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    Artigo de Opinião


    A difícil missão de arbitrar em tempos de VAR

    Se antes o árbitro decidia tudo sozinho, hoje com a implementação do VAR todos esperam para poder sorrirem contra ou a favor da sua equipe

    Escrito por Ricardo Onety no dia 05 de abril de 2021 - 10:00

     

     

    Leia o artigo de opinião
    Leia o artigo de opinião | Foto: Reprodução

    O Brasileirão 2020 acabou e outros campeonatos já iniciaram, mas as polêmicas na arbitragem continuam e cada vez maiores, principalmente, com a chegada de um novo elemento no mundo do futebol: o VAR! 

    Juntos iremos fazer uma viagem no tempo até os dias de sua implementação, entretanto, essa ferramenta moderna que em outros esportes já funciona tão bem, no futebol, ainda causa confusão e muitas reclamações.

    Nos esportes em geral, não valorizamos essa importante peça do tabuleiro dinâmico: o árbitro, fundamental para que os espetáculos esportivos ocorram. Alguns exemplos para refletirmos: A tomada de decisão pelos diretores responsáveis, no grande prêmio de San Marino (Itália, 1994), que manteve a corrida fatal e trágica, a qual culminou com a morte de nosso ídolo Airton Sena.

    Ainda, no mesmo evento, ocorreram dois gravíssimos acidentes, nos treinos livres, onde Rubinho Barrichello “rampou” o carro que capotou duas vezes e aterrissou de cabeça para baixo sobre a proteção de pneus e, no sábado, durante treino classificatório a morte do austríaco Roland Ratzenberger. Quem decidiu continuar este GP que se apresentava trágico? Quais critérios embasaram essa tomada de decisão? 

    E no mais novo esporte midiático, o MMA, qual o limite do árbitro para interromper uma luta? Assistimos inquietações de treinadores e lutadores que acreditam numa possível recuperação, também, assistimos reclamações de muitos de que deveria se interromper a luta para não se transformar em “briga ou espancamento”. Parar ou Continuar? 

     

    Leia o artigo de opinião de Ricardo Onety
    Leia o artigo de opinião de Ricardo Onety | Foto: Daniel Teixeira/Agência Estado

    E nos craques Messi e Neymar quantas faltam juntos devem ter sofrido? Se os árbitros agissem com mais rigor, seriam menos cassados em campo? Quantos atletas poderiam ter conseguido adiar por mais tempo sua aposentadoria? 

    No basquete, handebol, futebol, nos esportes coletivos, em geral, há contato, a falta é permitida, quem pode contribuir ou impor limites e coibir os excessos durante as competições? O árbitro? 

    Em 1970 surge, pela primeira vez, os cartões na Copa do México, pesquisas apontavam que devido ao número maior de seleções nas competições mundiais aspirava-se uma linguagem universal para atender a todos os idiomas.

    Esta implementação teve origem na expulsão de um jogador entre as seleções da Inglaterra contra Argentina, na copa de 1966, ao marcar uma falta do jogador argentino e, após reclamação exagerada, o árbitro com o dedo indicador expulsa o jogador que não entendeu o gesto, neste jogo havia três idiomas em campo inglês, espanhol e alemão. 

    Foi um grande avanço para o futebol, pois este é um dos esportes onde as mudanças e alterações em suas regras são lentas e cercadas de tradições, as mudanças dependem da International Football Association Board (fundada em 1883 surgida na Inglaterra no séc. XIX), marco do futebol moderno e pela Federação Internacional de Futebol (FIFA, 1904), que dirige o futebol pelo mundo.

    Em 2016, durante a Copa da Holanda entre as equipes do Ajax e Willem II, surge em jogos oficiais o VAR (Video Assistant  Referree) com intuito de tornar o jogo, mais justo, diminuir erros e equívocos. Seria um teste para ser lançado na copa do mundo de 2018 na Rússia, o resultado foi satisfatório segundo relatório nº 2018 da FIFA.Como o futebol é entretenimento e, há prestação de serviço, surge no Brasil em 15.03.2005 o Estatuto do Torcedor que colabora em seu Art.30 - É direito do torcedor que a arbitragem seja independente, imparcial, previamente remunerada e isenta de pressões. Simples assim?

    Acredito que a ferramenta VAR veio para ficar e cumprir seu papel. Como em outros esportes, sua implantação não está sendo simples, todos, ainda, aprendendo sua finalidade e dinamismo, colaborando, corrigindo erros grosseiros e tornando os resultados no futebol mais justos. Acredito que, em breve, esta ferramenta será fundamental no futebol e não um retrocesso.

    Na procura de ampliar esta discussão, busquei junto a colegas e amigos de outras profissões (árbitros profissionais, amadores, professores, advogados, juízes de direitos e promotores), uma resposta para a seguinte pergunta: como é o trabalho de vocês? Como refletem, arbitram, julgam e decidem? Pedi ajuda até de Sócrates, não o corintiano, mas o craque grego, que disse: "Três coisas devem ser feitas por um juiz, ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente", aproveito a analogia e, ainda, acrescento: analisar amplamente, ouvir atentamente, decidir e resolver após discussão ou consulta. 

    É não parece fácil a tomada de decisão do árbitro de futebol, pois ele tem que fazer tudo isso em milésimos de segundo, com várias câmeras de televisão, lentes atentas de fotógrafos, torcedores com seus celulares e milhões de espectadores.

    Se antes o árbitro decidia tudo sozinho, hoje com a implementação do VAR todos esperam para poder sorrirem contra ou a favor da sua equipe, validando ou não um gol, decidindo com seus olhos e compartilhando simultaneamente com milhões de fãs aficionados.

    Antes de concluir amigos leitores, quero lembrar que não, somente, nos esportes, mais, diariamente, estamos nas mãos de outros que nos regem, nos orientam e nos guiam, cada qual no seu quadrado, os agentes da lei, o guarda de trânsito, os médicos, nossos pais, os professores, etc.  Árbitro não é um super-homem com poderes atômicos, nem robóticos, ele é fundamental ao espetáculo e abre mão de sua individualidade, sem medo de expor-se a tomar decisões baseada nas suas interpretações e convicções em Movimento Intenso, em uma “simbiose” consigo mesmo.

    Sobre o autor:

     

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    Leia o artigo de opinião | Foto: Reprodução


    Ricardo Tadeu da Silva Onety possui 55 anos é professor da Secretaria de Estado - SEDUC /Am, atuando há mais de 12 anos no ensino Superior. Ele possui pós-graduação em Fisiologia do Exercício Avançada; Musculação e Personal Trainer, Formação Empreendedora e Gestão de Carreira e possui participação em diversos eventos científicos regional, nacional e Internacional.

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