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    Com a Palavra


    'PSB pode lançar candidato próprio em 2020', diz Serafim Corrêa

    Em entrevista ao EM TEMPO, o deputado afirmou também que a sigla passará por uma reforma no final deste mês

    "Todo mundo tem vergonha de partido. É a crise da democracia representativa", diz o parlamentar
    "Todo mundo tem vergonha de partido. É a crise da democracia representativa", diz o parlamentar | Foto: Fabiane Morais

    O deputado estadual e presidente do PSB, Serafim Corrêa, afirma que não será um concorrente à prefeitura de Manaus na próxima eleição municipal, mas garante que a legenda indicará um nome próprio para a vaga. Defensor de uma reforma da Previdência justa, o parlamentar diz que será essa voz na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). Ele adianta, ainda, que o PSB passará por uma reforma no final deste mês. 

    EM TEMPO - Mesmo promulgada esta semana, a reforma da Previdência ainda divide opiniões. Mas como chegamos a este desequilíbrio nas aposentadorias?

     Serafim Corrêa - A reforma da Previdência era algo inevitável. O problema é quem iria pagar a conta, afinal o tempo de vida do brasileiro aumento em de 50 para 75 anos em 25 anos. Na década de 1950, quem chegava a á 50 anos era um herói. Tenho até uma capa de jornal em que um dos títulos informa que ‘ônibus invadiu casa e matou velhinha de 42 anos’. A previdência foi pensada, em 1930, para pessoas que morreriam aos 50 anos. E, todas as regras foram elaboradas dentro deste perfil. Com a passar dos anos e a melhoria nas campanhas de vacinação, alimentação e cuidados com higiene e segurança alimentar, isso mudou. Essa melhoria também se refletiu na diminuição do índice de mortalidade infantil. Em 1990, morria cerca de 90 crianças dentre 1000 nascidas com vida, até completar 1 anos. E agora morrem 12. Em Curitiba, cidade padrão, morrem 6 crianças. Lá, a mãe vai ao posto de saúde, sabendo o dia que vai fazer o exame pré-natal, ultrassonografias e o dia em que ela vai ganhar o bebê. O nível de organização de lá, vai levar tempo para chegar até aqui. 

    EM TEMPO – Quais inconsistências ocorreram na reforma da Previdência?

    SC- Foi feita a reforma, mas estados e municípios ficaram de fora, os governadores e prefeitos não quiseram botar a cara para bater e ficaram querendo que os deputados federais fizessem o papel deles. A reforma que foi promulgada esta semana, estado e município não entraram. Num acordo bem costura, numa PEC paralela, para incluir estados e municípios, entre deputados federais e governadores, os deputados federais, vamos votar a favor da reforma da previdência e o governador vai me atacar porque a favor da reforma da previdência. Se o governador pagar o preço? O governador tem que mandar projeto de lei e ser aprovada, dizendo que ele adere a reforma da previdência nos termos da legislação federal. 

     

    Defensor de uma reforma da Previdência justa, o parlamentar diz que será essa voz na Aleam
    Defensor de uma reforma da Previdência justa, o parlamentar diz que será essa voz na Aleam | Foto: Márcio Gleyson


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    EM TEMPO – O senhor considera que o governo federal não informa os contribuintes quanto a seus direitos?

    SC- Muitas pessoas me questionam sobre a previdência na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e sempre pergunto se elas já consultaram o aplicativo MEU INSS, que oferece todo o histórico de contribuição, mas a maioria desconhece essa plataforma. Acontece que, o governo federal não faz publicidade desse recurso e as pessoas não sabem como utilizá-lo.  As pessoas as vezes trabalham por 20 anos numa determinada empresa e quando são demitidas, ficam sabendo que a empresa não depositou o benefício devido. Na pratica, isso quer dizer que se não houve deposito é um problema do trabalhador. Além disso, ter direito a aposentadoria ficou ainda mais difícil depois que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) mudou o tipo de comprovação que antes era de tempo de serviço e agora tem que ser de contribuição. Eu acredito que o governo federal tem que explorar esta plataforma, porque existem pessoas com 65 anos, que acham que já vão se aposentam e quando fazem o batimento do tempo, ficam sabendo que ainda faltam 5/10 anos para receber o benefício.

    EM TEMPO – Como o senhor observa essa mudança, criação e alteração em nomes de legendas? Acredita ser uma fórmula para fugir das polêmicas e irregularidades?

    SC - Todo mundo tem vergonha de partido. É a crise da democracia representativa. O cidadão não se sente representado pelo partido e os sindicatos não representam mais os trabalhadores, que até preferem negociar dentro das empresas. Tudo mudou. Com o avanço da internet, não se precisa mais gastar dinheiro com tinta e papel. Agora os jornais impressos não são a única fonte de opinião. A questão da representatividade abala até a igreja.

    EM TEMPO – No seu entendimento, em questões econômicas, ainda somos principiantes quanto a sobreviver do turismo?

    SC – Enquanto Portugal tem 10 milhões de habitante e a 22 milhões de turistas por ano; o Brasil com 220 milhões de habitantes, recebe 6 milhões de turistas. O nosso grande drama é que não há projetos para turismo. Essa comparação mostra que Portugal é um país pequeno se comparado ao nosso país, mas desenvolvido quanto a economia local. Por enquanto, o Brasil está estagnado e quem vai pagar o preço da reforma é quem menos ganha, responsável por colocar a economia para rodar.  Seria muito melhor se não tivesse tirado tantos direitos e tivesse estabelecido uma tributação sobre ganhos de grandes capitais e não de quem recebe R$ 1.600 mensal, por exemplo. Mas se a conta fosse paga pelos mais ricos teríamos outro equilíbrio.

    EM TEMPO – Ainda é cedo para afirmar que é pré-candidato a prefeitura de Manaus?

    SC- A minha contribuição será dada no parlamento. O PSB pode lançar candidato próprio. O  meu se preocupa muito com o nível de representação da classe política, vista pelo próprio povo. No final deste mês, iremos ao Congresso Nacional do PSB, para formalizar a autoreforma por qual ele vai passar.  Lá também discutiremos onde erramos, acertamos, onde precisamos mudar e como iremos nos comunicar dentro das plataformas, com essa nova forma de comunicar. 

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