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    Revolta


    'Não mexeram só com um índio', diz líder sobre morte de cacique no AM

    Mesmo com as constantes ameaças, o também cacique Adnael Farias de Souza, conhecido como “Farias”, disse que não irá sair do local e que não teme ataques de traficantes

    Indígenas da invasão "Cemitério dos Índios" desejam justiça | Foto: Marcely Gomes

    Indígenas da invasão "Cemitério dos Índios" desejam justiça
    Indígenas da invasão "Cemitério dos Índios" desejam justiça | Foto: Marcely Gomes

    Manaus - "Não mexeram só com um índio. Se quiserem me matar podem vir", disse o cacique Adnael Farias de Souza, conhecido como “Farias”, da etnia Apurinã, sobre a morte do também cacique Willlames Machado Alencar, conhecido como “Onça Preta”, da etnia Mura, ocorrida na quinta-feira (13).

    Revoltados com falta de segurança, os indígenas realizaram uma manifestação na manhã sexta-feira (14), na invasão “Cemitério do Índios”, localizada na avenida Curaçao, bairro Nova Cidade, Zona Norte de Manaus.

    O cacique Willlames Machado Alencar, conhecido como “Onça Preta”, da etnia Mura, foi executado com 8 tiros por um membro da facção criminosa Família do Norte (FDN).

    Segundo testemunhas, por volta das 14h, um homem armado com uma pistola invadiu a propriedade de "Farias" e atirou à queima-roupa no cacique, que estava no local se caracterizando junto com outros indígenas para uma audiência pública prevista para acontecer na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus.

    Indígenas durante manifestação
    Indígenas durante manifestação | Foto: Marcely Gomes

     “Farias” contou ao Portal Em Tempo que conhecia a vítima há 5 anos. Antes do assassinato, segundo o cacique, ele e Willlames receberam ameaças por telefone de integrantes da facção criminosa. “A ligação era de dentro cadeia. Eles mandaram eu e o Onça sairmos daqui”, afirmou o cacique.

    Mesmo com as ameaças e presenciando o assassinato do amigo, Farias afirma que não tem medo dos traficantes e que não irá sair da comunidade.

    “Não tenho medo desse tal de ‘João Branco’. Ele pode matar a minha carne, mas o meu espírito vai continuar rondando a aldeia”, afirmou o chefe da tribo, acrescentando que cerca de 100 famílias vivem na invasão, dentre indígenas e não-indígenas.

    A15ª Companhia de Intertiva Comunitária (Cicom) este no local
    A15ª Companhia de Intertiva Comunitária (Cicom) este no local | Foto: Marcely Gomes

    Conforme “Farias”, cerca de 17 etnias viviam no “Cemitério dos Índios”, mas após as ameaças, somente 13 tribos residem no local atualmente.

    “Aqui ainda estão os Sateré Maué, Baré, Apurinã, dentre outras. Por isso, solicitamos a presença da Fundação Nacional dos Índios (Funai), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Governador do Estado, Wilson Lima”, concluiu o cacique.

    Policiais militares da 15ª Companhia de Interativa Comunitária (Cicom) estiveram no local. De acordo com o PM Marcelo Matos, os indígenas reivindicam a regularização das terras.

    Indígenas pedem justiça
    Indígenas pedem justiça | Foto: Marcely Gomes

    “Estamos realizando a operação 'Ocupação', que é uma ação preventiva para que outros homicídios não ocorram aqui. É conhecimento geral que neste local ocorre uma disputa por terras. Essa área foi ocupada indevidamente e cabe aos órgãos públicos a questão da regularização”, frisou o policial.

    Segundo indígena morto

    Este já é o segundo indígena assassinado neste ano. O cacique Francisco de Souza Pereira, de 53 anos, da etnia Tucano, foi morto no dia 27 de fevereiro com quatro tiros após ter a casa invadida por três homens armados. 

    Segundo informações da polícia, o cacique Francisco lutava contra a permanência de integrantes de facções criminosas na comunidade Uracaia, na Zona Norte da capital. 

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