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    Chacina no presídio


    Presos do AM estavam marcados para morrer em 'lista negra de facção'

    Segundo familiares dos detentos, desde a madrugada de hoje, uma lista com os nomes dos presos marcados para morrer correu dentro da UPP. Por meio de celulares, os parentes foram informados pelos apenados sobre o novo massacre

    Equipes da Polícia foram enviadas ao presidio após rebelião ter início
    Equipes da Polícia foram enviadas ao presidio após rebelião ter início | Foto: George Dantas

    Manaus - Familiares de detentos mortos na chacina da Unidade Prisional do Puraquequara, no bairro Puraquequara, Zona Leste de Manaus, que preferiram não se identificar, afirmaram, que desde a madrugada de segunda-feira (27), circulava uma lista dos detentos marcados para morrer no presídio. As mortes estão relacionadas com uma guerra entre facções Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN), que não são reconhecidas como existentes pelo Estado.

    Por meio de celulares, os parentes foram informados pelos presos sobre a possibilidade de um novo massacre nesta segunda, um dia após a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

    "Ele (marido) me ligou ainda na madrugada e afirmou que a situação no presídio podia piorar. Inclusive, ele falou da existência de uma lista de detentos marcados para morrer. Havia muito medo entre os detentos e infelizmente a ameaçada facção foi concretizada. Por volta de 11h, os familiares começaram a receber fotos dos presos enforcados ou ensanguentados dentro de suas celas", relatou a esposa de um preso ao Em Tempo. No final da tarde, ao serem anunciados os nomes dos seis mortos na UPP, a mulher comemorou que o marido não estava na lista.

    Guerra entre facções

    As seis pessoas foram mortas por enforcamento, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). O diretor adjunto da unidade prisional, Francisco Kennedy Cândido de Maceda, confirmou a motivação da chacina como sendo uma guerra entre facções existentes na unidade e que vem crescendo a cada dia.  Por outro lado, o governo do Estado diz não reconhecer o poderio das organizações criminosas que atuam no Amazonas.

    O próprio secretário da Seap, coronel Marcus Vinicius Almeida, chegou a dizer durante coletiva no domingo (26), após as 15 mortes no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que não reconhece as facções após ser questionado sobre a guerra entre Família do Norte (FDN), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

    Mortos foram aglomerados no pátio do presidio, para os procedimentos legais.
    Mortos foram aglomerados no pátio do presidio, para os procedimentos legais. | Foto: André Moreira

    Os mortos

    Os nomes que tiveram os óbitos confirmados na UPP foram: Anderson Barros de Oliveira, Jhon Wagner Souza da Silva, Orlanildo de Souza Alves, Robson Rodrigues do Reino, Paulo Roberto Nascimento Ferreira da Silva e Emerson Matheus Pinto da Silva

    Segundo informações com familiares obtidas no local, as visitas no presídio estão suspensas por um mês. A reportagem ouviu alguns familiares conversando e ouviu quando eles se comunicavam com os internos da unidade. Segundo uma fonte do Em Tempo, essa prática é comum na unidade prisional e, mesmo após revistas feitas pelas forças de segurança do Estado, os presos continuam tendo comunicação externa, que acontecem, geralmente, pela parte da manhã.

    Preso injustamente

    A mãe de um dos detentos, que não quis se identificar, estava desde o começo da tarde procurando informações sobre o filho. Segundo ela, o jovem foi preso injustamente após os policiais estourarem uma boca de fumo da cidade. 

    "Ele estava a mais de 100 metros do local onde ocorreu a batida na boca, mas ainda assim foi preso e está nessa unidade. Agora ele está passando por isso, mesmo ao ser preso injustamente", declarou.

    Desesperada, ela contou à reportagem que chegou a receber fotos de presos mortos na unidade e reconheceu o filho pela orelha. Entretanto, no fim do dia, o nome do filho dela não estava na lista oficial de mortos.

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