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    Juventude na política


    Eleitores jovens podem decidir resultado do pleito municipal de 2020

    Devido à pandemia, muitos idosos não devem exercer seu direito cívico este ano, o que pode deixar o resultado destas eleições nas mãos do eleitorado mais jovem

    Com candidatos focando cada vez mais no público mais jovem, as eleições podem ser definidas por este grupo de eleitores | Foto: Alexandre Sanches

    Manaus - Como consequência da pandemia causada pela Covid-19, as abstenções destas eleições devem ser maiores que as de 2016. Outro fator que pode influenciar em um possível crescimento é a possibilidade de justificativa de voto via aplicativo de celular. Os idosos devem ser o principal grupo a representar os faltosos, pois muitos estão inseridos no grupo de risco da doença, o que pode promover uma eleição decidida pelos eleitores mais jovens.

    O eleitorado manauara é composto, em sua maioria, por jovens adultos. Do total de 1,33 milhão de eleitores aptos a votar em Manaus, 10% é composto por jovens na faixa etária de 21 a 24 anos. Outros 12,44% são representados por eleitores entre 25 a 29 anos e 12,57% pela faixa etária de 35 a 39 anos.

    Somado a outros fatores, isso pode influenciar no resultado das urnas neste ano. Visando isso, muitos candidatos à Prefeitura de Manaus estão apostando no uso de redes sociais e tecnologias durante a campanha eleitoral para conquistar estes eleitores, como o candidato Amazonino Mendes (Podemos) e Capitão Alberto Neto (Republicanos). A ação pode promover resultados, conforme explica o cientista político Breno Rodrigo. 

    "Pelo fato da pandemia atingir, principalmente, os idosos e o crescimento exponencial de jovens observado nos últimos anos, muitos candidatos apostam em conquistar esse público, investindo especialmente nas redes sociais. O eleitor acaba conseguindo se identificar com esse tipo de campanha e isso pode gerar um bônus eleitoral", afirmou o cientista.

    Preferências do eleitorado

    A visão crítica e a preferência eleitoral de muitos eleitores, no entanto, pode não ser influenciada apenas pela presença dos candidatos nas redes sociais. Muitos eleitores, especialmente os mais jovens, avaliam fatores importantes para a decisão nas urnas. O secretário Daniel Silva, 23, afirma que para eleger alguém a um cargo público, ele avalia principalmente a transparência, vigor e compromisso na gestão.

    "Para um cargo público eu quero sim saber tudo que a pessoa que me representa faz, como está trabalhando, como está investindo e gastando o dinheiro público. Quero ver esta pessoa dando voz pra minha comunidade, para as comunidades, e para um cargo de prefeito, quero uma pessoa que dê voz para Manaus. Portanto, é exigido a mesma coisa: relacionamento transparente. Independente de idade, experiências e status", defendeu o jovem.

    Além disso, muitos eleitores afirmam que, independente de idade, a disposição para estar presente nas comunidades e se relacionar diretamente com a população é uma característica essencial ao futuro prefeito de Manaus. Para o universitário João Felipe Serrão, 21, a experiência pode ser um fator positivo, se representar o compromisso do político com a população. 

    "Eu busco transparência e um candidato que demonstre uma certa disposição a voltar pra política da base, a política comunitária, de escutar o povo, entender quais são as necessidades mais urgentes e que ele possa construir um mandato junto com a população. Não tenho problema nenhum em votar em um candidato experiente. Não existe isso de política nova e política velha. Política é política", afirmou.

    João Felipe também analisa o alinhamento ideológico e planos de governos práticos de cada candidato, com preferência aos que apresentam projetos viáveis pra tentar resolver a quantidade de problemas a serem enfrentados em Manaus.

    Abstencionismo

    O cientista político Helso Ribeiro explicou que o fenômeno do abstencionismo tem sido crescente nos últimos anos devido ao desgaste da democracia representativa, que resulta na insatisfação de muitos eleitores. 

    "Se pegar a eleição de 2012 e comparar com a de 2016 é possível notar o crescimento de abstenções. Eu acredito que neste ano será um pouco maior, ainda que o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] tenha determinado uma hora a mais para votação. Isso fará com que o quociente eleitoral não cresça tanto como crescia nas últimas eleições", finalizou o cientista.

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