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    Eleição 2020


    Campanha eleitoral já começou para caciques e outsiders

    Mesmo a 14 meses das eleições municipais de 2020, políticos se portam como se estivem a captar votos e conhecer o eleitorado

    Políticos já ativaram o botão da campanha pré-leitoral | Foto: Reprodução

    Manaus - Engana-se quem pensa que o ano eleitoral só começa dia 1º de janeiro de 2020. A 14 meses para as eleições municipais de 2020, os postulantes a cargos de vereador e prefeito já começam a se portar como pré-candidatos. Enquanto as pesquisas constroem cenários com mais de 20 nomes, entre antigos e novos, eles já ativaram o botão da pré-campanha eleitoral, ao movimentarem partidos, construírem pautas nos poderes e marcarem presença nas ruas em busca do reconhecimento do eleitorado em potencial.

    Nas mais de dez pesquisas eleitorais lançadas por diversos institutos desde novembro de 2018 até julho deste ano, o nome do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) David Almeida (Avante) aparece como primeiro colocado. Perde apenas num cenário construído pelo ex-governador Amazonino Mendes (PDT), mas o vence no segundo turno, assim como vence em todos os outros cenários na disputa contra nomes como o do deputado federal José Ricardo (PT), o vice-prefeito Marcos Rotta (sem partido), o do deputado federal Marcelo Ramos (PL) e o da ex-deputada federal Rebecca Garcia (PP).

    “Só falo de eleição no ano que vem", diz o ex-presidente da Aleam, David Almeida
    “Só falo de eleição no ano que vem", diz o ex-presidente da Aleam, David Almeida | Foto: Fabiane Morais

    Antes desse maior movimento dos pré-candidatos a prefeito de Manaus, David Almeida iniciou, em meados de março - logo depois que deixou o mandato na Aleam -, uma agenda de visitação aos bairros da Zona Leste e da Zona Norte. tomou café com aliados em banquinhas populares para marcar presença. David andou de vários modais de transporte em Manaus como ônibus, microônibus alternativo, executivo, táxi, Uber, 99 e de serviços de transporte fluviais. David diz que essas experiências vão ajudá-lo na construção de propostas para a cidade.

    “Só falo de eleição no ano que vem. Ainda é muito cedo para tratar de candidatura. Mas, como homem que já viveu a vida pública por 12 anos, como deputado, presidente do Poder Legislativo e até mesmo governo do nosso Estado, sigo construindo um caminho agora no ambiente partidário, em busca de soluções para a nossa cidade”, observa David, que é hoje presidente do diretório Estadual do Avante, no Amazonas. Atualmente, ele até já tem se reunido na sede partido, com grupos de pessoas interessadas em disputar o cargo de vereador em Manaus. Segundo ele, há quase 120 pedidos de filiação com objetivo em candidaturas proporcionais para 2020.

    Volta Negão?

    Quanto ao maior concorrente de David, o ex-governador e ex-prefeito Amazonino tem deixado os ex-aliados animados com os números espontâneos das últimas pesquisas. O grupo dele ensaia um possível retorno do cacique ao poder. Isso porque, desde que foi derrotado da eleição ano passado, nenhum dos companheiros havia postado foto com o ex-governador. E, há cerca de dois meses, alguns ex-secretários começaram a publicar nas redes sociais fotos descontraídas com o político que acumula mais cargos públicos no Amazonas.

    Aliados de Amazonino estão animados com os números espontâneos das pesquisas eleitorais
    Aliados de Amazonino estão animados com os números espontâneos das pesquisas eleitorais | Foto: Ione Monteiro

    No momento, aguarda-se o resultado da “guerra” com o atual governador Wilson Lima, que pode levar Amazonino ao 5º mandato de governador. O ponto alto que pode causar uma reviravolta no cenário político, é motivado por uma notícia crime ingressada pela defesa de Amazonino, antes do segundo turno, que indica que Wilson comprou votos para se eleger. Esta não é a primeira vez que um governador responde por abuso de poder político e econômico. Em 2017, o ex-governador José Melo (Pros) foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base nos argumentos de compra de voto.

    Por enquanto, a defesa de Amazonino corre contra o tempo para que o TRE-AM julgue o processo até o mês de outubro, data limite em que os autos podem perder efeito.

    O vice-prefeito, Marcos Rotta, voltou para a TV e para as ruas
    O vice-prefeito, Marcos Rotta, voltou para a TV e para as ruas | Foto: Fabiane Morais

    Outros personagens também começaram a intensificar a busca por holofotes. O vice-prefeito Marcos Rotta (sem partido) voltou a apresentar o antigo programa TV Exija seus Direitos. Pela prefeitura, mesmo com a relação arranhada com o prefeito Arthur Neto (PSDB), Rotta tem visitado bairros e obras. Pelo programa televisivo - criado em 1997, pelo hoje senador Omar Aziz -, Rotta voltou a falar de casos de consumidores manauenses que sofrem com problemas em produtos adquiridos e atendimentos de empresas. Nas pesquisas, o vice-prefeito tem aparecido em terceiro lugar.

    Sem deixar de lado a pauta “Lula Livre”, o deputado federal petista José Ricardo, que atua muito nos bastidores da Câmara dos Deputados, em Brasília, também passou a intensificar as suas “Tribunas Populares”, em cima de uma Kombi - ideia criada pelo ex-deputado federal Francisco Praciano -, como fez no dia 5 de agosto na rua do bairro Mutirão, Zona Norte. Além das ruas de Manaus, o parlamentar que aparece nas pesquisas eleitorais em segundo lugar, tem aproveitado para viajar a cidades do interior do Estado, com o objetivo de prestar contas do seu mandato.

    Deputado federal José Ricardo aparece em segundo lugar nas pesquisas eleitorais
    Deputado federal José Ricardo aparece em segundo lugar nas pesquisas eleitorais | Foto: Janailton Falcão

    Em quarto lugar nas últimas pesquisas eleitorais, depois da visibilidade nacional que ganhou ao assumir a presidência da Comissão Especial da reforma da Previdência, na Câmara dos Deputados, em Brasília, o deputado federal Marcelo Ramos, foi outro que começou a direcionar a sua agenda para Manaus. Ele tem se reunido com deputados estaduais, principalmente com o presidente da Aleam, deputado Josué Neto (PSD). Os dois subiram no mesmo palanque em 2016 como candidatos a prefeito e vice, respectivamente.

    Josué Neto, que não aparece nas últimas pesquisas da iMarketing, mas em junho apareceu em terceiro lugar nas pesquisas na Pontual, com 6,9%, saiu do gabinete e passou a visitar os bairros. Ele tem dado publicidade a eventos como visitas aos bairros, terminais de ônibus e participações em reuniões de grupos temáticos como a Associação das Donas de Casa do Morro da Liberdade, no início de junho e na comunidade de Nosso Senhora do Rosário, bairro São José 2, Zona Leste, no último dia 5 de agosto. Há cerca de três meses, é notável a proximidade dele com a população em feiras e restaurantes populares.

    O presidente da Aleam, Josué Neto, passou a visitar bairros
    O presidente da Aleam, Josué Neto, passou a visitar bairros | Foto: Fabiane Morais

    Além dos caciques políticos, também já nota-se uma movimentação pré-periodo eleitoral dos outsiders, que começam a aparecer mais nas redes sociais e em ações populares, a fim de captarem e conhecerem melhor o eleitorado.

    Aspectos

    De acordo com o cientista político Carlos Santigo, o cenário de movimentação política revela três aspectos importantes de ser analisados. O primeiro é o fato de um crescente número de candidatos ao cargo de prefeito da cidade de Manaus. “Primeiro porque a administração municipal está em baixa popularidade. Quando se tem um administrador e um grupo em baixa é natural que cresça o número de pessoas que buscam no processo eleitoral conquistar o cargo”, avalia.

    Para Santiago, outro aspecto é a necessidade de os partidos conquistarem votos por conta da cláusula de desempenho que será muito mais cobrada nas eleições de 2022. “Se os partidos não conseguirem alcançar determinado percentual de votos, eles deixarão de ter direitos ao fundo partidário, perderão direto ao programa eleitoral gratuito de TV e de rádio e ao também o fundo eleitoral de campanhas. Por isso todo o interesse de lançar nomes, criar lideranças para que nas próximas eleições facilite o desempenho nas eleições de 2022 e assim mantenham os benefícios”, explica.

    O terceiro elemento, de acordo com o cientista político, está ligado a cláusula de credibilidade da classe política. Para ele, hoje há uma desesperança da sociedade diante dos políticos que força agora uma maratona de candidatos visitando os bairros, andando nas ruas, conversando com os feirantes, fazendo visitas a hospitais e escolas e até andando de transporte coletivo ou conversando diretamente com o povo a partir de kombis ou outros carros, com a pauta dos serviços públicos.

    “Tudo é reflexo dessa falta de credibilidade que o povo tem da classe política. Assim eles estão buscando são dois canais. O primeiro é a relação direta com a sociedade e o outro são as redes sociais se tornando pessoas mais humanas, mais acessíveis, discutindo coisas do dia a dia da sociedade. Por conta disso usam essa estratégia de estar mais presente na vida das pessoas”, diz Santiago.

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