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    Dia das Mães


    Mamães na política: obrigações no parlamento e cuidados com filhos

    Parlamentares amazonenses contam suas experiências na conciliação da maternidade e atuação política

    Apesar do ofício ser diferente da maioria das mulheres, o sentimento e as preocupações são os mesmos
    Apesar do ofício ser diferente da maioria das mulheres, o sentimento e as preocupações são os mesmos | Foto: divulgação


    Manaus - Ser mãe é um desafio diário, mas unir a maternidade com a vida política tem suas particularidades. Neste domingo (12), quando o país comemora o Dia das Mães, o EM TEMPO conversou com mulheres que já estão exercendo seus mandatos parlamentares sobre como encaram a rotina materna e a atuação política.

    Reeleita deputada estadual no ano passado, Alessandra Campêlo (MDB) divide as funções de parlamentar, vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e presidente da Comissão da Mulher, da Família e do Idoso com a maternidade. Mãe de Sophia, de 22 anos, e Antônio, de 17, ela conta que, apesar do ofício ser diferente da maioria das mulheres, o sentimento e as preocupações são os mesmos.

    “Como a maioria das mulheres que trabalham fora, com as mulheres parlamentares não poderia ser diferente. Enfrentamos a famosa dupla ou tripla jornada de trabalho, nos preocupamos com a saúde e educação dos filhos. Todas as preocupações que as mães têm, nós parlamentares compartilhamos. Isso sem contar com os ofícios que ainda recaem sobre nós mulheres”, diz.

    Apesar dos compromissos, a parlamentar diz fazer questão de incluir atividades simples, mas essenciais, principalmente com o filho mais novo, que ainda está no colégio. Além disso, ela destaca a responsabilidade com todas as mães do Estado, ao apresentar e aprovar medidas que as beneficiem.

    “Todos os dias, às 6h15 da manhã, coloco o café da manhã do meu filho na mesa, que eu mesma faço. Meu dia a dia é como o de qualquer outra mãe. Aconselho, converso, alerto. Mas existe uma pressão maior porque temos a responsabilidade de aprovar leis aqui que garantam direitos fundamentais aos filhos de todas as mães. Coração de mãe é mistura de alegria e amor infinito com uma aflição enorme”, completa.

    Em seu primeiro dia das mães após o nascimento da primeira filha, Luma, a deputada estadual e ex vice-prefeita do município de Coari, Mayara Pinheiro (PP), diz que o êxito obtido nas urnas em 2018 só foi possível devido ao esforço conjunto da família e de seu grupo político. Ela foi a deputada estadual mais votada do Amazonas.

    “Ser mãe é uma tarefa desafiadora. Sabemos que uma criança demanda atenção e tempo especiais. Minha filha tinha apenas 4 meses quando dei início à campanha, então contei com o apoio da minha família, meu marido e meu grupo político, que soube dividir muito bem as tarefas. Esse suporte deu muito certo”, revela.

    Segunda vice-presidente da Aleam e presidente da Comissão da Saúde, ela destaca a importância de ter mulheres no centro de debates de assuntos que são de seus interesses em todos os poderes e em todos os lugares, seja a nível municipal, estadual ou federal.

    “Ser mãe, ser mulher e ter um papel de destaque na área profissional não é simples, mas damos conta. A mulher tem esse diferencial de conseguir executar várias tarefas de forma primorosa ao mesmo tempo. Tendo em vista que as mulheres são maioria da população brasileira, da população amazonense e do eleitorado, acho que se faz necessário termos representatividade para dar voz aos nossos anseios em todos os poderes, não só no parlamento”, afirma.

    Uma das três mulheres que ocupam o parlamento municipal, a vereadora Mirtes Salles (PR) experimentou a maternidade simultaneamente ao exercício do cargo. O filho, João Gabriel, nasceu durante o segundo mandato da vereadora, em 2011, dias antes do recesso parlamentar de julho. Ela, entretanto, optou por não tirar a licença maternidade e dividia as atividades como vereadora e apresentadora de um programa de TV com a amamentação do filho.

    “Aproveitei os 20 dias de recesso e voltei às minhas atividades, tanto na CMM quanto ao programa que apresentava na época. Porém, a cada duas horas, ia em casa para amamentá-lo”, conta.

    Hoje com sete anos, Mirtes Salles diz que o filho demonstra interesse em assuntos relacionados à política e que isso é tratado em casa de forma natural. Segundo a vereadora, por ainda ser pequeno, o filho não tem o discernimento de que ela é uma das únicas mulheres na Câmara, mas tem consciência do que significa o trabalho exercido por ela.

    “Ele tem 7 anos, mas se envolve, pergunta. Fico impressionada com o despertar dele. Não porque ensino, mas porque ele presta atenção, por exemplo, no jornal. Ele ainda não tem o discernimento de que sou uma das únicas mulheres na CMM, mas de que sou vereadora, sim”, diz.

    A vereadora destaca que apesar de serem maioria e participarem ativamente na criação dos filhos e do desenvolvimento do país, as mulheres ainda são minoria nos espaços de poder. Ela apontou que, muitas vezes, as próprias mulheres não votam em outra mulher ou, por diversos motivos, como a dupla ou tripla jornada de trabalho, não querem se candidatar.

    “A mulher precisa se fazer representar. Para isso, precisamos de mais mulheres ocupando e representando nos espaços de poder. Isso evitaria, por exemplo, que passássemos por situações como a da Reforma da Previdência, onde temos uma grita muito pequena diante de uma reforma que está colocando mulheres em desvantagem e ferindo seus direitos. Se não aumentarmos nossa representatividade, fica difícil fazer cumprir leis que amparam as mulheres no país”, completa.

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