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    Feminicídio


    Condenado a 17 anos homem que matou a mulher a facadas no AM

    O homem matou a mulher com três facadas no pescoço, na frente da filha do casal, de apenas 6 anos de idade

    Família pedia justiça na porta do tribunal
    Família pedia justiça na porta do tribunal | Foto: Divulgação

    Manaus - Como ação da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), um caso de feminicídio resultou na condenação de um homem que matou a esposa a facadas na frente dos filhos, em 2016, em Manaus.

    O homem de 35 anos foi julgado pelo 2º Tribunal do Júri da Comarca de Manaus e condenado a 17 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Ele não poderá recorrer em liberdade e perdeu o poder familiar sobre os filhos. 

    Crime:

    O crime ocorreu em 2016, no Bairro da Paz, zona centro-oeste de Manaus, na casa onde o casal morava com os filhos. O homem matou a mulher com três facadas no pescoço, na frente da filha do casal, de apenas 6 anos de idade à época. Ele confessou o crime, porém alegou legítima defesa.

    O Código Penal considera que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pena para este crime é de 12 a 30 anos de reclusão. 

    Com o reforço na acusação no caso julgado em Manaus nesta semana, a Defensoria conseguiu garantir que o crime fosse qualificado como feminicídio, tornando a pena aplicada ao réu ainda mais rigorosa.

    A audiência de julgamento ocorreu em segredo de justiça. Por motivos de segurança e para resguardar as testemunhas, incluindo a criança, a juíza Maria da Graça Giulietta Cardoso de Carvalho Starling solicitou o esvaziamento da sala, em atendimento a pedido da defesa. Foram ouvidas três testemunhas de acusação, além do réu, em uma audiência longa, que teve início às 13h e seguiu até 1h de quinta-feira (18/07).

    Fora da invisibilidade

    Em sua fala no plenário, a defensora pública Pollyana Vieira, coordenadora do Nudem, que atuou como assistente de acusação, pontuou a necessidade de se qualificar o crime como feminicídio, para que as mortes anunciadas de mulheres envolvidas em um contexto de violência doméstica deixem a invisibilidade e comecem a não ser mais toleráveis pela sociedade. A defensora falou também sobre a dificuldade da mulher sair do ciclo de violência. 

    A promotora de Justiça do Ministério Público, Lilian Nara Pinheiro de Almeida pediu aos jurados a condenação do réu. Condenado, o homem saiu do fórum já preso.

    Família

    “Nós acreditamos que a sentença foi pouca, mas foi suficiente para ser feita a justiça, sim. Pois ele se encontrava em liberdade, e só de saber que ele voltou para o lugar de onde não devia ter saído, já ficamos bem aliviados. Nossa luta foi intensa, e esperamos três anos por justiça. Acho que a Defensoria foi bastante competente, a defensora lutou por uma justiça justa, e confiamos muito nela”, declarou uma das irmãs da vítima, após o julgamento.



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