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    Estratégia


    José Ricardo se distancia do PT para vencer eleição em Manaus

    Alvo de denúncias, o PT pode prejudicar a imagem do candidato no pleito municipal

    | Foto: divulgação

    Manaus - Após o início oficial da campanha eleitoral no último domingo (27), os candidatos à Prefeitura de Manaus já adotaram suas técnicas para conquistar o eleitorado e garantir o cargo no Executivo. A aposta do candidato a prefeito, José Ricardo (PT), é na desvinculação de sua imagem do Partido dos Trabalhadores para a campanha deste ano. Apesar de ter atraído a atenção dos eleitores, especialistas apontam que a estratégia pode não trazer vantagem para o pleito municipal.

     Conhecido como “Homem da Kombi”, o candidato é filiado ao PT desde 1995 e foi eleito em 2018 para seu primeiro mandato como deputado federal, em que deixou claro seu apoio à sigla filiada e chegou até mesmo a oficializar seu nome como deputado para “José Ricardo Lula”, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), reforçando seu apoio ao ex –presidente, Lula da Silva (PT). Entre os anos de 2017 e 2018, a sigla foi alvo de inúmeras denúncias, com líderes acusados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

     Segundo o especialista em pesquisa eleitoral, Afrânio Soares, o candidato optou por deixar o partido em segundo plano e apostar em uma candidatura solo.

     “Na campanha deste ano, José Ricardo está deixando o PT como plano de fundo, sabendo que o partido tem uma rejeição forte depois dos acontecimentos que resultaram no impeachment da Dilma Rousseff. No entanto, se observarmos entrevistas que o candidato concedeu, quando confrontado com essa questão de que o PT seria ruim para a campanha dele, ele defende com bastante ardor o partido. Diz que o partido é o mais organizado do país, com maior bancada, maior fundo eleitoral”, afirmou.

     O quadro de rejeição do público pelo PT se tornou evidente após disputa eleitoral em 2018, entre os candidatos Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Alterando a percepção de eleitores dos partidos, além da visão coletiva sobre a representação do partido após os últimos acontecimentos de representantes filiados.

     Em 2018, José Ricardo foi eleito o deputado federal mais votado no pleito e já utilizava os símbolos ligados ao Partido Trabalhista, como número “13” e a cor vermelha. Pontos que não são vistos na campanha eleitoral deste ano, até mesmo a estrela da sigla foi deixada de lado no marketing do candidato.

     Mesmo em um cenário de campanha precoce, o especialista em campanha eleitoral, Durango Duarte, destacou que a estratégia de se desvincular do partido é muito difícil de ser aceita pelo eleitorado.

     “O inconsciente coletivo do que representa o lulopetismo gera um efeito velcro em qualquer petista de longa data. Quem sabe ele obtenha uma pequena quantidade de votos com esta tal estratégia, já que é cedo para dizer o que ele de fato fará ao longo da campanha. O seu desempenho final não será imagem mais “moderada”. Produtos que possuem grande “recal” dificilmente conseguem eliminar o lado negativo que se acumulou na mente do eleitor”, contou o especialista.

     Alianças

    Ao contrário do que era esperado neste início de campanha em 2020, José Ricardo não conseguiu formar uma frente de esquerda e acabou ingressando na disputa com o apoio do Psol, Rede e PCB, indicando a professora Marklize Siqueira (Psol) como vice-prefeita da chapa majoritária.

     Procurado pela equipe de reportagem, José Ricardo não se manifestou sobre a estratégia de desvinculação adotada para a campanha eleitoral, até o fechamento desta matéria.

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