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    Maus-tratos


    Estupro contra cães preocupa protetores de animais em Manaus

    Protetores são costumeiramente acionados para resgatar cães vítimas de abuso sexual

    Pena para quem comete tal ato é de três meses a um ano de detenção
    Pena para quem comete tal ato é de três meses a um ano de detenção | Foto: Divulgação

    Manaus - O estupro contra cães é uma prática que tem preocupado protetores de animais que atuam na cidade de Manaus. Mesmo não sendo um ato natural, em pleno 2020 ainda são registrados casos como o que aconteceu na última quinta-feira (2), no conjunto Augusto Montenegro, bairro Lírio do Vale, Zona Oeste de Manaus. Lucivaldo Almeida, de 39 anos, foi flagrado estuprando uma cadela. Ele acabou agredido por moradores do local.

    Kennedy Marques que é presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Anjos de Rua disse que os casos de estupros contra cães, geralmente, são cometidos por viciados em drogas e que na ONG é comum receberem relatos desse tipo de crime.

    "Muitas vezes nos relatam que cães teriam sido estuprados, mas quem não tem conhecimento na área pode confundir o abuso sexual com uma doença chamada de Tumor Venéreo Transmissível (TVT). Uma doença que atinge a parte da genitália externa de cães e deixa o local com vermelhidão, característica compatível com o estupro", explicou Marques.

    Casos

    Quem já resgatou uma cadela vítima de estupro conta o drama vivido por esses animais. É o caso da protetora de animais Rose Aguiar, que atua há 7 anos na causa e foi acionada por uma seguidora que pediu resgate para uma cadela que supostamente estaria com TVT.

    "No ano passado, após receber o acionamento, eu fui até o bairro Santo Antônio, na Zona Oeste de Manaus, resgatar a cadela. Quando a levei ao veterinário foi constatado que ela havia sido estuprada. O animal mostrava sinais de que havia sofrido bastante. Não sabemos afirmar se foi por um homem ou se ela teve apenas objetos introduzidos na genitália", contou Rose.

    Há três meses, Meire Brandão - que também é protetora de animais - foi até o bairro Armando Mendes, na Zona Leste de Manaus, para resgatar duas cadelas que seriam abusadas sexualmente por três usuários de drogas da localidade.

    Ameaça

    Meire contou ao Em Tempo que, ao chegar no local, colocou uma das cadelas dentro do carro, mas foi intimidada pelos usuários de drogas que não deixaram que ela levasse o animal.

    "Todos os vizinhos sabiam o que acontecia com as cadelas. Eu queria resgatar e colocá-las para a adoção. Mas fui contida pelos próprios moradores que falaram para que eu não criasse caso com eles e que a atitude seria uma 'corda no pescoço'. Tive que viajar e não sei o atual estado das cadelas. O que fiquei sabendo é que uma delas sumiu", disse a protetora de animais.

    Brandão pediu para que as pessoas que vejam esse tipo de situação denunciem o crime à Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo (DEMA), unidade policial responsável em casos de maus-tratos aos animais.

    Punições

    Questionada pela reportagem sobre quais as punições previstas para quem comete tal tipo de ato, a Polícia Civil do Amazonas informou que, de acordo com a delegada Osmara Barroso, adjunta da Dema, é crime abandonar e maltratar animais. O responsável pode responder pelo crime previsto no Artigo 32 da Lei n° 9605/98, de crimes ambientais.

    Segundo a delegada, o abuso sexual é uma das condutas que tipificam o crime de maus tratos a animais e a pena é de três meses a um ano de detenção, além de multa, podendo ter aumento da pena se o animal vier a óbito.

    A adjunta da Dema destacou que a população pode denunciar por meio do número: (92) 3239-3870, ou ir até à sede da especializada, situada na travessa Hermes Fontes, segunda etapa do bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus.

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