Fonte: OpenWeather

    Massacre


    IML tem dificuldades em liberar corpos de detentos de massacre no AM

    Como em 2017, o governo teve que alugar um caminhão frigorífico para armazenar os corpos. O IML, único do estado do Amazonas, possui apenas 20 câmaras frigoríficas

    A estrutura do IML e DPTC precisa adequar às instalações físicas | Foto: Josemar Antunes

    Manaus - Parecido com o que aconteceu na rebelião de 2017, que resultou na morte de 56 detentos, o Instituto Médico Legal (IML) do Amazonas continua sem estrutura para armazenar e identificar os 40 corpos dos detentos vítimas do massacre desta segunda-feira (27), nas unidades prisionais do Estado.

    Devido ao grande número de detentos mortos, o governo alugou um caminhão frigorifico para armazenar os corpos. O IML, único do estado do Amazonas, possui apenas 20 câmaras frigoríficas e não suporta a demanda. Além disso, a estrutura do instituto e do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) precisa adequar às instalações físicas e realizar concurso público para a contratação de mais peritos criminais. 

    "O trabalho é lento porque é necessário identificar os mortos. Não é só realizar a necropsia para saber a causa da morte. O que demora mais é a identificação que pode ser por três formas - identificação digital - que é enviado para o Instituto de Identificação (II) para comparar com a ficha cível e criminal, além da arcada dentária e DNA. Devido a redução de peritos é um trabalho mais demorado", explicou a presidente do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), Viviany Pinto. 

    Tropa de choque na entrada do presídio
    Tropa de choque na entrada do presídio | Foto: Josemar Antunes

    Viviany Pinto ressalta, ainda, que o reconhecimento feito por tatuagem é incorreto, conforme a lei de identificação criminal e pode levar a um erro com a liberação de um corpo. 

    "Isso não é um método científico. Existe uma lei de identificação criminal. Há uma diferença entre reconhecimento por foto e tatuagem, por isso existe método correto para a identificação. Usar este método sem identificação criminal pode levar a liberação de um corpo de forma errada", esclareceu.

    Dos 40 corpos, somente um foi identificado e liberado até o momento. Os demais passaram pela necropsia e aguardam a conclusão do processo de identificação.

    "A curto prazo pode ser feita essa força-tarefa com convocação de peritos que estão de folga na tentativa de agilizar os procedimentos, mas a longo prazo é uma estrutura inadequada e o número de peritos e servidores do IML é insuficiente para prestar o melhor serviço para a sociedade", explicou Viviany Pinto. 

    Já os 15 corpos das vítimas de domingo (26), no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), foram identificados e liberados.

    Os corpos sendo removidos pelo IML
    Os corpos sendo removidos pelo IML | Foto: Josemar Antunes

    Cadastro 

    O cadastro de identificação dos cadáveres está sendo realizado pela Umanizzari e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), como explica a chefe do departamento de reintegração social da Seap, Keila Prado. 

    "Desde segunda-feira (27) estamos com uma equipe psicossocial da Seap e da Umanizzari realizando os procedimentos de cadastro das famílias e atendimento psicológico para que seja realizado o reconhecimento dos corpos. Após a comparação cadastral cível e exames, as famílias são comunicadas por meio de ligação telefônica para fazerem o reconhecimento e posteriormente retirar o corpo para o sepultamento", disse Keila Prado.

    Rebelião 

    Os presos do sistema prisional foram encontrados mortos dentro das celas do Centro de Detenção Provisória Masculino 1 (CDPM 1), Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e do Instituto Prisional Antônio Trindade (Ipat), localizados no quilômetro 8 da BR-174, além da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste de Manaus. 

    Causa das mortes 

    Segundo informações do IML, os internos foram mortos por asfixia (estrangulamento) e espancamento. O processo de liberação dos corpos acontece após a identificação dos métodos de arcada dentária, identificação digital (exame necropapiloscópico) e DNA. 

    Total de mortos

    Número de detentos mortos: 40

    Instituto Penal Antônio Trindade (IPAT): 25 detentos

    Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj): 4 detentos

    Centro de Detenção Provisória Masculino 1 (CDPM1): 5 detentos

    Unidade Prisional do Puraquequara (UPP): 6 detentos.

    Leia mais:

    Receba as principais notícias do Portal Em Tempo direto no Whatsapp. Clique aqui!

    Polícia atirou em detentos que tentavam fazer agentes reféns no AM

    IML libera corpos dos detentos mortos na chacina de domingo no Compaj

    Comentários