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    Mega aliança


    Plano para derrotar direita em Manaus gera atrito na esquerda

    Ideia é criar bloco com seis legendas e escolher nomes de maior representatividade para a chapa. No entanto, há divergência de opiniões sobre esta estratégia, entre pré-candidatos já lançados

    “Não descartamos a ideia de Vanessa vir como vice também, cada partido tem nomes competitivos, que podem assim como ela, compor uma chapa forte”, explica.
    “Não descartamos a ideia de Vanessa vir como vice também, cada partido tem nomes competitivos, que podem assim como ela, compor uma chapa forte”, explica. | Foto: Divulgação

    Manaus – Uma estratégia para derrotar a direita, no pleito municipal deste ano, a partir da construção de uma mega aliança com seis legendas da esquerda – Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Partido da Mobilização Nacional (PMN) -, causa impasse, dentro de siglas que já possuem pré-candidatos declarados.

     Até o momento, o cenário da disputa está previamente formado pelo deputado federal José Ricardo (PT), que aparece nas últimas pesquisas de intenção de voto; pelo pré-candidato e presidente do PMN, Marcelo Amil; pelo pré-candidato Jonas Araujo do Psol e do prefeiturável Hissa Abraão (PDT), que já conta com a benção do presidente nacional da legenda, Carlos Lupi.  Mas, para que este bloco tenha êxito, estes nomes precisam desistir de suas candidaturas, dando lugar aos dois nomes de maior representatividade política, para formação da chapa. 

     O presidente estadual do PCdoB, Eron Bezerra, disse que esta aliança poderá fortalecer e concretizar a candidatura da ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB). Para ele, a escolha pelo nome dela será natural, por conta das votações expressivas durante as eleições para a Câmara Federal e Senado.

    “A pré-candidatura de Vanessa é uma realidade dentro do partido. A representação que ela possui é positiva em muitos aspectos, tanto que a qualifica como uma candidata natural”, comentou Bezerra. 

    Hissa Abrahão
    Hissa Abrahão | Foto:

     Eron confirmou a existência de um diálogo aberto com PT, PDT, Psol, PSB e PMN, para viabilizar um sustentáculo a chapa majoritária ao cargo do executivo e vice. Os cinco partidos citados ainda não definiram suas candidaturas oficiais. A decisão final sobre o apoio deve ser resolvida após as plenárias partidárias de cada sigla. Conforme o calendário eleitoral de 2020, esta oficialização perante a Legislação Eleitoral, só ocorre entre os dias 20 de julho e 5 de agosto deste ano. 

     Sobre a composição da chapa que disputaria a prefeitura, Bezerra pondera o discurso sobre uma imposição, explicando que existem possibilidades abertas, de apoio e formação do lado esquerdo do pleito municipal.

    “Não descartamos a ideia de Vanessa vir como vice também. Cada partido tem nomes competitivos, que podem assim como ela, compor uma chapa forte”, explica.  

    Ele também antecipa que o nome de Vanessa deve ser confirmado à eleição nas plenárias partidárias do PCdoB, em fevereiro.

    “Existe o diálogo aberto entre os seis partidos. Não batemos o martelo ainda, mas durante as plenárias do PcdoB, em fevereiro, o nome dela será oficializado. Quantos aos outros companheiros de outros partidos, ainda é cedo para definir o cenário do apoio de cada um”, ponderou o presidente. 

    José Ricardo
    José Ricardo | Foto: divulgação

    Contra o plano

    Enquanto Eron faz planos, o pré-candidato pelo Psol, Jonas Araujo, declara que irá manter sua intenção de concorrer à prefeitura de Manaus. “Minha pré-candidatura permanece firme. Contudo, estamos acompanhando essa articulação e para nós do PSOL não é viável nos unirmos a outros partidos, pois visamos dar visibilidade a campanha dos vereadores com uma candidatura própria”, justifica Araújo. 

    Em favor

    Sobre a proposta de união entre os partidos, Hissa Abraao  diz estar disposto a colaborar com a iniciativa. “Tenho conversado sobre o assunto com os partidos de esquerda. Caso seja necessário me coloco à disposição e se tiver outro candidato, também estaremos dispostos a ingressar no apoio a ele”, comenta Hissa.

    Já Marcelo Amil também endossa os discursos de pluralidade entre a esquerda. “O projeto do PMN é coletivo. Estamos buscando a unidade construída de maneira plural e democrática. Se alguém diz que busca um projeto coletivo e não está disposto a fazer concessões, então está sendo falacioso”, destaca Amil.

    “Não descartamos a ideia de Vanessa vir como vice também, cada partido tem nomes competitivos, que podem assim como ela, compor uma chapa forte”, explica.
    “Não descartamos a ideia de Vanessa vir como vice também, cada partido tem nomes competitivos, que podem assim como ela, compor uma chapa forte”, explica. | Foto: Divulgação

    Transporte de qualidade 

    O nome de Vanessa Grazziotin voltou a mídia local, após uma publicação em suas redes sociais. A postagem mostrava da ex-senadora dentro de um ônibus, na cidade de Curitiba, onde Vanessa acompanha a mãe em tratamento de saúde. “Se tivéssemos um transporte coletivo de qualidade, certamente não teríamos tantos carros: – poluição + saúde”. 

    A legenda da foto de Grazziotin faz referência aos serviços de transporte da cidade curitibana, que oferece aos usuários, a Rede Integrada de Transporte (RIT), conhecida pela sigla americana BRT. O sistema BRT foi criado e implantado na capital paranaense ainda década de 1970, em Manaus o projeto foi descontinuado. 

    Seis partidos podem compor o bloco esquerdista para eleição municipal
    Seis partidos podem compor o bloco esquerdista para eleição municipal | Foto: Divulgação

    Alianças x Candidaturas 

    A frente esquerdista não deve ser atrapalhada pela nova regra estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que prevê a disputa individual das legendas partidárias para os cargos de vereadores. Ou seja, a votação de cada partido é o que vai eleger os novos parlamentares da Câmara Municipal (CM).     

    Anteriormente os partidos formavam coligação em chapas majoritárias para cargos do executivo e disputavam as vagas na CM proporcionalmente.  Essa disposição permitia a distribuição das cadeiras, de acordo com a formação das alianças por partes. Tais uniões distribuíam os votos reunidos pelo bloco partidário, definindo pela soma dos votos o destino das vagas de forma proporcional a participação de cada partido. 

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