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    Balanço


    Wilson Lima enfrenta crises no 1º mês de governo: e o que vem por aí?

    Passados os primeiros trinta dias, o Em Tempo resumiu as turbulências que o governador de primeira viagem teve que enfrentar. A saúde deve continuar tirando o sono de Wilson

    Para especialista Wilson tem vontade política, mas falta experiência
    Para especialista Wilson tem vontade política, mas falta experiência | Foto: Ione Moreno


    Manaus - O jornalista Wilson Lima (PSC) completou um mês à frente do governo do Amazonas, dando as primeiras impressões do que pode ser a sua gestão. De cara, Lima passou a enfrentar grandes "fantasmas", como a crise de pagamentos na saúde pública, com dívida que supera R$ 1 bilhão. As contas do Estado estão no vermelho e o déficit chega a mais de R$ 3 bilhões. 

    Empossado no início de janeiro, Lima já entrou sabendo que herdaria das gestões anteriores um cenário difícil no que diz respeito a gestão do governo estadual. Problemas antigos, como a pavimentação da BR-319, e outros mais recentes, como a crise na saúde, passam de governo a governo sem uma solução eficaz. De lá para cá, na dança das cadeiras, o Amazonas já teve três governadores diferentes. José Melo, David Almeida e Amazonino Mendes empurraram as dificuldades causadas com os desfalques descobertos pela Operação Maus Caminhos.

    Desde o início, Lima trata como prioridade o setor da saúde, tanto que a pasta ficou sob o comando do vice-governador Carlos Almeida. Por outro lado, mesmo demonstrando bastante vontade política, Wilson enfrenta uma oposição e uma mídia incansável que não poupam críticas ao governador de primeira viagem. 

    Receita e despesas 

    Além da crise política, os maiores problemas passam pelas contas que não estão fechando. A exemplo das despesas com pagamento de pessoal no Governo do Estado, que de 2010 a 2017 aumentaram 91%, enquanto as arrecadações aumentaram apenas 61%. O déficit no funcionalismo público é de 30%. Para este ano, os gastos já vão aumentar em R$ 30 milhões só com folha salarial. 

    Em números totais, o deputado Serafim Corrêa (PSB) alertou em seu primeiro discurso de 2019, na Aleam, que em 2010 o custo de pagamento com pessoal era de R$ 2 bilhões, e saltaram para R$ 6 bilhões em 2018. Um crescimento que supera 112%. 

    Juntando todos os setores, o Governo do Estado do Amazonas soma uma dívida que supera R$ 3 bilhões. O próprio Wilson Lima revelou também na Aleam que para este ano os gastos ainda devem aumentar em R$ 30 milhões. Porém, mesmo com pouco tempo de governo, a população já cobra uma solução para a “bronca” que Wilson assumiu.  

    Wilson enfrenta uma sequência de crises e tenta driblar os problemas no seu primeiro mês no cargo
    Wilson enfrenta uma sequência de crises e tenta driblar os problemas no seu primeiro mês no cargo | Foto: Malika


    Rombo na saúde 

    O setor que Wilson Lima enfrenta maior dificuldade é o da saúde, que tem uma dívida que chega a R$ 1,1 bilhão. A pressão para honrar os antigos e os atuais compromissos de contrato da Secretaria de Estado de Educação (Susam)  vieram de todos os lados. Wilson terá que conviver com ameaças e até greves caso não cumpra as agendas de pagamento, que inclusive já foram cobradas pelas empresas terceirizadas que prestam serviços em hospitais do Estado. São 14 empresas ao todo. A dívida somente com elas é mais de R$ 100 milhões.

    Como já foi dito, Wilson tratou desde o início a saúde como uma das prioridades e de imediato conseguiu a liberação R$ 50 milhões para iniciar os pagamentos. Em números totais, o aporte reservado para a saúde deve chegar próximo dos R$ 100. Mas até o momento, os quase R$ 65 milhões - anunciados pela Susam para os pagamentos - não acalmaram os ânimos das empresas terceirizadas.

    Em um discurso inflamado, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Terceirizados da Saúde no Amazonas (Sindipriv-AM), Graciete Mouzinho, disse que o valor não cobre nem metade da dívida total. São quase cinco meses de salários atrasados, contando os últimos quatro meses de 2018 e o mês de janeiro de 2019.

    “Apostamos no novo [governo], mas está sendo pior que o antigo”, declarou.  

    Calmaria?

    Não tão grave quanto a saúde, mas também capaz de tirar o sono do governador será a educação, que após turbulências enfrentadas por Amazonino Mendes, no segundo semestre de 2018, o setor teve nos último meses um período de calmaria. Mas o sossego de Wilson Lima não deve durar tanto.

    Na última terça-feira, na Aleam, um grupo de professores já realizou a primeira manifestação. Os profissionais cobravam a derrubada do veto sobre a Lei de transparências dos gastos com a educação e o uso dos recursos do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica). 

    Além da educação, a segurança pública vai exigir da nova gestão estadual esforços redobrados, principalmente em combate ao narcotráfico que avança sobre a capital e interior. As facções criminosas e o crime organizado são os principais causadores da guerra civil por território de comércio de entorpecentes - que até a metade de 2018 contribuiu com a maior parte do número total de homicídios.

    Wilson se demonstrou reativo aos problemas e disposto a procurar caminhos para resolver esses problemas de forma lúcida, mas a todo momento com opositores e credores do Estado "na porta", especialistas políticos aguardam para ver qual será a reação do novo governador.

    .Na abertura do ano letivo de 2019, Lima se comprometeu em melhorar os índices da educação básica do Amazonas, que caiu sete posições. O Estado saiu da 9ª colocação e caiu para 16ª posição entre 2015 e 2017, e não alcançou a média mínima do último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). 

    Para a segurança, Wilson Lima declarou luta contra o narcotráfico e reforço do policiamento nas ruas, com 3 mil pistolas 9 mm, no lugar das atuais PT 40, e mais 500 espingardas nas mãos dos policiais. Além de equipar a equipe Rocam da Polícia Militar com motos. Porém, enquanto as medidas não são tomadas, o tráfico continua avançando. 

    O governador tem motivos para se preocupar
    O governador tem motivos para se preocupar | Foto: Ione Moreno


    Avaliação

    O doutor em ciência política e professor, Helso Ribeiro, avaliou que neste primeiro mês de mandato, como de costume ,Wilson Lima tenta ver onde está a “bagunça da casa”.

    “Nós temos que ver o Wilson Lima como alguém que nunca ocupou um cargo público. Então as dificuldades se multiplicam porque ele não tem intimidade”, comenta. 

    Um fator que vale ressaltar também, lembra Ribeiro, é que como em todo mês de janeiro a nova equipe de deputados da Aleam ainda não havia assumido os cargos, Lima estava "engessado".

    Por esse motivo, o especialista acredita ser extremamente precipitado fazer uma julgamento crítico antes dos primeiros cem dias do governo dele.

    "Ainda é bastante cedo, mas pude perceber de positivo que ele [Wilson] tem uma vontade de manter um canal aberto com a sociedade. De negativo, eu vejo a pouca experiência administrativa, isso será um grande desafio para ele. Uma análise maior somente no decorrer do mandato", finalizou.

    Modelo falido

    O deputado estadual Serafim Corrêa não poupou críticas ao atual modelo de saúde pública do Amazonas. Segundo ele, a contratação de empresas terceirizadas é impossível de sustentar financeiramente porque é um sistema de saúde privado, que gera valores absurdos impagáveis. Ele diz que o atual modelo é impossível de corresponder com recursos públicos. 

    Um dos argumentos do deputado Serafim é que tem que cortar as cooperativas que estão alugando mão de obra. Segundo exemplo de Corrêa, para o serviço de um auxiliar de raio-x, a empresa cobra R$ 300 e ele [funcionário terceirizado] ganha R$ 60.

    "Aí é a mais-valia do Karl Marx. Exploração do homem pelo homem, e o cidadão comum que quer a saúde e não tem. O Amazonas deveria gastar 12% de sua receita líquida com saúde, mas gasta 24%. Ou seja, gasta o dobro e não tem saúde. Esse modelo está completamente errado", criticou o deputado. 

    Solução SUS

    Para o deputado, a solução para a saúde do Amazonas seria a implantação do SUS, que há mais de 30 anos já deveria ter acontecido. O que deveria acontecer imediatamente por meio de amplo concurso público em 90 dias.

    "Os defensores do SUS no Amazonas sempre foram marginalizados, mas este é o momento de implantar o verdadeiro modelo de saúde pública e não esse modelo privado que está aí. Devemos realizar concurso público geral para se ter um quadro de qualidade para exercer a ideologia do SUS", completou Serafim Corrêa.      

    Pauta e edição: Bruna Souza

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