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    Polícia


    'João Branco' tenta golpe contra 'Zé Roberto' para liderar FDN sozinho

    O "racha" entre os dois narcotraficantes é apontado como o motivo do massacre nos presídios do Amazonas

    João Branco estaria preparando um golpe contra Zé Roberto | Foto: Divulgação

    Manaus - O massacre registrado nas unidades prisionais do Amazonas foi resultado de um "racha" entre os líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN). A informação foi confirmada pela procuradora geral de Justiça, Leda Mara Albuquerque, durante coletiva de imprensa na noite de segunda-feira (27). Ao todo, foram mortos 55 detentos, entre domingo (26) e segunda (27).

    De acordo com uma fonte policial, o narcotraficante João Pinto Carioca, o "João Branco", estava querendo comandar a facção sozinho e teria armado um golpe contra José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido como "Zé Roberto da Compensa", ambos cumprem pena em presídios de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, e em Campo Grande, no Mato Grosso.

    Zé Roberto, conforme a fonte policial, descobriu a armação e com isso começou a disputa, que resultou nas mortes nos presídios do Estado.

    A mulher de João Branco, identificada como Sheila Maria Faustino Peres, e o traficante "Coquinho", apontando como líder do tráfico no bairro Santa Luzia, na Zona Sul, e homem de confiança de "JB", são apontados como aliados do narcotraficante no golpe. 

    Sheila seria a responsável por disseminar a discórdia entre os integrantes da facção.  Em vídeos divulgados após a rebelião, internos falam sobre  a mulher. Ela seria uma das mandantes das execuções.

    Após o racha entre os chefões, a facção criminosa se dividiu. Um lado ficou com "Zé Roberto da Compensa", e outro com João Pinto Carioca, o "João Branco", denominada de "FDN Pura" ou "Potência Máxima", em referência a um dos apelidos de "JB". A briga está gerando uma série de assassinatos na cidade.

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    A FDN foi fundada em 2007 pelos traficantes Gelson Lima Carnaúba, o "Mano G", e Zé Roberto da Compensa. Segundo levantamentos da Polícia Federal, após passarem uma temporada cumprindo pena em presídios federais, eles voltaram a Manaus determinados a se estruturarem como uma facção criminosa. 

    Considerada a terceira maior facção criminosa do País, a FDN tem braços no Acre, Pará, Ceará, Rondônia, Rio Grande do Norte além de Colômbia, Peru, Venezuela.

    Racha entre FDN e CV

    Aliadas desde 2015, as duas facções dominavam o tráfico de drogas em boa parte do país, mas após um atrito entre os chefes da FDN, o grupo se dividiu, iniciando uma briga por território em Manaus. 

    De acordo com investigações da Polícia Civil, o rompimento da aliança entre a FDN e o Comando Vermelho aconteceu depois que líderes da facção amazonense descobriram um plano de “traição” supostamente arquitetado pelo ex-integrante da FDN Gelson Carnaúba, que migrou para o CV.

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    Agora, as duas facções disputam o domínio pelo tráfico de drogas na capital e a rota do Solimões, por onde escoam boa parte da droga que entra no País. Além dessas duas facções, a região ainda é disputada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

    João Branco no CV?

    Após o rompimento com Zé Roberto, sugiram informações que João Branco se aliaria ao Comando Vermelho, mas as forças de segurança do estado ainda não confirmam essa informação.

    "Lista negra"

    Familiares de detentos mortos na Unidade Prisional do Puraquequara, no bairro Puraquequara, Zona Leste de Manaus, afirmaram que circulava uma lista dos detentos marcados para morrer no presídio. 

    Por meio de celulares, os parentes foram informados pelos presos sobre a possibilidade de um novo massacre nesta segunda (27), um dia após a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

    "Ele (marido) me ligou ainda na madrugada e afirmou que a situação no presídio podia piorar. Inclusive, ele falou da existência de uma lista de detentos marcados para morrer. Havia muito medo entre os detentos e infelizmente a ameaçada facção foi concretizada. Por volta de 11h, os familiares começaram a receber fotos dos presos enforcados ou ensanguentados dentro de suas celas", relatou a esposa de um preso ao Em Tempo. No final da tarde, ao serem anunciados os nomes dos seis mortos na UPP, a mulher comemorou que o marido não estava na lista.

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    Guerra

    Um áudio, divulgado nas redes sociais, cita que a guerra só iniciou. O Centro, Nossa Senhora Aparecida, na Zona Sul, Compensa, Glória, São Raimundo, Santo Antônio, Vila da Prata, na Zona Oeste, Jorge Teixeira, na Zona Leste, Viver Melhor 2, na Zona Norte, Bairro da União, na Zona Centro-Sul, Alvorada, Redenção, na Zona Centro-Oeste, são alguns dos bairros citados como alvos de ataques.

    No áudio, o mensageiro afirma que nenhum alvo terá a vida poupada e que a ação será a forma de vingar os detentos mortos nas unidades prisionais. 

    "Não saiam de suas casas e não abram os seus comércios. Vamos colocar onda nesta cidade. Nem a polícia vai impedir o bonde", diz um trecho do áudio.

    Um comerciante de 48 anos disse que recebeu o áudio e revela que teme pelo pior. Segundo ele, a polícia mesmo presente nas ruas não está inibindo a criminalidade. 

    "Infelizmente a nossa segurança pública perdeu as forças para a organização criminosa. Por mais que digam que estão nas ruas, mas a realidade é outra. As mortes acontecem a cada dia e a qualquer hora. Estamos vulneráveis as criminosos que estão se matando entre si, mas que pode também tirar vida de inocentes. Eu trabalho com medo", argumentou.

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    PM-AM pede ‘tranquilidade’ da população

    O tenente-coronel PM Ronaldo Brito, subcomandante do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM) e responsável pela Operação “Fecha Quartel”, afirmou que a população deve ficar tranquila em relação às notícias falsas que circulam nas redes sociais após o massacre nas unidades prisionais.

    "A população deve ficar tranquila em relação às 'fake news' nas redes sociais, como toque de recolher em algumas áreas da cidade. Essas informações estão sendo checadas pela Polícia Militar desde ontem e não passam de meros boatos", afirmou o coronel. 

    Veículos roubados 

    De acordo com informações repassadas ao Portal Em Tempo afirmam que 10 veículos foram roubados, na noite de segunda-feira (27), para serem utilizados em execuções na capital. 

    A equipe de reportagem tentou contato por telefone com o delegado Cícero Túlio, titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (Derfv), para falar sobre o caso, mas o celular o delegado não atendeu as ligações.

    Total de mortos 

    Instituto Penal Antônio Trindade (IPAT): 25 detentos

    Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj): 4 detentos

    Centro de Detenção Provisória Masculino 1 (CDPM1): 5 detentos

    Unidade Prisional do Puraquequara (UPP): 6 detentos.

    No domingo, foram mortos 15 detentos no Compaj

    Número de detentos mortos: 55

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