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    Artigo de opinião


    Maria, mãe de Jesus é lembrada no Pentecostes

    Leia o artigo de opinião de Dom Sérgio Castriani

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    Leia o artigo de opinião | Foto: reprodução


    Neste domingo (31) festejamos Pentecostes, a festa do Espírito Santo. Foi o dia inaugural da Igreja que, deixando o cenáculo, começou a anunciar a Ressurreição de Jesus. Foi na força do Espírito que os Apóstolos perderam o medo. Foi um acontecimento salvífico, um Mistério da nossa salvação. Deus estava presente agindo no meio do Povo.

    Este mistério se renova na liturgia da Igreja que atualiza o mistério e nos faz participantes dele. Assim no ano litúrgico revivemos os fatos fundantes de nossa vida cristã, o nascimento, a paixão e morte do Senhor, sua ressurreição e ascensão e terminamos com a vinda do  Espírito Santo e o início da vida da Igreja.

    Mas há outros momentos da vida de Jesus que também são mistérios celebrados na liturgia, como o dia do seu batismo, a transfiguração, a instituição da Eucaristia e tantos outros que se sucedem no tempo comum, quando acompanhamos a vida do Senhor.

    Entre estes há um acontecimento celebrado no dia trinta e um de maio: a visita de Maria a sua prima Isabel. Trata-se de um episódio narrado por Lucas, que transcende o espaço e o tempo no qual aconteceu para tornar-se um fato revelador de quem é Jesus e como acontece a economia da salvação, porque aí se explicita a maneira de Deus agir na história.

    Duas mulheres grávidas se encontram. Nenhuma das duas deveria estar grávida. Izabel era já adiantada na idade, e Maria era só noiva de José. Elas se encontram e depois da saudação efusiva cantam e contam a sua história, muito parecida com a de Ana, a mãe de Samuel. Já na saudação, Isabel declara o filho de Maria, como o Senhor, título que será atribuído a Jesus pela Igreja depois de pentecostes. A força do Espírito já está ali naquelas duas mulheres.

    O Filho que ela traz em seu seio foi gerado pelo Espírito Santo. Maria, então, se põem a cantar. O seu canto revela uma mulher conhecedora das Escrituras. A sua ida às montanhas de Judá mostra uma mulher decidida e autônoma que toma decisões, que viaja em tempos difíceis porque quer ajudar a prima Isabel. Ela tem uma visão de mundo e de humanidade de acordo com a visão de Deus. Ela conhece o seu povo, Israel. Povo humilhado pelos romanos, explorado pelos doutores da lei e pelos sacerdotes do Templo. Povo que estava de mãos vazias e constantemente humilhado. Era o povo de Abraão, a quem Deus tinha prometido uma outra coisa. Ela sabia que as coisas estavam mudando com a chegada de seu Filho.

    O Senhor que foi capaz de mudar a sorte de Sara, Ana, Isabel, Lia, mãe de Sansão, mulheres que tinham gerado filhos, por uma intervenção divina, pode mudar a história. Os soberbos que vivem encantados pelo poder real ou imaginário verão seus planos sucumbirem. Os que tem o poder de fato serão derrubados de seus tronos. Os humildes serão exaltados e os famintos cumularão bens. Os ricos, serão despedidos vazios.

    O nosso Deus é o Deus de Maria, Ela é a mãe de Jesus. Aprendemos com ela como Deus age e quais são os critérios da sua ação e onde ele está na história humana, que depois da encarnação do Verbo é toda ela história de salvação, antes um privilégio dos descendentes de Abraão. O Pentecostes que hoje celebramos nos lembra que a Igreja foi gerada pelo Espírito e será dócil enquanto puder cantar o Magnificat com a consciência tranquila. 

    *Dom Sérgio Castriani é arcebispo emérito de Manaus 

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