancha, uns 40 minutos no porto de Tabatinga.  A lancha apresentou problemas no motor de partida e não saíamos do lugar, mas, após inúmeras tentativas, conseguimos  chegar a Benjamin Constant, debaixo de chuva.

    Durante o jantar, cansados, fomos orientados a dormir cedo, pois no dia seguinte haveria uma extensa programação e, assim fizemos, bem cedo arregaçamos as mangas.

     Após o café da manhã, às 8h30, já estávamos no Porto da cidade para visitar a primeira comunidade cadastrada, Filadélfia. Indígenas que moram no local são alguns dos que irão participar da cerimônia do maior casamento coletivo indígena  já registrado.

    A Comunidade Filadélfia abriga mais de 1200 indígenas de várias etnias, entre elas, Kokama, Tuyuka e Tariano.

    A região, onde estão situados o município de Benjamin Constant, Atalaia do Norte e Tabatinga, possui mais de 16 mil indígenas cadastrados pela Funai, segundo Marco Targino, representante do órgão. Ele também irá se casar com uma indígena da etnia Tukano e nos contou como esse sonho dos indígenas começou. Segundo ele, a ideia do casamento coletivo surgiu, porque alguns indígenas fizeram o pedido para a realização da cerimônia, no prédio da Funai em Benjamin Constant. 

    Esse desejo por parte deles existe há mais de 3 anos, quando indígenas tentaram  se casar e o cartório local estaria cobrando o equivalente a R$300 de cada casal, para poder oficializar a união. “Quando fiquei sabendo do fato, em 2019, procurei o Defensor Geral, Rafael Barbosa, que prontamente começou a nos ajudar. A quantidade de indígenas querendo oficializar a união foi aumentando e hoje já catalogamos mais de 800 casais. Tornou-se um ideal de todos ter seus direitos e deveres respeitados”, ressaltou Targino.  

    Do contato com a Defensoria Pública do Estado do Amazonas, vieram ações. A parceria foi interligada com atuação do Governo do Estado do Amazonas, por meio da Sejusc, Tribunal de Justiça e firmou-se um acordo. Todos juntos poderiam trabalhar na realização do casamento coletivo.

    Segundo nos informou a secretária da Sejusc/AM, Caroline Braz, por meio da sua equipe, também será realizado um cadastro coletivo para emissões de documentos para os integrantes da comunidade. “Emissões de RG, CPF, entre outros documentos, serão ofertados por meio do Pac itinerante, durante os quatro dias das cerimônias, uma força tarefa do bem para quem espera uma ação efetiva do poder público, há anos", disse ao Blog.

    Segundo a própria defensora, o casamento representa um dos maiores atos de civismo para quem mora nessas comunidades indígenas. Um sentido de pertencimento, por meio de ações integradas e gratuitas para todas as etnias, espalhadas pelos municípios de Benjamin Constant.

    Nas nossas visitas, conhecemos um casal em que o noivo, Nicanor Tamaia, tem 101 anos. A participação dele no casamento é motivo de alegria para todos que estarão presentes nas cerimônias. Ele tem dois netos que também estarão se casando junto com ele.

    Amanhã (11), a programação continua com o primeiro casamento coletivo e relatarei os acontecimentos para quem acompanha as nossas aventuras aqui no blog do Portal EM TEMPO. Infelizmente, a telefonia celular, para as transmissões de dados, é precária nessa região. Por isso não conseguimos fazer transmissões pelas redes sociais do alto Solimões.

    Eu e meu amigo cinegrafista, Brayan Riker, manteremos vocês informados das nossas viagens pela Amazônia e sobre essa jornada ribeirinha por esse território indígena.

    Afinal, qual a nossa verdadeira identidade, se somos todos amazônidas?

    * Tatiana Sobreira é jornalista, apresentadora da TV WEB EM TEMPO.

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