Fonte: OpenWeather

    Crimes no Amazonas


    Homem preso por assédio de estudante é investigado por homicídio

    De acordo com a polícia, Gilmar dos Santos da Costa fugiu para Manaus após participar da morte de um adolescente de 17 anos

    Além do homicídio, Gilmar também é investigado por assédio
    Além do homicídio, Gilmar também é investigado por assédio | Foto: Divulgação

    Manaus - O auxiliar de pedreiro Gilmar dos Santos da Costa, de 32 anos, que foi preso, na manhã de terça-feira (2), após ser denunciado por suspeita de assediar sexualmente um adolescente de 14 anos, na Zona Sul de Manaus, também é investigado pela possível participação em um homicídio no ano de 2003, no município de Codajás (distante 240 quilômetros de Manaus). 

    De acordo com a polícia, Gilmar fugiu para Manaus após participar da morte de um adolescente de 17 anos. Na época, a vítima foi morta com várias facadas. Além de Gilmar, um casal foi preso por envolvimento no crime. 

    Segundo uma fonte policial, o casal e Gilmar deveria ir a júri popular na cidade, mas, por falta de juiz, o julgamento ainda não possui data definida na Comarca de Codajás. Com isso, conforme a polícia, o trio responde ao processo em liberdade e deveria estar sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. No entanto, no caso de Gilmar não houve o monitoramento. 

    Ainda segundo a fonte, Gilmar conseguiu fugir para Manaus, onde vinha praticando assédios, tendo como vítimas outros adolescentes. O caso mais recente foi denunciado à polícia ontem.

    Sem levantar suspeitas, Gilmar levava uma vida tranquila com a profissão de auxiliar de pedreiro até ser denunciado por assédio sexual na capital amazonense.

    Gilmar é investigado por dois crimes
    Gilmar é investigado por dois crimes | Foto: Josemar Antunes/Em Tempo

    O assédio

    A vítima, um estudante de 14 anos, resolveu contar à família obsessão do homem. Segundo o denunciante, tudo começou no dia 13 de junho deste ano, após o adolescente sair da escola. Durante o trajeto para casa, o jovem foi abordado por Gilmar, enquanto conversava com um amigo sobre o jogo virtual "Free Fire".

    Ao escutar a conversa, Gilmar se apresentou aos adolescentes com o nome de "Fábio". Ele disse que também participava do jogo online e pediu o contato telefônico de um dos jovens.

    A partir disso, conforme os familiares da vítima, Gilmar passou a ligar constantemente e enviar mensagens instantâneas para o adolescente. Nas conversas, ele oferecia recarga de celular e dinheiro em troca de sexo oral, além de pedir fotos do adolescente nu.

    O auxiliar de pedreiro está preso na DEPCA
    O auxiliar de pedreiro está preso na DEPCA | Foto: Josemar Antunes/Em Tempo

    De acordo com um microempresário de 37 anos, o filho estava sendo aliciado há pelo menos três semanas. 

    "No mesmo dia da abordagem, esse homem pediu o número do celular do meu filho para falar sobre o jogo virtual. As insistências eram constantes", disse. 

    Após as investidas de Gilmar serem negadas, o adolescente resolveu falar sobre o caso para a madrasta após assistir a uma matéria na TV sobre uma situação similar ocorrida recentemente em Manaus, em que uma adolescente de 11 anos foi estuprada por um desconhecido após trocar mensagens no jogo online. 

    Na ocasião, o jovem relatou que a primeira abordagem feita pelo homem ocorreu a 100 metros da escola.

    Ao Portal Em Tempo, a administradora de empresas de 28 anos, que é madrasta da vítima, disse que o enteado a procurou após ver notícia pela televisão de que uma menina havia sido vítima de estupro em um caso relacionada a troca de mensagens pelo mesmo jogo virtual.

    "Quando fiquei sabendo do fato, passei a conversar com esse homem como se fosse o meu enteado. Ele pedia fotos do meu enteado nu, oferecia recarga de celular e R$ 100 para fazer sexo oral. Ele estava tão obcecado que mandava áudios, mensagens instantâneas e fotos de outros adolescentes sem roupas. Então, decidi denunciar o caso à polícia após comentar com os familiares", explicou a mulher ao Em Tempo.

    O denunciado foi levado para a DEPCA na terça-feira (2)
    O denunciado foi levado para a DEPCA na terça-feira (2) | Foto: Josemar Antunes/Em Tempo

    A mãe do adolescente, uma mulher de 34 anos, disse à reportagem que o filho não mora com ela, e que só estabelecia contato nos finais de semana. Mesmo assim, ela afirmou estar chocada com o episódio.

    "Eu só tenho contato com o meu filho nos finais de semana. Ele ainda não havia me falado do caso. Fiquei chocada", declarou. 

    Gilmar foi preso por policiais militares da 3ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) e encaminhado para a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), situada no conjunto Bela Vista, bairro Planalto, Zona Centro-Oeste da capital. 

    O celular do adolescente contendo os conteúdos de assédio foi entregue para a delegada Deborah Souza, plantonista da DEPCA. A autoridade policial solicitou exames de corpo de delito da vítima e do suspeito. 

    Estatuto da Criança e do Adolescente

    O homem foi autuado em flagrante no Artigo 241 - A, B e D, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece que é crime “oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”. Neste caso, segundo o ECA, a pena é de reclusão de três a seis anos, além de multa. 

    O ECA destaca, ainda, que é crime “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”. Neste caso a pena é de reclusão de um a quatro anos, além de multa.

    De acordo com o ECA, “aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso também é crime". A pena é de reclusão de um a três anos, além de multa.

    Prisão

    Após os procedimentos na delegacia, Gilmar será levado para audiência de custódia no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, no bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus, onde o juiz irá decidir por prisão ou liberdade, na tarde desta quarta-feira (3).  A reportagem tentou contato com a delegada Joyce Coelho, titular da DEPCA, porém, conforme informou servidores da especializa, a autoridade policial estava em atividades externas.

    Na ocasião, a polícia espera que a prisão seja decretada, tento em vista que há um mandado de prisão expedido em nome de Gilmar. 

    Edição: Isac Sharlon

    Leia mais:

    Receba as principais notícias do Portal Em Tempo direto no Whatsapp. Clique aqui!

    Preso homem que aliciou estudante próximo à escola em Manaus

    Em Manaus, morre adolescente atacada por ex-namorado


    Comentários