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    Caso Kimberly


    Da morte à prisão: veja tudo sobre o caso da miss Kimberly, em Manaus

    O caso da Miss Manicoré chocou a sociedade amazonense e ganhou repercussão mundial, com uma fuga quase que cinematográfica do principal suspeito, namorado da vítima. Veja o passo a passo desse que é um dos feminicídios que entrou para a história de Manaus

    Linda e com muitos sonhos, Kimberly sonhava em ser a próxima Miss Amazonas
    Linda e com muitos sonhos, Kimberly sonhava em ser a próxima Miss Amazonas | Foto: Reprodução

    Manaus - Os desdobramentos da morte da Miss Manicoré Kimberly Karen Mota, de 22 anos, foram acompanhados, passo a passo, pela sociedade manauara. Desde o desaparecimento no último domingo (10), o encontro do cadáver na madrugada de terça-feira (12), os mistérios do paradeiro e a fuga cinematográfica de Rafael Fernandes Rodrigues, de 31 anos, estamparam as capas dos jornais e portais, inclusive ganhou repercussão internacional, mobilizando policiais além da fronteira.

    O Em Tempo separou os principais acontecimentos da investigação criminal até a prisão de Rafael, que aconteceu na tarde desta sexta-feira (15), em Roraima. 

    Desaparecimento

    Após Kimberly Mota sair da casa de uma amiga, na noite do último domingo (10), Dia das Mães, e não dar mais notícias, amigos e familiares começaram a ficar preocupados com a miss. Ela era acostumada a responder os amigos e a ligar avisando quando dormiria fora de casa.

    "Passar horas offline e sem atender ligações não era hábito de Kimberly Mota", disse um dos amigos de Kim à imprensa.

    Kimberly entra no carro de Rafael no domingo | Autor: Divulgação
     


    Horas antes de "desaparecer", a miss homenageou a mãe nas redes sociais. Ela usou fotos com a matriarca tirada durante o concurso Miss Amazonas de 2019, do qual ela ficou entre as finalistas. 

    "Não existe amor como o nosso, e nem palavras que expressem a admiração que sinto por você. Obrigado por estar sempre ao meu lado! Te amo, saudades aperta o coração", diz a mensagem. 

    Amigos logo divulgaram nas redes sociais a imagem da jovem, ao lado do namorado Rafael - que também "evaporou" do mapa. O tio dela chegou a ir até o apartamento de Rafael, ainda no domingo, mas não foi atendido. Apreensivos, ninguém que conhecia Kimberly imaginava o que estava por vir.

    O comunicado de desaparecido logo ganhou as redes sociais
    O comunicado de desaparecido logo ganhou as redes sociais | Foto: Reprodução

    Encontro do corpo

    O cadáver de Kimberly foi encontrado na madrugada de terça-feira (12), no apartamento de Rafael, ex-namorado dela, localizado na Avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus. A vítima apresentava perfurações de arma branca no pescoço e no abdômen. Ela estava seminua e jogada no chão do quarto, onde passou noites felizes ao longo dos últimos dois meses. Kimberly não esperava que ali seria o seu último suspiro de vida.

    O estranho é que Rafael não foi encontrado no local e não foi visto pelos vizinhos. No quarto, pegadas grandes foram encontradas no meio do sangue da jovem, indicando que o assassino era um homem.

    A polícia, após ver as imagens das câmeras de segurança do prédio, começou a tratar Rafael como o principal suspeito.

    Crime Passional

    Após a notícia da morte de Kimberly,  a Polícia Civil do Amazonas passou a investigar qual seria a motivação para o auxiliar judiciário do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) matar a namorada, do qual não queria se separar. Ele, que já foi casado, não aceitava o término do relacionamento e pediu para ver Kim no dia do desaparecimento, com o suposto objetivo de reconquistá-la.

    O casal estava junto há 2 meses
    O casal estava junto há 2 meses | Foto: Divulgação


    "Ele não aceitava a decisão da Kimberly, pois eles tinham esse relacionamento que ela pôs fim. Como ela foi morta a facadas, acreditamos que houve uma briga entre os dois", disse a delegada Zandra Ribeiro, adjunta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), ainda na terça-feira. 

    Fuga do condomínio

    A Policia obteve imagens de Rafael Fernandes Rodrigues, no elevador do condomínio, deixando o local após o crime. Ele trocou de roupas e, por volta das 1h30, da última segunda-feira (11), quase 24 horas antes do corpo ser encontrado, ele fugiu dirigindo o seu carro de luxo, um Audi branco.

    Ele aparece no elevador vestindo calça preta, blusa moleton escura com detalhes rajados, boné e está calçando tênis preto. 

    Rafael é flagrado saindo sozinho do apartamento, logo após o crime
    Rafael é flagrado saindo sozinho do apartamento, logo após o crime | Foto: Divulgação


    Pedido de transferência

    Bem empregado e ganhando cerca de 17 mil reais no gabinete de um dos desembargadores, ninguém imaginava que Rafael Fernandez fosse capaz de cometer um crime tão violento. Quatro dias antes de matar a namorada e fugir, ele havia cadastrado um pedido de permuta para transferência de local de trabalho. 

    No pedido, Rafael - que é paulista - pedia transferência para qualquer cidade do Sul ou do Sudeste. O pedido levantou a suspeita de que ele teria arquitetado o crime para depois fugir e viver em outro lugar. A hipótese foi descartada pela polícia um dia depois.

    Kimberly entra no elevador com Rafael horas antes de ser morta
    Kimberly entra no elevador com Rafael horas antes de ser morta | Foto: Divulgação


    Prisão Temporária

    No início da noite de terça-feira (12), o Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam), por meio do juiz George Hamilton Lins Barroso, expediu o mandado de prisão temporária em nome de Rafael. Com a ordem judicial a caçada ao principal suspeito da morte de Kimberly ganhou força total. No momento em que fosse localizado, poderia ser preso por qualquer equipe policial.

    Entrada em Roraima e acidente de trânsito 

    Ao longo da análise de imagens de câmeras de segurança, foi constatado a passagem de Rafael pelo posto de fiscalização de Jundiá, na divisa entre Amazonas e Roraima, às 5h50 de segunda-feira (11). As imagens flagraram o veículo ultrapassando a fiscalização.

    Rafael passa em posto da PRF | Autor: Divulgação
     


    "Intensificamos as investigações e constatamos que, ao longo da rodovia federal BR-174 até Boa Vista, não havia, em outras câmeras de segurança, a imagem desse veículo. Posteriormente, recebemos a informação do acidente de um carro modelo Audi, de cor branca, e placa PHH-7B39, e confirmamos que o veículo  pertencia a Rafael Fernandes. Ele sofreu um acidente na curva do Parque Nacional Viruá", informou o delegado-geral da Polícia Civil de Roraima.

    Carona e chegada a Pacaraima

    Na quinta-feira (14), o delegado Paulo Martins, titular da DEHS afirmou que a polícia tomou conhecimento que após o acidente, Rafael pediu ajuda a um caminhoneiro que o levou até Caracaraí, onde ele pegou um táxi e foi para Boa Vista.

    Lá, o jovem de 22 anos sacou dinheiro na rodoviária e, posteriormente, pegou outro táxi em direção a Pacaraima. 

    Força-tarefa e prisão de Rafael

    As equipes do grupo de resposta imediata da PC-RR, juntamente com as equipes de Pacaraima, Bonfim, Polícia Rodoviária Federal, Divisão de Inteligência e Captura (Dicap), Polícia Militar de Roraima e PC-AM, fizeram  um trabalho conjunto e de inteligência com as forças de segurança da Venezuela. Foram realizadas buscas em vários locais, como hotéis e pousadas, onde Rafael poderia estar.

    Polícia de Roraima prende Rafael e venezuelanos | Autor: Divulgação
     


    A DEHS trabalhou com a possibilidade de que Rafael tentasse entrar na Venezuela, para chegar até a Espanha, onde tem familiares. Após denúncias anônima, as equipes de segurança foram nesta sexta-feira (15) até a invasão Morro Do Quiabo, onde Rafael estava escondido em um casebre

    Com ele, a polícia apreendeu dois venezuelanos que estavam ajudando o suspeito a se esconder. Rafael foi conduzido ao prédio da Delegacia de Pacaraima, onde aguarda a chegada dos policiais civis da DEHS para ser recambiado a Manaus. A chegada dele na capital amazonense está prevista para a noite de sábado (16).

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