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    Rastro de sangue


    Após massacre, resposta do crime nas ruas já deixa 15 mortes em Manaus

    A média é de três assassinatos por dia, a contar da última segunda-feira (27) à sexta (31)

    Testemunhas afirmam que homicídios têm ligação com o tráfico de drogas | Foto: Reprodução/TV Em Tempo

    Manaus - Após a rebelião nos presídios da capital amazonense, no último domingo (26) e segunda-feira (27), que resultou na morte de 55 detentos, a criminalidade invadiu as ruas de Manaus. A contar da última segunda-feira (27) até a tarde desta sexta-feira (31), o Portal Em Tempo contabilizou o registro alarmante de 15 mortes na capital, uma média de três por dia.

    O maior número de homicídios foi registrado nos bairros que são considerados área vermelha, como Colônia Terra Nova, Novo Aleixo e Lago Azul, todos situados na Zona Norte.

    Homicídio no beco Orion, no Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus
    Homicídio no beco Orion, no Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus | Foto: Raphael Tavares

    A procuradora geral de Justiça, Leda Mara Albuquerque afirmou na última segunda (27) que a divisão entre os líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN) resultou na última rebelião, que, no total, ocorreu em 4 presídios. De acordo com uma fonte policial ao Em Tempo, o número elevado de mortes nas ruas da capital também está relacionado com o “racha” dentro da FDN.

    Confira um trecho da entrevista:

    “O Governo não quer admitir, mas esse ‘racha’ está gerando conflitos na cidade. Os criminosos estão em busca de poder, cada um vai defender o seu”, disse um policial ao Portal Em Tempo. Por medida de segurança, ele preferiu não ter o nome divulgado. 

    Conjunto Viver Melhor 2, na Zona Norte da Capital
    Conjunto Viver Melhor 2, na Zona Norte da Capital | Foto: Raphael Tavares

    Rastro de sangue

    Somente na segunda (27), foram registrados seis homicídios em Manaus. No balanço, há o caso de um homem que foi morto com sinais de estrangulamento no conjunto Viver Melhor 2, no bairro Lago Azul, Zona Norte da Capital.

    De acordo com os policiais da 26ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), responsáveis pelo registro da ocorrência, o homem foi abordado por suspeitos e foi até a torre 49 do conjunto para pedir ajuda.

    Os policias disseram que a torre é dominada por integrantes de uma facção criminosa e, por esse motivo, outros suspeitos do local enforcaram a vítima até a morte. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

    Na terça (28), Igor da Silva Kramer, de 21 anos, foi morto com vários tiros, dentro da distribuidora onde trabalhava e morava. Os policiais da 11ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) afirmaram que o homem estava jantando quando foi surpreendido por suspeitos em dois carros. Os PMs disseram, ainda, que Igor já tinha quatro passagens pela polícia, sendo duas por porte ilegal de arma de fogo e duas por tráfico de drogas.

    Testemunhas afirmam que homicídios têm ligação com o tráfico de drogas
    Testemunhas afirmam que homicídios têm ligação com o tráfico de drogas | Foto: Reprodução/TV Em Tempo

    Um homem de 24 anos, identificado como Laércio Ajuricaba do Nascimento, foi executado a tiros na tarde de quarta-feira (29), no  bairro Lago Azul, na Zona Norte de Manaus. De acordo com moradores, a causa do homicídio está relacionada com a rixa interna na facção criminosa FDN, responsável pelo tráfico de drogas naquela região.

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    Toda a região é dominada pela FDN, foi uma disputa por território "

    Morador, Anonimato

    Na noite de quinta-feira (30) a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) registrou o total de cinco homicídios. Nesse número, consta a morte de Eduardo Oliveira dos Santos, de 24 anos, que foi morto a tiros por homens que utilizavam máscaras de palhaço. O crime ocorreu na rua Valter Rayol, no bairro Presidente Vargas, na Zona Centro-Sul de Manaus.

    De acordo com policiais da 24ª Cicom, os autores do crime dirigiam carros modelos Gol, Voyage preto e um HB20 de cor branca. Testemunhas alegam que eles chegaram na área, desceram dos veículos e atiraram diversas vezes contra a vítima que morreu no local.

    Operação "Fecha Quartel"

    Entre terça (28) e a madrugada desta quarta (29), a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) desencadeou a operação "Fecha Quartel", em Manaus. Na ocasião, dez pessoas foram presas e dois adolescentes apreendidos. As ações foram nas zonas Norte, Leste e Sul da capital amazonense. Todos, segundo a polícia, estão envolvidos em ocorrências criminais.

    Criminosos da FDN fazem vídeo para intimidar rivais. As imagens foram gravadas na invasão Monte Horebe, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte da capital
    Criminosos da FDN fazem vídeo para intimidar rivais. As imagens foram gravadas na invasão Monte Horebe, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte da capital | Foto: Reprodução

    FDN X FDN Pura

    Aliados desde 2007, José Roberto Fernandes Barbosa, o "Zé Roberto da Compensa", e João Pinto Carioca, "João Branco", desfizeram a “sociedade”.

    De acordo com uma fonte policial, João Branco queria comandar a facção sozinho e teria armado um golpe contra  Zé Roberto da Compensa, ambos cumprem pena em presídios de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, e em Campo Grande, no Mato Grosso, respectivamente.

    Zé Roberto, conforme a fonte policial, descobriu a armação e com isso começou a disputa, que resultou nas mortes em presídios do Estado.

    A mulher de João Branco, identificada apenas como Sheila, seria a responsável por disseminar a discórdia entre os integrantes da facção.

    O traficante "Coquinho", apontando como líder do tráfico no bairro Santa Luzia, na Zona Sul, e homem de confiança de "JB", são apontados como aliados do narcotraficante no golpe. 

    Após o “racha” entre os “chefões” da facção, João Branco estaria fundando uma nova fação chamada de "FDN Pura" ou “Potência Máxima”. Com isso, os ex-aliados brigam pelo domínio do tráfico de drogas na capital amazonense.

    SSP-AM

    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM) informou que todas as mortes violentas no Amazonas são investigadas pela Polícia Civil.

    A secretaria enfatizou que não tem como afirmar se estes crimes estão relacionados a conflitos entre uma organização criminosa. "Além disso, entendemos que dar nome a grupos criminosos apenas os fortalece", finaliza a nota

    Edição: Isac Sharlon

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