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    Detalhes do crime


    Antes de morrer, ‘Barbie’ caguetou família de ‘Zé Roberto da Compensa’

    Investigações da Polícia Civil do Amazonas apontam que o traficante de drogas Marcelo Frederico Laborda, conhecido como "Marcelinho", foi preso, junto com familiares de Zé Roberto, após delações de “Barbie” à polícia

    Após receber uma ligação misteriosa, a jovem foi executada com quatro tiros. Matheus Rogério Machado de Castro foi preso por envolvimento | Foto: Josemar Antunes e Divulgação

    Manaus - O suposto vazamento de "prints" com os nomes de líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), marcados para morrer, pode ter sido o motivo do assassinato da garota de programa Fernanda Caroline Chaves Pinho, de 25 anos, conforme informou a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), nesta quarta-feira (25). Após receber uma ligação misteriosa, a jovem foi executada com quatro tiros na noite da última segunda-feira (23), na rua Lobo D'Almada, no bairro Centro, Zona Sul de Manaus. 

    Segundo a polícia, um dos supostos mandantes da morte de Fernanda é o traficante de drogas Marcelo Frederico Laborda, conhecido como "Marcelinho". Ele foi preso no dia 26 de julho deste ano, no Estado de Santa Catarina (SC), durante a operação "Guará", juntamente com a esposa Maria Cléia Fernandes Laborda e Charles dos Santos Rodrigues, o "BB da Compensa", respectivamente, irmã e sobrinho do narcotraficante José Roberto Barbosa Fernandes, de 47 anos, o "Zé Roberto da Compensa", um dos líderes da FDN. A jovem teria repassado informações à polícia sobre a família do narcotraficante.

    Matheus tem 21 anos e, segundo a polícia, confessou o assassinato
    Matheus tem 21 anos e, segundo a polícia, confessou o assassinato | Foto: Divulgação

    Prisão do assassino

    Em menos de 24 horas, a PC-AM prendeu Matheus Rogério Machado de Castro, de 21 anos, pelo assassinato da garota de programa. Ele foi preso na tarde de terça-feira (24), pelas equipes do 24° Distrito Integrado de Polícia (DIP), Departamento de Polícia Metropolitana (DPM) e Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc). 

    O suspeito foi encontrado na casa da mãe dele, no beco Casemiro, na comunidade do Céu, no Centro, na Zona Sul da capital. O suspeito estava escondido embaixo de uma cama e não resistiu à prisão. 

    Com passagem por roubo e usando tornozeleira eletrônica, Matheus Rogério foi apresentado na manhã desta quarta (25), durante coletiva de imprensa no 24° DIP, na Zona Sul.

    Nas redes sociais, Fernanda usada o nome de "Bárbara Caroline"
    Nas redes sociais, Fernanda usada o nome de "Bárbara Caroline" | Foto: Divulgação

    Motivação do crime

    De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular da unidade policial, o crime foi motivado por brigas de facções criminosas FDN e Comando Vermelho (CV), que disputam o domínio dos pontos de vendas de drogas no Centro de Manaus, incluindo boates e casas noturnas. 

    "Logo depois do crime, descobrimos em campo das investigações que o autor foi identificado como Matheus, membro de uma facção criminosa. Testemunhas repassaram o perfil físico dele, como tatuagens, além das características do tênis que usava no momento do crime, da marca Adidas de cor preta. Matheus estava em uma casa na comunidade Bairro do Céu, onde foi preso escondido debaixo de uma cama", explicou. Confira a reportagem em vídeo, gravada nesta quarta, sobre o caso:

     

    O delegado George Gomes, titular do DPM, informou que a prisão em 24 horas do criminoso se deu por meio das investigações de mortes na Zona Sul. Fernanda era ligada ao CV e foi condenada à morte por um dos líderes de facção criminosa rival por ser x-9. "Marcelinho", que está preso, é suspeito de ser o mandante da morte de Fernanda. 

    "Munidos de informações coordenadas, as equipes policiais chegaram até Matheus Rogério. Fernanda era de uma facção criminosa e decidiu fazer parte de outra. Por conta disso, os líderes entenderam como traição e a condenaram com morte. Fernanda vendia drogas na área e era do CV". Essa ordem partiu realmente de líderes que estão presos", explicou o delegado George Gomes. 

    A jovem foi assassinada na noite da última segunda-feira
    A jovem foi assassinada na noite da última segunda-feira | Foto: Divulgação

    Dinâmica

    O assassinato ocorreu por volta das 23h30, na noite de segunda-feira (23), na rua Lobo D'Almada, no bairro Centro, na Zona Sul de Manaus. A área é conhecida como ponto de prostituição na capital amazonense. 

    Fernanda Caroline estava em uma boate de strip-tease, onde trabalhava, quando recebeu uma ligação misteriosa. 

    Ao chegar no local combinado nas proximidades da boate, Fernanda foi executada com quatro tiros de pistola calibre 380 milímetros, sendo três na cabeça e um nas costas. 

    Após os disparos, Fernanda Caroline não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O autor do crime fugiu a pé pela rua Saldanha Marinho. Imagens de câmeras de segurança dos estabelecimentos comerciais registraram a ação do atirador. 

    Barbie, segundo a polícia, era integrante do Comando Vermelho
    Barbie, segundo a polícia, era integrante do Comando Vermelho | Foto: Divulgação

    Leia também: Vídeo: Traição, sexo e poder:‘racha na FDN’ que virou massacre no AM

    Embora o acusado tenha confessado o crime sem mencionar o nome do verdadeiro mandante, a Polícia Civil conseguiu traçar a dinâmica do assassinato.

    Conforme a polícia, em depoimento, Matheus deu detalhes do crime com frieza. Ele afirmou que o grupo chegou em um carro, e um dos integrantes da facção desceu do automóvel e atraiu Fernanda para um bar, onde ela se sentou. Em seguida, Matheus se aproximou e atirou. A arma não foi localizada e outros suspeitos devem ser presos pelo crime em decorrência de guerra de facções criminosas, acrescentou a PC-AM.

    Ainda conforme informações de uma fonte policial ao Portal Em Tempo, o assassinato de Fernanda Caroline teria sido motivado após membros da FDN descobrirem vazamentos de "prints" com possíveis alvos marcados para morrer. 

    "Barbie estava tramando a morte de um dos líderes da FDN. Os prints foram enviados para a cúpula, que determinou a execução. Ela foi tida como uma "x-9" para a organização", disse a fonte policial. 

    A garota de programa atuava no bairro Centro, Zona Sul de Manaus
    A garota de programa atuava no bairro Centro, Zona Sul de Manaus | Foto: Divulgação

    Fernanda Caroline, a “Barbie”

    “Barbie” como gostava de ser chamada ou "Bárbara Carolina", como se identificava na rede social Facebook, já foi notícia nacional aos 22 anos após se relacionar com um homem natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS).

    Segundo a polícia, Fernanda acabou sendo descoberta como garota de programa envolvida com o tráfico de drogas, quando visitava os familiares do homem. O irmão do namorado dela, Diogo Panke, foi quem descobriu e revelou a identidade de Fernanda após receber uma mensagem do ex-namorado da jovem.

    Acima de qualquer suspeita, a jovem foi presa no Aeroporto Internacional Porto Alegre Salgado Filho, em cumprimento de mandado de prisão aberto por tráfico de drogas, quando tentava embarcar para Manaus. A ordem judicial foi expedida pela Justiça do Mato Grosso do Sul (MS). 

    Fernanda havia sido presa com 40 quilos de maconha, quando transportava o entorpecente do Paraguai para Campo Grande (MS). Ela foi condenada a 5 anos e 10 meses de prisão por tráfico de drogas, mas acabou fugindo do sistema prisional de Campo Grande ao pular o muro durante uma rebelião. 

    A jovem também foi indiciada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por falsidade ideológica. Segundo a polícia, Fernanda usava várias identidades falsas. Na ocasião da prisão no saguão do aeroporto gaúcho, ela estava usando o nome falso de Letícia Oliveira de Souza.

    Na capital amazonense, além de trabalhar como garota de programa, Fernanda era ligada ao tráfico de drogas, conforme levantamento da PC-AM. Ela também era conhecida por fazer "casinha", com objetivo de atrair traficantes rivais para serem executados, e usava peruca loira para dificultar a sua verdadeira identidade.

    Informante 

    Conforme uma fonte sigilosa ao Em Tempo, a jovem, além de ter a lista com os nomes dos integrantes da FDN marcados para morrer, também era informante do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), da Polícia Civil do Amazonas.

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