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    Briga entre facções


    Violência explode com guerra de facções em Manaus e soma 300 mortes

    A maioria dos assassinatos, segundo a polícia, está ligado à briga entre facções criminosas

    Hora do momento da remoção do corpo do Naldo | Foto: Josemar Antunes

    Manaus - Um verdadeiro rastro de sangue. Manaus registrou mais de 300 homicídios nos cinco primeiros meses deste ano. Os crimes foram registrados em todas as zonas da cidade e a briga entre facções criminosas é um dos principais motivos dos assassinatos.

     Conforme um levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), somente no período entre janeiro e abril deste ano, foram registrados 243 mortes na capital amazonense.

    Em relação ao número de homicídios registrados em maio, a SSP-AM afirmou que ainda está fazendo o levantamento. No entanto, o Portal Em Tempo contabilizou 60 mortes, no período de 26 a 31 de maio, contando com o massacre que aconteceu nas unidades prisionais. Ou seja, contabilizando com os 243, já são 303 mortes violentas, sendo que ainda falta o número do restante do mês de maio. 

    Estamos no dia 6 de junho e, somente nesses primeiros dias, já foram contabilizados 11 assassinatos, uma média de 2 por dia.

    Casa de Naldo estava marcada com a sigla "Z1"
    Casa de Naldo estava marcada com a sigla "Z1" | Foto: Josemar Antunes

    A causa das mortes, em sua maioria, está ligada à briga entre facções criminosas. Na manhã de domingo (2), um homem de 36 anos identificado como Ednaldo Moraes Ferreira, conhecido como "Naldo", foi assassinado a tiros na rua Santo Antônio, no bairro Cidade de Deus, na Zona Norte de Manaus.

    De acordo com testemunhas, o homem foi executado na frente do próprio filho de 7 anos, que chegou a implorar para o pai não ser morto. A sigla "Z 1" estava pichada no muro da residência de "Naldo". Segundo a polícia, o homem tinha ligação com o tráfico de drogas e a casa foi marcada em referência a vítima ser integrante da facção criminosa Família do Norte (FDN), ligado ao narcotraficante José Roberto Fernandes Barbosa, o "Zé Roberto da Compensa".

    Ainda no domingo, outro homem, ligado a "Zé Roberto da Compensa", foi executado na cidade. Cláudio Douglas Mouzinho Maciel, de 31 anos, foi assassinado com mais de 30 tiros, na rua Rio Napo (antiga Girassol), no conjunto São Lucas, no bairro Tancredo Neves, Zona Leste de Manaus.

    Cláudio estava consumindo bebidas alcoólicas na casa do irmão. Na ocasião, aproximadamente, seis homens fortemente armados invadiram o local de "cara limpa" e executaram a vítima em um dos cômodos do imóvel. 

    No local, os peritos criminais do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) recolheram 33 cápsulas de munições calibre ponto 40 e 380 milímetros, além do celular da vítima.

    Homem encontrado esquartejado na Compensa
    Homem encontrado esquartejado na Compensa | Foto: Izaías Godinho

    Esquartejado 

    Na segunda-feira (3), um jovem identificado como Gabriel dos Santos Martins, de 18 anos, foi encontrado esquartejado na rua Sebastião Romano, no bairro Compensa, Zona Oeste.

    O corpo estava em três sacos de fibra com a sigla da facção criminosa Família do Norte (FDN). De acordo com moradores, o corpo do homem foi deixado no local, por volta das 6h, por um carro preto. "De manhã cedo o carro deixou os sacos aí e depois saiu. Já é a segunda vez que isso acontece aqui no bairro", afirmou o morador, que preferiu não se identificar.

    Everton Souza de Castro foi morto com vários tiros
    Everton Souza de Castro foi morto com vários tiros | Foto: Raphael Tavares

    Outro crime ocorreu na rua Pau Brasil, no Jorge Teixeira, na Zona Leste de Manaus. Na terça-feira (4), um homem identificado como Everton Souza de Castro, de 22 anos, foi morto com vários tiros, após ser chamado pelos executores para fora da casa dele.

    O pai da vítima, um serralheiro de 56 anos, relatou à reportagem que a vítima estava conversando com a mãe quando foi chamado para a rua por um homem, que estava em uma motocicleta. Ele também disse que o filho teve envolvimento com o tráfico de drogas e cumpriu três anos de prisão na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

    Todos os crimes estão sendo investigados pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). 

    "FDN" X "FDN Pura"

    Após o racha dentro da FDN, que resultou no massacre dos 55 detentos nos presídios da capital amazonense, a facção criminosa, considerada a terceira maior do País, se dividiu. Um lado ficou com "Zé Roberto da Compensa", e outro com João Pinto Carioca, o "João Branco", chamada "FDN Pura" ou "Potência Máxima", em referência a um dos apelidos de "JB".

    De acordo com uma fonte policial, João Branco queria comandar a facção sozinho e teria armado um golpe contra  Zé Roberto da Compensa, ambos cumprem pena em presídios de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, e em Campo Grande, no Mato Grosso.

    Zé Roberto, conforme a fonte policial, descobriu a armação e com isso começou a disputa, que resultou nas mortes em presídios do Estado. Agora, os ex-aliados brigam pelo domínio do tráfico de drogas na capital amazonense e a disputa está resultando em série de assassinatos.

    Hora do momento da remoção do corpo do Naldo
    Hora do momento da remoção do corpo do Naldo | Foto: Josemar Antunes

    SSP-AM

    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM) informou que todas as mortes violentas no Amazonas são investigadas pela Polícia Civil.

    A secretaria enfatizou que não tem como afirmar se estes crimes estão relacionados a conflitos entre uma organização criminosa. "Além disso, entendemos que dar nome a grupos criminosos apenas os fortalece", finaliza a nota.

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