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    Doação de sangue


    Comissão de Saúde da Aleam não tem propostas para doação de sangue

    Apesar da inércia de comissões da Aleam, outros parlamentares têm discutido e trazido soluções à pauta. É o caso da Diretoria de Assistência Social da Casa, que promoveu, entre os dias 8 e 11 de junho, a ação “Doador Legal”

     

    Apesar da inércia de comissões da Aleam, outros parlamentares têm discutido e trazido soluções à pauta. É o caso da Diretoria de Assistência Social da Casa, que promoveu, entre os dias 8 e 11 de junho, a ação “Doador Legal”.
    Apesar da inércia de comissões da Aleam, outros parlamentares têm discutido e trazido soluções à pauta. É o caso da Diretoria de Assistência Social da Casa, que promoveu, entre os dias 8 e 11 de junho, a ação “Doador Legal”. | Foto: Reprodução

    Manaus - Comemorado neste 14 de junho, o Dia Mundial do Doador de Sangue contou com uma infeliz realidade: a redução em 10% do estoque de bolsas de sangue do país, após o agravamento da crise sanitária pela pandemia da Covid-19. Numa tentativa de incentivar a população à doação de sangue regular, o Ministério da Saúde lançou a campanha "Doe Sangue Regularmente - Com a Nossa União, a Vida se Completa".

    Já no Amazonas, parlamentares vêm deixando de lado solicitações e cobranças ao executivo estadual. Responsável por políticas públicas, programas, projetos e atividades relativas à saúde e previdência, a Comissão de Saúde e Previdência da Assembleia Legislativa do Amazonas não conta com qualquer projeto sobre o assunto no ano de 2021.

    Questionado sobre possíveis emendas ou projetos de incentivo à doação de sangue no Amazonas, o  deputado e membro da comissão, Dermilson Chagas (Podemos), afirmou desconhecer solicitações com esta finalidade pelo colegiado.

      “Infelizmente, a Comissão de Saúde não se atentou ainda para a redução do estoque de sangue no Amazonas, mas pode muito bem cobrar providências e campanhas ao governo do estado. É o caso do incentivo da doação para servidores públicos, inclusive por meio de bonificações. É preciso de propaganda em massa, e isso o governo pode fazer através das redes sociais e meios de comunicação escrita e televisiva”, declarou o parlamentar.  

    De forma individual,  a membro e presidente da comissão, deputada estadual Mayara Pinheiro (PP) protocolou, em abril deste ano, o Projeto de Lei 205/21, que institui, de maneira gratuita, o serviço por aplicativo "Doe Sangue". De acordo com o texto do projeto, o aplicativo poderá disponibilizar informações para conscientizar e orientar os usuários sobre a importância da doação, locais de coleta, e divulgar os níveis de estoques por tipo sanguíneo.

    Além do projeto, a parlamentar obteve aprovação da Lei n° 5.152, a partir da qual doadores de sangue têm direito à meia-entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer público. De acordo com a deputada, o objetivo da medida é incentivar que mais pessoas doem sangue no Amazonas. 

      “O benefício concedido pela lei não tem restrição de data, local e horário. A ideia principal da propositura foi dar mais incentivo para que essas pessoas continuem doando, o estoque de sangue sempre precisa de doações diárias”, pontuou.  

    Ambas as propostas, no entanto, não são vinculadas à Comissão de Saúde e Previdência.

    Junho Vermelho

    Desde o início do mês de junho, a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia (Hemoam), fechou parceria com diversas entidades públicas e privadas na campanha denominada “Junho Vermelho - Mês de Conscientização sobre a doação de sangue”. Criada em 2015 pelo Ministério da Saúde, a programação inclui caravanas de doações, brindes e homenagens, e visa estimular a solidariedade por meio da doação de sangue. De acordo com a gerente de captação de doadores da fundação, Flávia Rezende, apesar da redução de doações no resto do país, o dia do doador deste ano está um pouco diferente no Amazonas.

      "Historicamente, no mês de junho, as doações caem muito e o estoque despenca no Brasil todo. Entre os motivos que afastam os doadores, temos questões como férias, o inverno em algumas regiões do país e, aqui no Amazonas, as enchentes e chuvas. Por isso, criou-se o 'Junho Vermelho', para demonstrar a importância da continuidade das doações mesmo nesse período. Entra mês, sai mês e o Hemoam continua precisando de estoque", explicou.  

    Ao mesmo tempo, a porta-voz lembra os momentos de escassez que a fundação passou durante as fases críticas da pandemia. Ainda de acordo com a porta-voz, a melhor maneira encontrada para atrair a população e promover esclarecimentos tem sido por meio das redes sociais.

    "Atualmente, o Hemoam está presente em todas as plataformas digitais, e com uma linguagem mais nova. A resposta que temos tido é interessante, com muitas pessoas doando sangue pela primeira vez. O nosso objetivo é, além disso, que esses doadores continuem doando regularmente. Importante destacar que, após doar três vezes, você adquire uma carteirinha e conta com diversos benefícios e direitos. Quando as pessoas se permitem conhecer esse universo, é algo apaixonante", finalizou Rezende.

    Propostas

    Apesar da inércia de comissões da Aleam, outros parlamentares têm discutido e trazido soluções à pauta. É o caso da Diretoria de Assistência Social da Casa, que promoveu, entre os dias 8 e 11 de junho, a ação “Doador Legal”. Por meio da Unidade Móvel do Hemoam, conhecida como “Vampirão”, a proposta incentivou servidores à doação do total de 251 bolsas de sangue.

     Em nota, o vice-presidente da Comissão de Saúde e Previdência, Ricardo Nicolau (PSD), afirmou que o colegiado participa periodicamente de ações sociais e projetos que visam incentivar a doação de sangue, e citou o projeto "Doador Legal". A autoria da ação pela Comissão, no entanto, não consta no Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL).

      "Pessoalmente, eu acredito que o Hemoam é a instituição de assistência hospitalar mais importante do Amazonas em virtude de sua responsabilidade no fornecimento de 100% das bolsas de sangue doadas, com todos os protocolos e controles de qualidade existentes, para toda a rede de saúde da capital e do interior, incluindo os hospitais privados", destacou Nicolau.  

    A importância da doação

    Um levantamento do Hemoam revela que, em 2021, a média/mês de comparecimento já é maior do que do passado. Atualmente são 5 mil doadores, em comparação com 4,5 mil/mês em 2020. O estudo aponta, além disso, que desde 2020, 29 mil pessoas já doaram sangue pela primeira vez. 

    Ainda assim, a pandemia da Covid-19 tem trazido receio para grande parte da população. Segundo a médica e residente em Medicina de Família e Comunidade, Helena Manso, o ambiente hospitalar pode gerar inseguranças aos possíveis doadores.

    "Mesmo assim, é fundamental que haja estímulo à doação nesse período, pois ainda existem diversas condições que demandam doação de sangue. Como exemplo, pessoas em tratamento de câncer, de anemias crônicas ou que precisam de cirurgias complexas. Os hemocentros correm risco de ficarem desabastecidos. A doação de sangue de uma só pessoa pode beneficiar várias outras", enfatizou a profissional de saúde.

    Ainda segundo Manso, alguns cuidados devem ser levados em consideração pelo doador na hora de salvar vidas.

    "Os pacientes devem manter o distanciamento, higiene das mãos, uso de máscaras adequadas e permanecer o menor tempo possível no local. A equipe de saúde deve redobrar os cuidados, como uso de material descartável e esterilizado quando necessário, limpeza de banheiros e áreas comuns, disponibilização de álcool em gel. Além disso, é importante realizar o agendamento de horário para evitar aglomeração de doadores", completou.

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