Fonte: OpenWeather

    Movimento negro


    O racismo é estrutural

    Três histórias de luta, entre outras tantas de crianças, mulheres e homens negros, que voltaram à pauta do planeta, após o triste episódio do ex-segurança George Floyd, morto por um policial nos EUA

    As manifestações cresceram de tal forma que chegaram a outros países, inclusive ao Brasil, que também passou a gritar “Vidas negras importam''
    As manifestações cresceram de tal forma que chegaram a outros países, inclusive ao Brasil, que também passou a gritar “Vidas negras importam'' | Foto: Divulgação

    Na resistência às tropas portuguesas, contra a escravidão, o líder quilombola Zumbi dos Palmares foi morto no Brasil, em 1695. Nos Estados Unidos da América (EUA), em 1968, o pastor Martin Luther King Jr foi assassinado, após liderar a defesa pelos direitos civis. Por anos vítima do preconceito, o líder do movimento Alma Negra do Amazonas, Nestor Nascimento, partiu em 2003, por problemas de saúde, aos 56 anos, após lutar pela causa negra.

    Três histórias de luta, entre outras tantas de crianças, mulheres e homens negros, que voltaram à pauta do planeta, após o triste episódio do ex-segurança George Floyd, morto por um policial nos EUA. O caso deu luz a outras duas tristes histórias brasileiras: a do menino João Pedro, no Rio de Janeiro, e de Miguel Otávio Santana da Silva, em Pernambuco.

    Todos eles vítimas do racismo estrutural; um mal construído ao longo da história e reforçado na mente humana como um método de classificação, muitas vezes até mesmo disfarçado de humor. Aos olhos do mundo, denunciada com a ajuda das novas tecnologias, a crueldade das imagens da morte por sufocamento de George Floyd, no dia 25 de maio de 2020, juntou comunidades negras e brancas que tomaram as ruas nos EUA - mesmo em meio aos riscos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) -, para cobrarem justiça às autoridades estadunidenses.

    As manifestações cresceram de tal forma que chegaram a outros países, inclusive ao Brasil, que também passou a gritar “Vidas negras importam”, em memória de João Pedro, vítima de uma trágica ação policial, no Rio, e do Miguel, que pela falta de cuidado ou desprezo por parte da patroa da sua mãe, acabou caindo do nono andar do prédio, onde ela trabalhava no Recife. Mais do que atitudes individuais de discriminação na sociedade, o racismo que muitas vezes achamos que já foi vencido no Brasil, com a Lei Áurea, em 1888, segue ainda forte mais de 130 anos depois da abolição.

    Mais do que desprezo, ofensas e violência de uma patologia social, nós precisamos entender que o racismo no Brasil segue muito vivo na dinâmica do cotidiano da sociedade e ele não está apenas em relação às comunidades negras. É um problema da estrutura política do país que está longe de ser vencido, principalmente se o Brasil seguir com um sistema tributário que cobra menos proporcionalmente dos mais ricos e castiga os mais pobres que, em razão da sua história, tem o povo negro como maioria, os indígenas em situação de vulnerabilidade e o Norte e Nordeste, às margens do país.

    Enquanto o sistema brasileiro seguir jogando o peso da sua carga tributária sobre o consumo e o salário, os mais pobres ficarão sempre a mercê das tensões sociais, com menos acesso à educação e oportunidades. Sem o debate amplo e iniciativas de Estado que garantam uma política social e econômica mais igualitária para brancos, negros e índios, o Brasil se manterá umbilicalmente ligado aos seus tempos de mero território colonial. 

    Comentários