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    Adeus ao menino Gabriel


    Comoção e revolta marcam sepultamento de Gabriel em Cacau Pirêra

    Moradores e familiares estavam com placas com pedidos de justiça pela morte do menino Gabriel

     

    Amigos e familiares deram o último adeus ao menino Gabriel
    Amigos e familiares deram o último adeus ao menino Gabriel | Foto: Suyanne Lima

    MANAUS -  Lágrimas no rosto, gritos de revolta e pedidos de justiça eram visíveis nos rostos de familiares, vizinhos e amigos do adolescente Gabriel Santos Lima, de 12 anos, durante o cortejo e sepultamento dele nesta quinta-feira (29). Gabriel foi morto com disparos de arma de fogo, durante uma ação policial no Distrito de Cacau Pirêra, no município de Iranduba, zona metropolitana de Manaus. 

    No caminho para o cemitério,  a população fechou por alguns minutos um dos trechos da rodovia estadual AM-070 em protesto à morte de Gabriel. O menino tinha um sonho de ser jogador de futebol e deixa boas lembranças aos amigos.

    "Gabriel era um menino muito bom, o sonho dele era ser jogador de futebol. Para nós,  a morte dele é uma grande tristeza. Não queremos generalizar a ação geral de todos os policiais, mas se esses que foram onde ele morava erraram, precisamos pedir que o poder público possa se manifestar nessa causa. Isso não pode acontecer, uma criança de bem que teve o sonho ceifado no início da carreira. A sociedade clama para que a Justiça seja feita", declarou o presidente da escola de futebol onde Gabriel treinava, Luiz Augusto Mendes. 

     

    | Foto: Suyanne Lima

    Pai de duas filhas, o vendedor de bananas Guilherme dos Santos Pereira, de 25 anos, que trabalhava junto com o padrasto de Gabriel, denunciou a atuação de policiais na localidade e, revoltado, pediu que os responsáveis pela morte do menino sejam punidos. 

    "A Polícia chegou atirando de dia nas pessoas. O padrasto dele era meu patrão, sou bananeiro e tenho duas filhas. Por quê os policiais não chegam a noite para enfrentar traficantes? De dia tem idosos e crianças nas ruas. Gabriel gostava de pescar, de jogar bola, isso foi uma injustiça. Nem todo mundo é bandido não, somos trabalhadores. Entraram na casa errada, nós só queremos Justiça", declarou.  

    No momento do sepultamento de Gabriel, muita oração e revolta com a polícia. Um grupo de crianças, da mesma escola onde Gabriel treinava, estava na beira da sepultura com a foto dele nas mãos. Com lágrimas nos olhos, os amigos demonstravam o sentimento de saudade do amigo. 

     

    | Foto: Suyanne Lima

    A mãe de Gabriel precisou ser amparada por familiares pois passou mal no momento do enterro. Balões foram jogados em cima do caixão. Durante o sepultamento, o retrato de indignação nos rostos dos presentes mostraram a comoção de uma cidade inteira.

    Investigação

    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que o titular da pasta, coronel Louismar Bonates, determinou à Corregedoria Geral do Sistema de Segurança a abertura de uma apuração sobre as denúncias sobre a ocorrência que resultou na morte de Gabriel.

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