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    Vereadores de Manaus aumentam verba de gabinete para R$ 60 mil em 2019

    O reajuste custará aos cofres públicos mais de R$ 29 milhões por ano, uma vez que o parlamento municipal conta com 41 vereadores

    O acréscimo estava previsto desde dezembro de 2016 | Foto: Divulgação

    Manaus - A partir deste mês, os 41 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) terão um “plus” de R$ 12 mil de verba de gabinete, o que fará o benefício saltar de R$ 48 mil para R$ 60 mil.

    O acréscimo para 2019 estava previsto desde dezembro de 2016, quando a matéria que propôs a redução em 20% do valor foi aprovada em sessão extraordinária.

    À época, justificou-se que a diminuição foi aprovada por conta da crise econômica por que o país passava e valeria para os anos de 2017 e 2018.

    Em números, só o reajuste terá um impacto de quase R$ 6 milhões por ano aos cofres públicos. Todo o benefício gerará um custo de R$ 29,5 milhões anuais.

    Questionado sobre o assunto, o presidente da CMM, vereador Joelson Silva (PSDB), desconsiderou os números. Ele afirmou que não houve aumento e que o valor reduzido apenas voltou para o valor correto.

    “Quando a redução foi aprovada, ficou definido que o valor retornaria ao que já era (R$60mil) dois anos depois”, explicou.

    Na prática, a partir de janeiro, cada gabinete poderá nomear no mínimo 20 pessoas e no máximo 40. Anteriormente eram no mínimo 15 e no máximo 30 assessores, com salários que variam entre R$ 678 e R$ 2,6 mil.

    Questionado sobre o assunto, o vereador André Luiz (PTC) afirmou que não estava sabendo do aumento, mas que pretende gerar mais emprego com esse acréscimo. “Eu acho até melhor.

    Com a possibilidade de contratar 40 pessoas, irei empregar mais pais de família em meu gabinete, como líderes”, disse.

    Já o vice-presidente da Casa, Hiram Nicolau (PSD), pretende valorizar os assessores que já estão com ele.

    “A CMM decidiu sobre esta redução num momento em que o país passava por uma recessão e, agora, minha intenção é ajudar aqueles que sempre estiveram comigo”, informou.

    Desconexão com a realidade

    Para o advogado eleitoral e cientista político Carlos Santiago, o aumento nada mais é do que uma tendência expressa pelo judiciário, Câmara Federal e Assembleias, desde que foi aprovado, no ano passado, o reajuste de 16,38% no salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que é o teto do funcionalismo público.

    Na opinião de Santiago, o reajuste se contradiz com o discurso dos órgãos públicos que afirmam não ter dinheiro em caixa para ajudar, por exemplo, as famílias que ficaram desabrigadas após o incêndio ocorrido no bairro Educandos, Zona Centro-Sul de Manaus, no dia 7 de dezembro.

    “Nós estamos dentro de um contexto de irresponsabilidades dos homens públicos desses país. Todos eles aderiram a terem reajustes. Enquanto há acréscimos absurdos, o salário mínimo tem pouco aumento e o país continua com 12 milhões de pessoas desempregadas e 15 milhões em extrema pobreza”, informou.

    O especialista considera, além de irresponsabilidade, que o uso da verba pública poderia ser destinado a programas sociais. “Parece que estes homens públicos vivem em outro mundo, num mundo só deles.

    O Brasil reproduz o próprio Brasil. Os órgãos públicos estão com cofres cheios, e a maioria da população na pobreza”, acrescentou. Além disso, ele acredita que o país ainda se recupera economicamente e passa por uma crise moral e institucional, o que deveria levar a adiar um reajuste como esse.

    Confira a reportagem da TV Em Tempo:

    Confira a reportagem | Autor: TV Em Tempo

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