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    Guerra na FDN


    Vídeo: Traição, sexo e poder:‘racha na FDN’ que virou massacre no AM

    Entenda o triângulo amoroso considerado o estopim para a briga de traficantes pelo comando do tráfico de drogas no Amazonas

    | Foto: Imagem meramente ilustrativa

    Manaus - A disputa pelo poder do tráfico de drogas, dinheiro e triângulo amoroso foram o estopim para o "racha" entre membros da facção criminosa Família do Norte (FDN), lideradas pelos narcotraficantes João Pinto Carioca, o "João Branco", e José Roberto Barbosa Fernandes, conhecido como "Zé Roberto da Compensa". O resultado: a rebelião nos dias 26 e 27 de maio deste ano, que resultou na morte de 55 detentos dentro sistema prisional de Manaus.

    Os palcos dos massacres foram o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), o Instituto Prisional Antônio Trindade (Ipat) e o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), ambos no quilômetro 8 da BR-174, além da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste da capital. O motim iniciou durante o horário de visitas e alguns parentes de presos precisaram ser retirados rapidamente do local, porém alguns detentos foram mortos na frente dos familiares. 

    Após o massacre, o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), passou a investigar as mortes durante dois meses. Ao longo da última sexta-feira (27), a operação "Guará" cumpriu 16 mandados de prisão envolvendo pessoas ligadas aos assassinatos no sistema carcerário, e nas prisões de quatro pessoas em flagrante. 

    O resultado das investigações foi divulgado nesta quinta (1º), pela Polícia Civil do Amazonas
    O resultado das investigações foi divulgado nesta quinta (1º), pela Polícia Civil do Amazonas | Foto: Josemar Antunes/Em Tempo

    As prisões ocorreram nos estados do Maranhão (MA), Piauí (PI), Rio Grande do Norte (RN) e Santa Catarina (SC). Entre os presos estão os irmãos de "Zé Roberto", Maria Cléia Fernandes Barbosa, de 45 anos, e Charles dos Santos Rodrigues, de 29 anos, o "Charles BB", além de Marcelo Frederico Laborda Júnior, de 29 anos, conhecido como "Marcelinho", que é esposo de Maria Cléia. 

    Segundo a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), o trio foi preso em Florianópolis (SC). “Charles já possui um mandado de prisão em aberto e era fugitivo do sistema prisional. Maria Cléia possui processos por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ela chegou a ser presa no dia 8 de junho de 2010, sendo condenada a pena de quatro anos e seis meses de reclusão em regime fechado”, informou a instituição, por meio da assessoria. 

    Maria Cléia, Charles e Marcelo ficarão sob a custódia da Polícia Federal de Santa Catarina até serem transferidos para Manaus. 

    O "Racha"

    De acordo com o delegado Sinval Barroso, diretor do DRCO, o "Racha da FDN" foi liderado por Maria Cléia. Ela é apontada por recrutar soldados para matar Magdiel Barreto Valente, o "Magnata", cujo corpo foi encontrado no município de Caxias (MA), distante 80 quilômetros de Teresina, capital do Piauí. 

    Registro do massacre ocorrido no Compaj
    Registro do massacre ocorrido no Compaj | Foto: Divulgação

    "Magdiel foi convidado para participar de um assalto, estimado em R$ 20 mil. Ao chegar em Teresina, ele foi torturado e obrigado a determinar, em vídeo, que os demais membros passassem a seguir "Zé Roberto da Compensa", caso contrário seriam mortos. O vídeo foi compartilhado nas redes sociais para servir de exemplo. Além disso, Maria Cléia descobriu que Sheila tinha relacionamento amoroso com o marido dela e com Magdiel. A partir daí ela liderou o movimento para a divisão da facção criminosa", disse a autoridade policial.

    Triângulo amoroso 

    Investigações da polícia apontam que "Magnata" era amarante e segurança pessoal de Sheila Maria Faustino Peres, esposa do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”. Ela foi presa no dia 10 de julho deste ano, por agentes da Polícia Federal (PF), quando tentava embarcar, com familiares, do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, em um voo para a cidade de Barcelona, na Espanha. 

    O delegado Mário Júnior, adjunto do DRCO, informou que as investigações ocorreram por meio de produção de provas, envolvendo pessoas na trama das mortes nos presídios, além da motivação. 

    55 presos foram mortos na última chacina em maio deste ano no AM
    55 presos foram mortos na última chacina em maio deste ano no AM | Foto: Divulgação

    "Até essa fase, conseguimos identificar as pessoas que participaram dos assassinatos dentro das unidades prisionais e também o motivo. O assassinato do ‘Magnata’ partiu da cúpula da FDN. Pessoas ligadas ao "Zé Roberto", que tinham interesse na divisão, pretendiam retirar de circulação quem pudessem impedir a sucessão de uma nova liderança. No vídeo, "Magnata" foi obrigado a falar que um líder da facção estava traindo e não era confiável por matar outros integrantes da sociedade criminosa", declarou. 

    Prisões 

    Durante a operação "Guará", ainda foram presos Andreza Rodrigues Lobo, de 34 anos, Leandro dos Santos Chaves, de 25 anos, e Rômulo Raphael dos Santos Morais, de 27 anos. Eles foram capturados na cidade de Natal (RN), em posse de drogas. 

    Em ato contínuo, foram presos na cidade de Teresina (PI), Daniel Fernandes Benvindo de Souza, de 21 anos; Franco Jorge da Conceição, de 31 anos; Ivone de Araújo Mutimo, de 38 anos; Marcilena Sanches Pereira, de 44 anos; Rachel Barbosa de Oliveira, de 37 anos; Romário Ramalho Pinto, de 25 anos, e Sinélia Silva Prata, de 48 anos. 

    Já em São Luís (MA) foram cumpridos mandados de prisão preventiva para José Lobo Rodrigues, de 36 anos, e Marlison Prata Mutimo Silva, de 22 anos. 

    Além dos presos, foram apreendidos R$ 40 mil, armas de grosso calibre [submetralhadoras, pistolas e revólveres], dois carros, uma motocicleta, um notebook, nove celulares e dez quilos de entorpecentes. 

    A Polícia Civil ainda investiga outros motivos e mais pessoas investigadas deverão ser presas.

    Edição: Isac Sharlon

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Assista a reportagem | Autor: Bárbara Mitoso/ TV Em Tempo
     





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