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    BLOG DA CRISTINA MONTE


    Quando a tecnologia falha na contratação

    Casar o perfil do candidato às exigências da vaga e alinhar o contratado à cultura organizacional é um trabalho e tanto

    Cristina Monte
    Cristina Monte | Foto: Divulgação

    Processo seletivo é um negócio que demanda tempo, dinheiro e esforços, mas - apesar disso tudo - nem sempre o resultado se traduz na melhor contratação. Não é uma fórmula matemática! Casar o perfil do candidato às exigências da vaga e alinhar o contratado à cultura organizacional é um trabalho e tanto.

    Porém, começa a tomar corpo uma estratégia que pode ajudar muito na hora do processo seletivo e é chamado de recrutamento preditivo. Mas será que a tecnologia pode mesmo facilitar ou resolver esse tipo de situação?

    Tecnoglobo

    A tecnologia veio pra ficar e está mudando o mundo. Uma verdadeira ruptura está em curso e dia após dia vamos nos dando conta dessas transformações, que refletem no nosso comportamento, seja no modo como compramos, pagamos, lemos e interagimos com os outros, ou seja como interagimos com as máquinas e por aí vai.

    No caso de processo de seleção a tecnologia da informação pode, por meio de Big Data (grande conjunto de dados), ser utilizada para automatizar a seleção de currículos, que é um baita trabalho pros selecionadores. Com alguns filtros estabelecidos é possível se chegar aos melhores profissionais, será mesmo?

    Imagina você que um selecionador receba diariamente em torno de 200 ou 300 currículos para analisar, separar, descartar e encaminhar alguns adiante e que usando - estrategicamente - a ferramenta irá otimizar tempo e esforços, ajudando ainda o profissional do RH a se concentrar em outra atividade.

    Bem, parece realmente um bom negócio, pois a contratação assertiva é sinônimo de bons negócios para a empresa, principalmente por conta da redução de gastos com pessoal.

    Nem tudo dá certo

    Tudo estaria resolvido se a tal da tecnologia também não falhasse, e parece que foi exatamente isso que aconteceu com a Amazon, no ano passado. A gigante do e-commerce vinha utilizando uma inteligência artificial (IA) criada em 2014 pela companhia, para encontrar bons candidatos a vagas de emprego e assim seguir automatizando o processo de seleção de currículos. No entanto, algo deu ruim, como a gente costuma dizer aqui em Manaus!

    Reproduzindo o preconceito

    Tudo porque os funcionários começaram a perceber que a tal tecnologia discriminava a contratação de mulheres, pois sempre que aparecia a palavra “mulher” no currículo, os analistas percebiam - por meio de relatórios - que as notas imputadas pela IA eram mais baixas, comprometendo a veracidade do processo.

    E pelo incrível que pareça isso teria acontecido pelo fato de a máquina ter se baseado em contratações efetuadas nos últimos 10 anos e que seguia uma lógica masculina, já que é esse pessoal que domina a área tecnológica. Dessa forma, a IA reproduziu o comportamento masculino.

    Usando o bom senso

    Enfim, o exemplo da Amazon não é motivo para descartar as benesses da tecnologia para uso nos processos seletivos, porém é um alerta de que também não podemos imputar à tecnologia a resolução de todos os problemas do mundo porque ela também pode falhar!

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