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    Estupro de vulnerável


    Em Manaus, pai estuprava filha e mãe pedia segredo da criança

    Uma criança de 11 anos era estuprada pelo próprio pai desde os 6 anos. Ela também era obrigada pela mãe a guardar segredo sobre os crimes

     

    Os relatos foram levados até a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente
    Os relatos foram levados até a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente | Foto: Arquivo EM TEMPO

    MANAUS – Em 2020, mais de 14 mil crianças e adolescentes sofreram com abuso, estupro e exploração sexual em todo o Brasil, de acordo com dados do Disque 100 - um serviço gratuito para denúncias de violações de direitos humanos. Somente em Manaus, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) registrou 486 casos de estupro de vulnerável que foram denunciados.

      E, apesar do senso comum apontar estranhos e “psicopatas” como os principais agressores, os números mostram que 80% a 90% dessas violências são cometidas por pessoas de confiança da família, conhecidos e até mesmo pais, mães, padrastos e outros parentes das vítimas.  

    Muitos desses casos também ocorrem dentro da casa da criança e o crime é mais frequente do que se imagina: uma em cada quatro meninas serão vítimas de alguma modalidade de abuso sexual até completarem 18 anos.

    Em Manaus, um caso de abuso sexual causou espanto nas autoridades locais. Uma criança de 11 anos, além de sofrer estupros do próprio pai desde os 6 anos, também recebia instruções da mãe de não contar sobre a violência para ninguém.

    Os relatos foram levados até a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) pela família do pai da criança, após a vítima demonstrar repulsa em retornar para casa.

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    'Meu pai é um monstro, não quero voltar', teria dito a menina "

    segundo informou a titular da especializada, delegada Joyce Coelho.

     

     

    Delegada Joyce Coelho
    Delegada Joyce Coelho | Foto: Divulgação

    “A criança havia ido passar alguns dias na casa dos avós paternos, e no dia de retornar, ela acabou demonstrando rejeição, se recusou a voltar e pediu para ficar mais dias. Depois de muita insistência, ela acabou ficando mais um dia, e durante a noite, acabou desabafando com uma tia, relatando todos os abusos sexuais que vinha sofrendo na própria casa, cometidos pelo próprio pai biológico durante cinco anos”, disse.

    Cúmplice

    O abuso sexual crônico – quando ocorre por um longo período de tempo, geralmente em casa e que ocorre em maior frequência com crianças – tinha a mãe como cúmplice, já que a progenitora não denunciava e era conivente com o crime.

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    Para maior espanto, a mãe sabia dos fatos, tendo, inclusive, presenciado os abusos sexuais. Nessa ocasião, pediu para que a criança esquecesse e guardasse segredo sobre o crime. Com isso, o homem se viu autorizado a praticar a violência até mesmo com a mãe dentro da casa "

    confirmou a titular da DEPCA, Joyce Coelho

     

    O pai, que tem 37 anos e é assistente administrativo, teve a prisão preventiva expedida no momento da denúncia, já que na casa onde ocorreram os abusos, outras cinco crianças moravam com o casal. A vítima era a mais velha dos filhos, todos com menos de 11 anos de idade.

     

    Suspeito foi encaminhado para a Depca
    Suspeito foi encaminhado para a Depca | Foto: Divulgação

    Prisão

    Nesta terça-feira (25), o homem foi preso e será interrogado, além de passar por um exame de corpo de delito. Após os procedimentos cabíveis, ele será encaminhado para o sistema penitenciário e ficará à disposição da justiça para responder ao crime de estupro de vulnerável.

    No momento da prisão, ambos os pais se mostraram calmos, de acordo com a delegada. “Como se já esperassem por essa prisão”. A mãe continuava coabitando com o homem junto com os outros cinco filhos.

      As outras crianças também passarão por procedimentos para descobrir se sofreram algum tipo de abuso, e a mãe será ouvida pela DEPCA. Se confirmado que a mulher permitia os abusos sexuais, ela será indiciada por omissão.  

    “A violência sexual no âmbito familiar também é uma violência doméstica, às vezes atrelada a outras violências, como a dependência econômica ou emocional. Com o homem encarcerado, vamos esperar que a mãe não sinta medo de denunciar a situação das outras crianças”, contou.

    A vítima, desde a denúncia, permanece em guarda provisória dos avós paternos.

    Abusos na pandemia

    Um dos detalhes sobre o crime que a delegada também deu, foi a fala da criança de que, com a pandemia, os abusos pioraram, ela se sentia sozinha e tinha vontade de relatar os abusos para a professora, mas como não estava indo à escola, não havia quem a ouvisse.

    “Isso exemplifica como as crianças ficam mais vulneráveis no período da pandemia, uma vez que convivem no mesmo ambiente doméstico que os agressores”, lamentou Coelho.

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