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    Eleição 2020


    Disputa pela prefeitura de Manaus pode ter recorde de candidatos

    Especialistas em política argumentam que quantitativo de candidaturas serve como vitrine para próximos pleitos

    Candidatos à Prefeitura de Manaus
    Candidatos à Prefeitura de Manaus | Foto: Dessiré Souza


    Manaus - Com cenário político movimentado para 2019, especialistas em direito eleitoral apostam em um número recorde de candidatos para a eleição de 2020. Isso porque todos os partidos devem se viabilizar para não perder cadeiras na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Entre os pontos que serão levados em consideração para este fenômeno, estão: a mudança na legislação eleitoral, os resultados do último pleito (2018) e o fato de a prefeitura de Manaus e o governo do Amazonas ainda não terem lançado um nome para a disputa.

    Sobre a possibilidade de 2020 chegar a um quantitativo de até 30 postulantes ao cargo de prefeito, a advogada em direito eleitoral, Maria Benigno, esclarece que se trata das coligações proporcionais em que partidos terão que alcançar determinada quantidade de votos para chegar ao coeficiente partidário e eleitoral. Diante dessa lógica, a especialista explica que, para garantir a cadeira na CMM, cada partido teria que lançar um nome, o que acabaria ajudando os proporcionais. “Essa regra, essa vedação das coligações proporcionais, serve para tentar depurar o número de partidos políticos que existem no país. Ao todo, temos 35 partidos políticos, que têm sua atividade registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas apenas 25 com representação na Câmara dos Deputados”, explica. 

    Conforme a advogada, desde o processo da eleição passada, já houve essa aplicação da cláusula de barreira e que permitiu que partidos com pouca ou nenhuma representatividade fossem incorporados a outros. “Nessa próxima eleição municipal, já vai ter esse tipo de coligação partidária e alguns partidos não vão conseguir fazer nenhuma cadeira, o que vai fazer com que esse número de legendas diminua. 

    Questionada sobre a prática de lançar nomes sem representatividade para testes nas urnas, Maria Benigno explica que esta situação acontece para analisar “qual será a repercussão do eleitor diante dos nomes. Às vezes, o nome desconhecido é lançado para que ele fique na mente do eleitor. O processo não está livre deste tipo de estratégia política”, alertou. Mesmo com parte da população insatisfeita com os novatos da política, a especialista acredita que a “onda do novo” deve perdurar até o próximo pleito. “Eu acho que a população, em alguns casos, mostra seu descontentamento e frustração, mas já entende que práticas de corrupção são inaceitáveis”, acrescentou. 

    O cientista político Carlos Santiago compartilha da mesma opinião e reforça que é uma tendência que haja muitos prefeituráveis. “Houve  uma mudança da legislação que obriga os partidos políticos a lançarem chapa para vereança, mesmo não sendo impedidos para chapa majoritária. Outro ponto que devemos destacar é que, na última eleição para presidência da República, houve muitas surpresas que mostraram que as grandes somas de dinheiro não são fator determinantes para a vitória no pleito.

    “Aquela tradicional fórmula que funcionou em 2018, sem grandes alianças partidárias, sem tempo de televisão e excesso de dinheiro, e que garantiu a eleição de personalidades políticas, como o presidente Jair Bolsonaro e o governador  Wilson Lima, motiva os partidos políticos, além da necessidade de lançarem candidatura, com a ideia de que podem sim ganhar o pleito, mesmo sem fundo partidário milionário”, explicou. 

    “Há ainda um terceiro elemento que favorece o aparecimento de novos nomes desconhecidos do púbico, o fato de a Prefeitura de Manaus e Governo do Estado, que são máquinas fortíssimas, ainda terem dificuldades de lançarem nomes. A disputa ficou aberta. Todos se consideram com potencial, mas falta um nome competitivo”, salienta. Conforme o advogado, este é um ponto positivo, porque garante inúmeras possibilidade de voto do eleitor e mostra que, antes era necessário passar pela aprovação de um cacique para ter acesso a uma vaga, e, agora, isso não acontece mais. 

    “Podemos esperar muita mudança para o próximo pleito. Mas, é tradição que os grandes caciques do Estado trabalhem sempre com a lógica de se unir em torno de uma figura, do que perder espaço para novas lideranças”, avalia. Ele acrescenta que também haverá nomes que serão apresentados apenas para se viabilizarem para pleitos seguintes. “Quem faz uma leitura para trabalhar para os próximos pleitos, pode trabalhar com uma perspectiva de eleger deputados federais e estaduais”, explica. Ele argumenta que os nomes colocados podem ser trabalhados em 2020. Este é um momento positivo, para que os partidos menores se encontrem, oferecendo novas alternativas”, reforçou. Para ele, o sentimento do momento é de repulsa aos velhos caciques tradicionais. “Podemos observar que nenhum dos políticos tradicionais estão liderando pesquisa para as prefeituras”, conclui o especialista.

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