Fonte: OpenWeather

    Entrevista


    Wilson Lima atribui alta de queimadas a pecuária e madeireiros

    Em entrevista a TV Estadão, o governador disse que o Amazonas decretou estado de emergência, assim que foram identificados os primeiros focos de calor

    Para o governador os crimes ambientais precisam de punições mais severas | Foto: Hélvio Romero/Estadão

    O governador Wilson Lima atribuiu o aumento das queimadas à pecuária e à atividade madeireira e reiterou a importância dos recursos estrangeiros do Fundo Amazônia. A declaração foi dada durante entrevista para a TV Estadão, publicada nesta sexta-feira (23). O governador, evitou críticas, mas desmentiu a insinuação do presidente Jair Bolsonaro e disse não ter sido identificada ligação de ONGs com desmatamento e queimadas ilegais no Estado.

    Na entrevista, o governador destacou que o Amazonas “tem feito a sua parte” conter os problemas, com a manutenção de uma equipe permanente de controle. “Assim que começamos a identificar os primeiros focos de calor, determinei o estado de emergência.”

    Dados do Inpe

    O governador comentou que o monitoramento feito por tecnologias do Estado também costuma ter os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) como referência e que não foi encontrada “discrepância”. 

    Segundo ele, as principais causas identificadas para a alta das queimadas são a pecuária e a atividade madeireira, além da especulação imobiliária. Diferentemente do que foi alegado pelo presidente nesta semana, afirmou que não foi identificada qualquer ação ilegal cometida por alguma ONG.

    Disse também que o monitoramento conseguiu identificar alguns responsáveis por queimadas, mas que há dificuldade pela falta de regularização fundiária da região e pelo número insuficiente de fiscais. “Nós temos feito tudo que é possível dentro da possibilidade que nós temos."

    Punição mais rígidas

    Wilson afirmou que há um "discurso de permissividade”, com o entendimento de que “tudo pode”, mesmo quando os responsáveis são notificados. “As pessoas que cometem crime têm que ser punidas com rigor da lei.”

    Críticas a líderes mundiais

    Ele criticou, contudo, o que chamou de “pirotecnia” com que líderes mundiais têm se manifestado sobre o assunto, como o presidente francês Emmanuel Macron, e aponta que isso pode ter impactos econômicos “significativos”. “Causa uma imagem muito ruim”, alegou. “Há a necessidade de preocupação do governo do Estado, do governo federal, mas é uma questão interna do Brasil.”

    Recursos da Alemanha e Noruega 

    Em relação ao Fundo Amazônia, disse aguardar um posicionamento federal, mas que concorda com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de que é necessária uma aproximação do fundo com as “prioridades da Amazônia”. “Precisa haver um encontro dos recursos com as políticas públicas”, aponta. “Não adianta eu fazer uma situação pontual para beneficiar a comunidade A, a comunidade B.”

    O governador afirmou, ainda, que os Estados da região amazônica estão discutindo alternativas para os recursos estrangeiros, de países como Alemanha e Noruega, sejam repassados diretamente aos Estados ou através de um novo fundo ou um consórcio. “A gente ainda está buscando um modelo de como se faz isso.”

    *Com informações do site Estadão

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