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    Abuso de autoridade


    Vídeo: dois jovens são mortos por PMs no interior do AM em 22 dias

    Abordagem utilizada por policiais, que provocou a morte dos jovens, vai contra o projeto que trata de abuso de autoridade da Câmara dos Deputados

    Nos dois casos, os jovens foram atingidos pelas costas durante ações policiais. | Foto: Reprodução

    Manaus - No período de 22 dias, dois jovens foram assassinados com tiros policiais militares no interior do Amazonas. Nos dois casos, os PMs suspeitos de cometerem os crimes foram afastados das funções. Um deles foi preso e já tinha histórico sobre abuso de autoridade. Ambos jovens foram atingidos por tiros de costas pelos policiais militares.

    Sharley Júnior

    Na madrugada de 28 de julho deste ano, no município de Jutaí (distante 749 quilômetros de Manaus), o jovem Sharley Fermin Júnior, de 19 anos, morreu após ser atingido com um tiro nas costas. Mesmo ferido, ele ainda conseguiu pilotar o veículo por três quilômetros, porém acabou caindo no chão.

    De acordo com informações de moradores da região, o jovem teria, durante uma abordagem policial, desobedecido a ordem de um policial militar, que acabou disparando três vezes. Um dos tiros atingiu as costas do jovem, que fugia em uma motocicleta.

    Moradores nas proximidades da praça do Seringueiro, onde o jovem caiu, o socorreram e o levaram para o hospital mais próximo. No entanto, Sharley morreu na unidade hospitalar.

    Thalia Oliveira

    A estudante amazonense de psicologia, Thalia Oliveira, de 18 anos, morreu na madrugada deste domingo (18) durante uma ação policial na entrada do município de Rio Preto da Eva (distante 84 quilômetros de Manaus). De acordo com testemunhas, a estudante estava na garupa de uma moto, e o condutor do veículo não respondeu a ordem de parada, após isso o policial deu um tiro de advertência e atingiu a nuca da jovem que morreu no local. 

    Segundo o irmão da vítima, Thalison Luiz, ela estava com um amigo antes da Ponte do Rio Preto da Eva, por volta das 5h30. "As pessoas que estavam próximas a ponte, comentaram que o amigo dela passou direto pela blitz no momento em que um policial efetuou o tiro e acabou atingindo o pescoço da Thalia", declarou Thalison.

    Polícia Militar

    Em nota, o Comando Geral da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) informou que o fato envolvendo os PM estão sendo apurados pela Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD), que abriu um procedimento administrativo. 

    Os militares foram ouvidos pela Polícia Civil dos municípios, já estão afastados de suas funções, respondem por Inquérito Policial Militar (IPM) e serão transferidos das unidades policiais a que estão subordinados

    A Polícia Militar reforçou, ainda, que "não compactua com abusos e excessos que contrariem a lei e a ordem, prezando sempre pelo bem comum, com o dever de servir, proteger e preservar os direitos individuais e coletivos, e que todos os elementos apresentados durante o processo investigatório serão apurados da forma transparente que o caso requer".

    Lei de Abuso de Autoridade

    Na última sexta-feira (16), a Câmara do Deputados enviou ao presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), o projeto aprovado, que trata do abuso de autoridade. A partir dessa data, o presidente tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar — total ou parcialmente — a proposta. Se houver veto, o Congresso ainda pode derrubá-lo. Bolsonaro tem sido bastante pressionado a vetar o projeto, construído por Renan Calheiros e pelo ex-senador Roberto Requião.

    A lei tipifica mais de 30 condutas  como abuso de autoridade. Dentre elas, a que prevê como crime, se um juiz ordenar condução coercitiva de um investigado sem a devida comunicação do mesmo.

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Assista a reportagem | Autor: Alex Costa/ TV Em Tempo
     


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