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    Blog da Cristina Monte


    A inteligência artificial e a emocional

    E essa tal de inteligência artificial simula a inteligência humana por meio de sistemas baseados em padrões

    Cristina Monte | Foto: Divulgação

    Que bom seria se as máquinas fizessem a maior parte das nossas atividades, não é mesmo? Afinal, o pressuposto do desenvolvimento tecnológico é tornar a vida do ser humano menos atribulada, mais confortável e talvez menos desigual se possível for...

    E essa tal de inteligência artificial (IA), que simula a inteligência humana por meio de sistemas baseados em padrões de enormes bancos de dados, parece mesmo que irá resolver muitos dos nossos problemas. Entretanto, o outro lado da moeda, é que essa tecnologia pode colocar em xeque o futuro da raça humana. 

    Game over?

    Calma, calma, eu sei que soa meio assustador e alarmista falar assim nesse momento, mas se a gente vislumbrar o cenário tecnológico daqui a poucos anos, isso - sinceramente - não irá parecer, como atualmente, trama da ficção científica, aliás, esse negócio de “ficção científica” também é demodê e limitado no seu sentido para os dias atuais, o lance “filme futurista” parece se encaixar melhor...

    Voltando ao assunto, pra quem mora, por exemplo, em alguns países asiáticos o nível do desenvolvimento tecnológico já alcança outro patamar bem mais elevado do que o nosso, mas pra nós meros ocidentais, o mundo quando pensamos em tecnologia ainda se resume ao bendito Vale do Silício!

    Entendo que em meio a tantas possíveis reflexões que a inteligência artificial propõe é fundamental observar o nosso próprio avanço em relação à nossa inteligência emocional, isso implica em como agimos e reagimos sentimentalmente no calor do momento, por exemplo, pois – pelo que parece, de acordo com pesquisadores e especialistas da área, o que ainda nos coloca acima das máquinas e robôs, é justamente a capacidade de pensar e reagir que – supostamente – essas parafernálias não têm! 

    Criando inteligência 

    Fico um pouco intrigada com os robôs humanoides, como o caso da celebridade Sophia e o que mais me espanta é a capacidade de improviso da (quase) moça! Suas respostas vão além do seu HD e isso indica que são capazes de desenvolver a sua própria inteligência, com a convivência com os humanos. Quanto tempo precisaria para que descobrissem nossos mais profundos segredos?

    Religião e ciência

    Até o Papa Francisco vem alertando o mundo em relação aos novos tempos tecnológicos. Disse há dois meses, em reunião com os gigantes do Vale do Silício no Vaticano, que não deixem que os avanços tecnológicos, como a inteligência artificial, por exemplo, levem a uma nova forma de domínio, em que o mais forte na cadeia capitalista se sobressaia ao bem comum.  Francisco ainda pontuou na ocasião que o perigo ocorre quando a IA circula opiniões tendenciosas e dados falsos que poderiam envenenar os debates públicos ou manipular opiniões, causando um imenso desastre nas próprias relações humanas, ameaçando as instituições que garantem a convivência civil pacífica. 

    Mas, o posicionamento do Papa foi bem menos contundente do que o do professor Stuart Russell, da Universidade da Califórnia, em entrevista concedida recentemente à BBC Brasil. Intitulada “Como a inteligência artificial poderia acabar com a Humanidade – por acidente”, a reportagem se baseia no livro de Russell, que traz o título “Compatibilidade Humana: Inteligência Artificial e o Problema de Controle”, mas ainda sem tradução para a língua portuguesa. 

    Basicamente o autor, que queria nos acalmar diante da possibilidade dos androides se revoltarem “conscientemente” contra os pobres humanos, acabou me deixando quase desesperada, pois ele acredita que isso possa realmente acontecer, mas meio-sem-querer! Hellooo!

    Russell analisa que o fato de as máquinas se tornarem tão boas em alcançar os objetivos que estabelecemos para elas, podem nos levar ao aniquilamento por ordenarmos, sem perceber, as tarefas erradas. Acho que não foi uma boa ideia faltar às aulas de interpretação de texto. 

    Para ele não se trata do tal ódio que os robôs passam a sentir pelos humanos, como nos filmes hollywoodianos, pois eles - de acordo com o professor - não terão sentimentos humanos, então essa não é a causa a se preocupar. O que precisamos nos preocupar são com as ordens que lhe damos, pois - para atingi-las -, as máquinas irão até o fim, sem condições de julgamentos morais sobre suas ações. Será que teremos inteligência (emocional ou não) suficiente para lidarmos com esses robôs?

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