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    Homicídios


    Vídeo: em sete anos, o Amazonas teve mais de 9 mil assassinatos

    Dados foram divulgados na terça-feira (10) pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que revelou uma queda de homicídios em alguns estados brasileiros

    Casos de homicídios foram registrados em diversas zonas da capital amazonense e também no interior do Amazonas | Foto: ARQUIVO AET

    Manaus- O Amazonas registrou 9.594 mortes violentas intencionais nos últimos sete anos, segundo o 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que foi divulgado na terça-feira (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo revela que o Estado é o segundo mais violento na taxa de assassinatos da Região Norte, apesar de a quantidade os índices de homicídio estarem reduzindo ao longo dos anos.

    O documento mostra que ter uma única facção dominante foi relevante para que as curvas de homicídio baixassem no Amazonas (FDN) e no Mato Grosso (Comando Vermelho). O crime nesses estados é controlado por duas facções, que dominam territórios com armas. Ainda que não haja guerra aberta entre facções nesses estados, as taxas médias são muito mais elevadas do que onde o Primeiro Comando da Capital (PCC) é hegemônico no universo criminal. É simples entender o porquê. CV e FDN controlam seus territórios com armas, o PCC, não. Para a polícia entrar em território armado, há tiroteio.

    O estudo explica que se a facção quiser crescer seu negócio para outros estados, ela precisa ocupar o território de outra, e instalam-se guerras (inclusive contra o PCC em diversos estados). Se há mortos nessas guerras, haverá vingança, e aumentam os homicídios no Grupo 1. Mesmo que haja hegemonia de uma facção armada em um estado, portanto, nesse modelo o patamar dos homicídios tende a ser mais alto do que sob hegemonia do PCC, que prima por regular mercados e controlar o uso do armamento, sem domínio territorial armado. Os mecanismos de justiça internos à facção, além disso, tenta romper as cadeias de vingança a todo custo.

    Roubo de veículos

    O estudo também mostra que em 2017, os “surtos” de roubo de veículos (variações bruscas e temporárias na quantidade de crimes) mais notáveis ocorreram no Rio de Janeiro, Pernambuco e Amazonas, neste último registrou 4.597 casos desta natureza, no entanto, em 2018 ocorreu uma redução significativa, e apenas 3.080 carros foram roubados no Estado. Em todo caso, observamos crescimento no Acre de 2018 para 2019, assim como em Rondônia e Amapá, sugerindo uma concentração de crescimento na Região Norte– não obstante as quedas em Tocantins e Amazonas.

    Pedestres assaltados

    Nos casos de roubos a pedestres em 2017 e 2018, o anuário de segurança pública registrou um crescimento aqui no Amazonas, onde mais de 61 mil casos foram computados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

    Registro no Brasil

    O Brasil registrou 57.341 mortes violentas intencionais em 2018, redução de 10,43% em relação ao ano anterior, quando o número chegou a 64.021. O total de 2018 é o menor desde 2013 (55.847 casos).

    A taxa de homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes chegou a 27,5 no país em 2018, enquanto em 2017 era de 30,8 – uma redução de 10,8%. No recorte por unidades federativas, as maiores taxas estão em Roraima (66,6), no Amapá (57,9), no Rio Grande do Norte (55,4) e no Pará (54,6). Já as menores foram registradas em São Paulo (9,5), Santa Catarina (13,3), Minas Gerais (15,4) e no Distrito Federal (16,6).

    O estudo associa a taxa de homicídios em Roraima e no Amapá à atuação de facções criminosas nessas regiões.

    “Em Roraima, onde essa guerra entre PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e grupos locais ainda não se resolveu, muito pelo contrário, as taxas de homicídios dolosos subiram 227% nesta década”, revela o anuário de segurança

    No caso do Amapá, o anuário destaca o cenário como “ainda mais dramático”. Os dados mostram que a taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes cresceu 1.100% em sete anos. “Serviços de inteligência atestam a existência de sete facções criminais no estado, ainda em guerra no início de 2019”, aponta o estudo.

    Taxas mais baixas

    Os estados com taxas de homicídio mais baixas do país, tanto atualmente como na última década, são os estados de São Paulo (redução de 35% da taxa desde 2010, e 70% durante os anos 2000), Mato Grosso do Sul (redução de 10% desde 2010, taxas já baixas na série), Piauí (que vê suas taxas subirem até 2016 e depois apresenta redução consistente), Santa Catarina (taxas baixas na série, em aumento ligeiro até 2017, com redução significativa no último ano), Paraná (redução de 45% desde 2010) e Distrito Federal (redução de 40% nesta década).

    Presença consolidada

    Os trabalhos de Bruno Manso e Camila Dias, do anuário de segurança já demonstraram a presença consolidada do PCC nas cadeias e periferias desses estados, exatamente, e em alguns deles (SP, MS, PR, PI) sua presença hegemônica na regulação criminal. Sabidamente, o PCC implementa mecanismos pragmáticos de redução dos conflitos internos ao universo criminal.

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Assista a reportagem | Autor: Samara Maciel/TV Em Tempo
     


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